Apostila 20122
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Apostila 20122

Disciplina:Psicologia Aplicada Ao Direito1.812 materiais32.911 seguidores
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ou

inconscientes (implícitas). “Muitas pessoas vinculam, involuntariamente,
deficiência com fraqueza, árabe com terrorismo ou pobre com

inferioridade, mesmo que tais estereótipos contrariem a racionalidade e

até mesmo valores que lhes são caros, como o de justiça ou igualdade.

Estereótipos podem gerar uma percepção seletiva dos outros: “Por exemplo: uma vez
que você classificou alguém como homem ou mulher, talvez conte mais com seu

estereótipo daquele gênero que com suas próprias observações sobre as atitudes da

pessoa. Pelo fato de as mulheres serem estereotipadas tradicionalmente como mais

emotivas e submissas, e os homens como mais racionais e assertivos [...] talvez você

veja mais esses traços em homens e mulheres do que eles realmente existem.”

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“Pessoas invisíveis”

“Em novembro de 1994, o então estudante do 2º ano de Psicologia da
Universidade de São Paulo (USP) Fernando Braga tornou-se invisível.

'Fiquei atordoado, não conseguia sentir o gosto da comida, perdi meu centro',

lembra. Nem loucura nem ficção científica. Braga atingiu a invisibilidade ao

vestir um uniforme de gari. Como parte de um estágio solicitado por uma das

disciplinas que cursava, ele resolveu acompanhar, de duas a três vezes por

semana, a rotina dos garis da Cidade Universitária - pegando no pesado junto

com eles. Ao vestir calça, camisa e boné como seus colegas de 'varreção',

esperava causar espanto, curiosidade ou até mesmo indignação em seus

amigos, professores, companheiros de futebol e conhecidos da USP. No

entanto, não conseguiu nem mesmo receber um bom-dia. 'Atravessei o andar

térreo da Psicologia de ponta a ponta. Estava atento, buscava a expressão de

surpresa em alguém. Mas nada acontecia', conta. 'Deixei de esperar perguntas intrigadas,

mas ainda seria capaz de responder a algum cumprimento. Nada.' Os professores com quem

havia conversado pela manhã passaram por ele e nem perceberam sua presença. Não é que

tenha sido ignorado, menosprezado, rejeitado. Pior: nem foi visto. Era como não estar lá;

como 'não ser'.

O mal-estar experimentado por Braga jamais o abandonou. Ele

passou os nove anos seguintes trabalhando com os garis da USP

e transformou em tese de mestrado o indigesto tema da

'invisibilidade pública' - o desaparecimento de um homem no

meio de outros homens. Concluída em 2002, a tese agora vira

livro lançado pela editora Globo.

Ironicamente, o psicólogo ganhou visibilidade falando da

invisibilidade, que, segundo ele, está relacionada à divisão social do trabalho e afeta até

mesmo quem não é totalmente excluído economicamente. Ela seria uma espécie de

cegueira psicossocial, que elimina do campo de visão da maioria da população aqueles

que são condenados a exercer uma atividade subalterna, desqualificada,

desumanizante e degradante o dia inteiro, às vezes uma vida inteira. É uma situação

diferente da contada pelo escritor americano Ralph Ellison, que nos anos 50 lançou seu

romance O Homem Invisível. Ellison, negro, contava a história de um descendente de

escravos que ao percorrer os Estados Unidos descobriu apenas que, por ser negro, era

ignorado - segundo ele, algo muito pior que ser confrontado ou desprezado. Braga mostra

que, independentemente do preconceito racial, o preconceito social também é tão

incrível que leva a simplesmente apagar pessoas do campo de visão. 'Nem na Suécia

uma criança é incentivada pelos pais a ser gari, faxineiro ou coveiro', provoca. 'Não tem a

ver com salário, mas com a simbologia.'

Todo mundo se sente invisível em algum momento da vida - numa festa de gente de outra

tribo, no emprego novo em que não se conhece ninguém. Mas essas são outras

invisibilidades, circunstanciais, e portanto passageiras, reversíveis. O estudo de Braga é

sobre uma invisibilidade tão automatizada na sociedade que muitas vezes nem mesmo

o ser invisível se dá conta de sua degradante situação. 'Se ele percebe,

carece de armas para o combate. Depois de ser ignorado a vida inteira

ou, no máximo, maltratado, ninguém anda de cabeça erguida.'

De fato, na maioria das vezes, o gari que limpa nossa cidade só é notado

quando falta ao serviço. O ascensorista é tratado como uma máquina que

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funciona por comando de voz, sem direito a 'por favor' nem 'obrigado'. A

empregada doméstica põe o avental, alimenta a família e deixa a casa

organizada anos a fio, mas os patrões mal sabem seu sobrenome, se tem

filhos, se está com algum problema. Os únicos cidadãos que vestem

uniforme para servir aos outros e ganham visibilidade e

reconhecimento são os que estão em situação de poder sobre o

interlocutor - médicos, enfermeiros, policiais. 'Algumas profissões estão num nível de

rebaixamento absoluto', reforça Braga. 'As pessoas estão habituadas a passar pelos garis

como quem passa por objetos', assinala.

Nilce de Paula, mineiro de 61 anos, confirma. Desde que chegou a São Paulo, aos 18 anos,

trabalhou em bar, restaurante, fez salgadinhos para vender, foi ascensorista - de terno e

gravata, orgulha-se - e carregou contêineres de veneno. Já tinha experimentado o

preconceito racial, mas a indiferença mesmo só conheceu quando virou gari. 'Às vezes estou

trabalhando na avenida e passa uma pessoa. Mesmo que ela não me cumprimente, eu

cumprimento, porque um bom-dia não custa nada', afirma. 'O pior é quando os carros quase

passam por cima da gente, sem nem tentar desviar. A gente tem de trabalhar de frente para a

avenida e se cuidar.'

A invisibilidade pública vem sempre na companhia da humilhação social, o sofrimento

pelo rebaixamento político, social e psicológico experimentado continuamente por

cidadãos de classes D e E. O conceito é recente e foi cunhado por José Moura Gonçalves

Filho, orientador de Braga. Afeta o raciocínio, a visão e o afeto de quem é discriminado.

'O invisível não tem voz, seu discurso não é levado em conta, sua opinião sobre o

mundo não importa. Ele aparece apenas como ferramenta', diz o psicólogo. Funcionária

de uma empresa terceirizada de limpeza, a baiana Sônia Aragão, de 34 anos, veio para São

Paulo em 1996, depois de ter passado pela lavoura, por restaurantes e casas de família. Ter

de usar uniforme foi um choque: 'Tem gente que passa reto e faz de conta que não me vê.

Eu mesma me sinto estranha com esta roupa, porque parece que não sou eu. Quando não

estou de uniforme, pelo menos as pessoas me olham, mesmo que não falem comigo', diz.”23

23 Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT764232-1664,00.html. Acesso em 03/07/12.

Vide texto “Estereótipos de gênero” –Caderno Introdução à psicologia, p. 19.)

(7) VIDE OS EXERCÍCIOS PROPOSTOS PARA ESSES CONTEÚDOS.

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JUSTIÇA RESTAURATIVA E MEDIAÇÃO DE CONFLITOS

A Justiça Restaurativa é um "processo colaborativo que

envolve aqueles afetados mais diretamente por um

crime, chamados de ‘partes interessadas principais’, para
determinar qual a melhor forma de reparar o dano

causado pela transgressão".

[...] "a essência da justiça restaurativa é a resolução de

problemas de forma colaborativa. Práticas restaurativas proporcionam, àqueles que

foram prejudicados por um incidente, a oportunidade de reunião para expressar seus

sentimentos, descrever como foram afetados e desenvolver um plano para reparar os

danos ou evitar que aconteça de novo. A abordagem restaurativa é reintegradora e

permite que o transgressor repare danos e não seja mais visto como tal. [...] O

engajamento cooperativo é elemento essencial da justiça restaurativa". Trata-se,

enfim, de suprir as necessidades emocionais e materiais das vítimas e, ao mesmo

tempo, fazer com que o infrator assuma responsabilidade por seus atos, mediante

compromissos concretos. (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7359)

O conceito de Justiça Restaurativa coloca a sua ênfase no dano causado à vitima

assim como à própria comunidade