Apostila 20122
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Apostila 20122

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partir de uma nova

concepção da sociedade com a queda do chamado poder soberano predominante nos

regimes absolutistas da Europa.

A nova sociedade, filha das revoluções liberais, governada pela ideologia burguesa, vê o poder

disciplinar como a forma mais cabível e eficaz de garantir a ordem, substituindo os suplícios e

espetáculos de execução pública.

A teoria de Foucault sobre o poder

A proposta filosófica de Michel Foucault é com certeza revolucionária e original,

tendo como objeto de estudo o poder e suas formas de manifestação.

Este filósofo de nosso tempo concebe o poder não de maneira vertical ou mesmo

maniqueísta em uma dialética entre “opressores” ou aqueles que exercem o poder
e “oprimidos” aqueles que sofrem com a coerção do mesmo.

A polêmica teoria sobre o poder proposta por Foucault torna-se original, pois para

o filósofo, não existe uma teoria geral ou mesmo axiomática do poder, suas

análises não o consideram a realidade com característica universal.

De acordo com Roberto Machado, para Foucault não existe algo unitário ou global que chamamos

de poder, mas sim, formas díspares, heterogêneas em constante transformação, o poder é uma

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 Adaptado de CAMACHO, V.M. Disponível em: http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/05/questao-do-
poder-disciplinar-em.html>. Acesso em 19.06.12

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prática social e, como tal, constituída historicamente. Logo, as práticas ou manifestações de

poder variam em cada época ou sociedade.

Para Foucault toda teoria é provisória, acidental e dependente do estado de desenvolvimento da

pesquisa, aceitando seus limites. Poderíamos entender que as teorias propostas anteriormente sobre

o exercício do poder não são falsas ou errôneas, mas deram conta de explicar a sociedade de seu

tempo. O próprio filósofo aceita que suas teorias também são provisórias e possíveis de serem

refutadas ou mesmo derrubadas.

Segundo Foucault, o poder não emana unicamente do sujeito, mas de uma rede de relações de

poder que formam o sujeito, dentre outros elementos, tal como o discurso, a arquitetura ou mesmo

a própria arte. O poder é concebido como uma rede, não nasce por si só, mas de relações

sociais.

Outro aspecto inovador da teoria de Foucault é observar este mesmo poder como algo muitas vezes

positivo, inerente à natureza humana, manifestado em pequenas coisas, através de pequenos

dispositivos. Em seu livro “Vigiar e Punir”, que trata sobre o nascimento da prisão e outras
instituições disciplinares, o filósofo discorre de forma minuciosa e instigante sobre a questão do

poder disciplinar.

Na terceira parte de sua obra, Foucault explica que a partir dos séculos XVII e XVIII o poder foi

exercido através de dispositivos disciplinares, o Estado ou mesmo a sociedade se utilizou do corpo,

da vigilância e do adestramento para garantir a obediência e disciplinar os indivíduos.

O desaparecimento dos suplícios e a disciplina sobre o corpo

Foucault analisa e discute uma profunda metamorfose quanto à forma de punição e condenação dos

presos e criminosos na Europa.

Anteriormente, o espetáculo de execução publica de condenados a morte era utilizado como

instrumentos disciplinar.

A execução em praça pública, desde a Idade Média, com os Atos de Fé da

Inquisição, gerava nos expectadores não somente o terror, mas também o

medo de cometer algum tipo de crime contra a fé.

Tais formas de punição estão estreitamente ligadas ao chamado poder de

soberania que consiste no exercício do poder de um governante sobre um

território.

Modelo comum aos déspotas e monarcas da Europa entre os séculos XV a

XVIII.

O poder era, portanto, exercido e representado através dos suplícios, da força

e da violência. Aos poucos, esta forma de condenação desapareceu cedendo espaço a uma nova

forma de punição. Uma nova concepção filosófica, a partir do iluminismo e das revoluções liberais,

bem como as novas teorias sobre o direito, fizeram a morte em público começar despertar terror e

repúdio na população o que levou a novas formas de condenação. O espetáculo da execução passou

a ser condenado pela grande parte da sociedade.

O novo modelo disciplinar de punição do criminoso consistia em não tocar ou aproximar-se do

corpo do individuo. Obviamente, algumas práticas ainda persistiram como o uso do chicote ou do

cassetete. A condenação dos indivíduos passou a se dar de forma mais velada e sutil. A violência

não foi assumida como carro chefe da justiça, porém utilizada em último caso de forma indecorosa

e indesejável.

O poder de soberania cedeu espaço ao chamado poder disciplinar. Discorrendo sobre a questão

do poder disciplinar, Foucault identificou o corpo como objeto e alvo de poder.

Citou o exemplo do soldado que reflete sua disciplina através de sua postura e do

próprio corpo, como percebemos no fragmento abaixo:

“O poder sobre o corpo, por outro lado, tampouco deixou de existir totalmente
ate meados do século XIX. Sem dúvida, a pena não mais se centralizava no

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suplicio como técnica de sofrimento; tomou como objeto a perda de um bem ou de um direito.

Porem castigos como trabalhos forçados ou prisão - privação pura e simples da liberdade – nunca
funcionaram sem certos complementos punitivos referentes ao corpo: redução alimentar, privação

sexual, expiação física, masmorra. Consequências não tencionadas mas inevitáveis da própria

prisão? Na realidade, a prisão, nos seus dispositivos mais explícitos, sempre aplicou certas

medidas de sofrimento físico.

A critica ao sistema penitenciário, na primeira metade do século XIX (a prisão não e bastante

punitiva: em suma, os detentos tem menos fome, menos frio e privações que muitos pobres ou

operários), indica um postulado que jamais foi efetivamente levantado: e justo que o condenado

sofra mais que os outros homens? A pena se dissocia totalmente de um complemento de dor física.

Que seria então um castigo incorporal? Permanece, por conseguinte, um fundo "suplicante" nos

modernos mecanismos da justiça criminal - fundo que não esta inteiramente sob controle, mas

envolvido, cada vez mais amplamente, por uma penalidade do incorporal. (FOUCAULT, 2004,

p.18)”

Nos perguntemos qual seria o objetivo de se disciplinar o corpo? Foucault responde ao tratar dos

chamados corpos dóceis. A disciplina sobre o corpo tem por finalidade produzir indivíduos dóceis

e submissos a determinados sistemas, ao mesmo tempo, estes devem oferecer uma mão-de-obra de

qualidade que ajude o desenvolvimento econômico da sociedade. A disciplina tem seu aspecto

político ao produzir indivíduos submissos ao poder do Estado, garantindo o “equilíbrio” e a
“ordem”. O poder e a disciplina sobre o corpo possibilitam o funcionamento de instituições e
grupos sociais.

Desta forma, Foucault nos mostra que o corpo passa a ser considerado um objeto possível do

controle disciplinar.

A nova organização política e social, exige também novas formas de disciplina. A experiência

decorrente dos movimentos de revolução ocorridos na Europa, demonstrou que o exercício do poder

através da violência se tornou ineficaz. O controle sobre o corpo e sobre o modo de vida dos

indivíduos, de forma sutil, evitava possíveis levantes e protestos, mostrando-se mais eficiente.

A organização do espaço
Outro aspecto do poder disciplinar se relaciona também com o espaço

através das disposições e organizações do mesmo.

Através da disposição dos objetos e estrutura dos prédios, o poder disciplinar

é exercido através da observação vigilante e a sensação de estar sempre sob a

presença do poder maior coercitivo.

A prisão não mais será um ambiente escuro e sombrio, mas sim um espaço

iluminado que possibilite a vigilância da vida e das atitudes dos detentos.

Um simples olhar ou mesmo a vigilância sobre os presos garantem a

disciplina e a submissão dos indivíduos.

O novo modelo