Apostila 20122
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Apostila 20122

Disciplina:Psicologia Aplicada Ao Direito1.809 materiais32.912 seguidores
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neste caso,

por outros fatores (p.ex., desagregação familiar, falta de afeto etc.).

REFLEXÃO

Na prática, vários tipos de exclusão podem aparecer de formas sobrepostas, um sendo

consequência do outro.

DÚVIDA

Os homossexuais são vítimas de algum tipo de exclusão? Se sim,

qual?

REFLEXÕES

Até onde o Direito estaria engajado, cooptado, conivente com as

estratégias sociais de poder e de manutenção das desigualdades e

injustiças sociais?

Exemplo: Por que o Código Penal comina pena de detenção, de 3

meses a 1 ano para o crime de Lesão Corporal (Art. 129), e, para o

crime de Furto (Art. 155) comina pena de reclusão, de 1 a 4 anos, e

multa?

O CONFORMISMO COMO ESTRATÉGIA DE DOMINAÇÃO

Naturalizar um fato social e conferir-lhe a condição de

rotineiro, comum, banal, natural. Isto faz com que o fato perca

a sua dinâmica enquanto um processo que implicaria diversos

fatores (históricos, econômicos, culturais, políticos etc.). A

naturalização de um fato social gera, como uma de suas

consequências psicológicas, o conformismo: “isso é assim,
mesmo!”

Assim entendido, o conformismo é uma ideologia que nos orienta cotidianamente.

Que nos faz imaginar que as causas desses fatos possam ser atribuídas ao indivíduo,

isoladamente, e não ao processo social no qual ele está inserido e é produto. A partir

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de uma lógica eminentemente neoliberal, por exemplo, a questão do desemprego

estrutural é, comumente, explicada como uma questão de “empregabilidade”, ou
mesmo em função dos avanços das tecnologias de produção. Ou seja, o indivíduo é o

único responsável pelas suas possibilidades de estar ou não empregado.

RESPONDA

Qual o papel das diferentes mídias (notadamente da TV) nesse

processo de naturalização das questões sociais, bem como de

produção de uma “atitude conformista de massa”? Dê
exemplos.

(6) VIDE AS ATIVIDADES PROPOSTAS PARA ESSES

CONTEÚDOS

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ASPECTOS PSICOLÓGICOS DAS RELAÇÕES HUMANAS

INFLUÊNCIAS SOCIAIS

Quando falamos em influência social estamos nos referindo ao

fato de uma pessoa poder ter seus comportamentos, seus

pensamentos ou mesmo as suas atitudes influenciados ou

modificados por outras pessoas (p.ex., um grupo social).

PRESSÃO SOCIAL E MUDANÇA DE JULGAMENTOS

Salomon Asch (1907-1996) projetou um teste simples (1955) para

verificar o grau médio de conformismo das pessoas (comportamentos,

pensamentos, atitudes etc) em relação às pressões grupais:

Como um participante de uma pesquisa, você chega no local do experimento a tempo

de sentar na extremidade de uma fila em que já há cinco pessoas sentadas. O

experimentador pergunta qual das três linhas de comparação é idêntica à linha padrão

(figura abaixo):

Você verifica claramente que a resposta é a linha 2 e aguarda a sua vez para dizer

isso, depois dos outros. Seu tédio com esse experimento começa a transparecer

quando o conjunto seguinte de linhas é igualmente fácil.

Agora vem a terceira prova, e a resposta correta também parece evidente, mas a

primeira pessoa dá o que você acha ser uma resposta errada: “Linha 3”. Quando a
segunda pessoa, depois a terceira e a quarta também dão a mesma resposta errada,

você se empertiga e contrai os olhos. Quando a quinta pessoa concorda com as três

primeiras, você sente seu coração começar a bater forte. O pesquisador olha para

você, à espera de sua resposta.

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Dividido entre a unanimidade dos outros cinco sujeitos e a evidência de seus olhos,

você se sente confuso e muito menos seguro de si do que era momentos antes. Hesita

antes de responder, imaginando se deve sofrer o constrangimento de ser encarado

como alguém diferente. Que resposta você dá?

Asch relata que em mais de um terço das vezes seus sujeitos universitário “inteligente
e bem-intencionados” se mostraram dispostos a acompanhar o grupo” (adaptado de
Myers,D., 1999, pp 391-2).

Razões do conformismo

1. Fazemos isso para evitar a rejeição social ou ganhar aprovação social. Nesse

caso, estamos reagindo ao que os psicólogos sociais chamam de “influência social
normativa”;
2. Mas o respeito às normas não é o único motivo pelo qual nos conformamos: o

grupo pode fornecer informações valiosas. Só uma pessoa muito obstinada nunca vai

ouvir os outros. Quando aceitamos as opiniões dos outros sobre a realidade, estamos

reagindo à “influência social informativa.”

O QUE SÃO ATITUDES?

Uma atitude é “uma organização duradoura de crenças e
cognições em geral, dotada de carga afetiva pró ou contra um

objeto social definido, que predispõe a uma ação coerente com

as cognições e afetos relativos a este objeto.

Uma distinção importante é a de que “todas as atitudes incorporam crenças, mas que
nem todas as crenças fazem parte, necessariamente, das atitudes.” [...] “as crenças
têm apenas um componente cognitivo enquanto as atitudes têm tanto o

componente cognitivo quanto o afetivo.”. Em termos mais simples, podemos então
dizer que quando uma crença polariza sobre si componentes afetivos e ambos, crença

(Leitura Complementar – Caderno de Psicologia – Processos de Grupo – p. 195 a 200)

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e afeto, agem no sentido de influenciar o comportamento, aí, então, temos uma

atitude. Analise a figura abaixo:

Característica de uma atitude

Mudança de atitude

Apesar de serem relativamente estáveis, as atitudes

são passíveis de mudança. [...] Como vimos

anteriormente, os componentes cognitivo, afetivo e

comportamental que integram as atitudes sociais

influenciam-se mutuamente em direção a um estado

de harmonia. Qualquer mudança num destes três

componentes é capaz de modificar os outros, de vez

que todo o sistema é acionado quando um de seus

componentes é alterado, tal como num campo de forças eletromagnético.

Consequentemente, uma informação nova, uma nova experiência ou um novo

comportamento emitido em cumprimento as normas sociais, ou outro tipo de agente

capaz de prescrever comportamento, pode criar um estado de inconsistência entre os

três componentes atitudinais de forma a resultar numa mudança de atitude.

Atitude negativa: o preconceito

Teoricamente, os preconceitos podem ficar incluídos na

classe das atitudes, exibindo, em consequência dessa

inserção, os três elementos acima descritos (quais sejam,

cognições, afetos e tendências comportamentais);

apresentam, porém, em adição e em contraste com elas,

duas características que lhes são específicas: a de que se

formam sempre em torno de um núcleo afetivamente

negativo e a de que são dirigidos contra grupos de pessoas.

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Discriminação

Uma ação qualquer ensejada por algum preconceito

caracterizaria o que se chama discriminação. Porém,

“preconceito e discriminação nem sempre ocorrem
juntos. É possível ter preconceito contra um

determinado grupo sem se portar abertamente de

maneira hostil ou discriminatória em relação a ele. Por

exemplo: um lojista racista pode sorrir para um cliente

negro para disfarçar opiniões que poderiam prejudicar

seu negócio. Do mesmo modo, muitas práticas institucionais

podem ser discriminatórias, embora não se baseiem no

preconceito. Por exemplo: as normas que estabelecem uma

altura mínima para policiais podem discriminar mulheres e

determinados grupos étnicos – cuja altura é inferior ao padrão
arbitrário -, embora essas normas não se originem em atitudes

sexistas ou racistas.

INFORMAÇÃO:

LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989

Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

(Alterada pelas Leis nº 8.081/90 e 9.459 / 97 já incluídas no texto)

(http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/LEIS/L7716.htm)

Estereótipos

De fato, um estereótipo não é uma crença mas um tipo de associação

mental simplista que fazemos entre duas coisas que visa facilitar a nossa

vida cotidiana. Tais associações podem ser conscientes (explícitas)