Apostila 20122
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Apostila 20122

Disciplina:Psicologia Aplicada Ao Direito1.809 materiais32.910 seguidores
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onde esta se encontra inserida. Procura estabelecer

um reconhecimento geral de que o crime é tanto uma violação das relações entre um

conjunto específico de pessoas; como uma violação contra todos – e logo contra o
Estado. Sempre que seja considerado apropriado, a vitima e o arguido tem a hipótese

de se confrontar num ambiente controlado, dando desta

forma a oportunidade a ambos de explicar as causas e as

consequências pessoais do crime. O objetivo central passa

pela revalorização do papel da desculpa e da tentativa real

da reparação do dano causado. De forma simplificada, o

conceito de Justiça Restaurativa baseia-se na teoria dos três

R:

a) Atuar para que o arguido assuma a sua Responsabilidade;

b) Permitir uma melhor Reintegração do arguido na Comunidade;

c) Estimular a Reparação do dano causado;

(http://justicarestaurativa.wordpress.com/2007/05/01/definicao-de-justica-

restaurativa/)

Benefícios da Justiça Restaurativa

Celeridade e economia de recursos na resolução das lides judiciais;

“Compensações psicológicas” às vítimas;
Possibilidade de os autores reconhecerem os danos causados por suas ações e de

agirem no sentido da restauração ou reparação do dano causado (ressocialização);

Participação da comunidade no Judiciário.

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Justiça Restaurativa e Legislação Brasileira

Deve-se assinalar, de início, que não há na legislação brasileira

dispositivos com práticas totalmente restaurativas. Existem,

contudo, determinados diplomas legais os quais podem ser

utilizados para sua implementação, ainda que parcial. De

acordo com Pedro Scuro Neto, um programa efetivo de Justiça

Restaurativa requer que sejam estabelecidos, "por via

legislativa, padrões e diretrizes legais para a implementação dos

programas restaurativos, bem como para a qualificação,

treinamento, avaliação e credenciamento de mediadores, administração dos

programas, níveis de competência e padrões éticos, salvaguardas e garantias

individuais.

CONFLITO

O QUE É UM CONFLITO?

1. “Simplificadamente, as diferenças não compreendidas, em
muitos casos, geram conflitos.”
2. “[...] é resultado de um conjunto de condições
psicossocioculturais que determinam colisão de interesses.”

REFLEXÃO

“[...] o conflito não é destrutivo em si, nem bom em si, e pode ser entendido como um
dos elementos da própria vida, portanto, parte integral do meio no qual nascemos,

vivemos e morremos, fazendo parte de nossas interações; por isso não pode se

extirpado. A questão é saber como manejá-lo de forma a que ambas as partes saiam

ganhando, ou seja, eficaz e produtivamente.”
Para alguns autores, um conflito é uma excelente oportunidade de crescimento e

desenvolvimento.

Métodos tradicionais e alternativos de solução de conflitos

1º) JULGAMENTO (Método Tradicional) – De competência
do poder Judiciário que, inicialmente, aprecia os fatos

(processo) e, posteriormente, impõe sentença em harmonia

com a ordem jurídica vigente. Neste método, tipicamente

adversarial, uma das partes perde e a outra ganha. Às vezes,

ambas perdem.

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2º) ARBITRAGEM (Método Extrajudicial) – Neste método a
decisão será tomada por um terceiro neutro, o árbitro,

escolhido pelas partes. Caracteriza-se por ser adversarial.

A Lei n. 9.307, de 1996, retirou a obrigatoriedade de

homologação do Laudo Arbitral pelo Poder Judiciário.

3º) CONCILIAÇÃO – “O objetivo da conciliação é colocar
fim ao conflito manifesto, isto é, a questão trazida pelas partes.

O conciliador envolve-se segundo sua visão do que é justo ou

não; na busca de soluções, interfere e questiona os litigantes. O

conciliador, entretanto, não tem poder de decisão, que deve ser

tomada, cooperativamente, pelas partes.

Na conciliação, não há interesse em buscar ou identificar razões ocultas que levaram

ao conflito e outras questões pessoais dos envolvidos.” (FIORELLI; MANGINI,
2010).

É prevista pelo Código de Processo Civil a prática da conciliação, como forma de

resolução de conflitos em processos de separação. Essa prática é bastante prestigiada

pelo magistrado brasileiro, podendo ocorrer em qualquer tempo durante o processo,

quando se oferece às partes uma oportunidade de conciliação sobre o assunto em

pauta, extinguindo total ou parcialmente o litígio.” Principais áreas: criminal, família
e trabalho.”

4º) MEDIAÇÃO - Segundo Grunspun (2000), a mediação

pode ser compreendida como um processo no qual uma

terceira pessoa, neutra, o mediador, facilita a resolução de

uma controvérsia ou disputa entre duas partes. “Na
mediação, (o mediador), atua para promover a solução do

conflito por meio do realinhamento das divergências entre

as partes, os mediandos.

Para isso, o mediador explora o conflito para identificar os interesses que se

encontram além ou ocultos pelas queixas manifestas (as posições). O mediador não

decide, não sugere soluções, mas trabalha para que os mediandos as encontre e se

comprometam com eles.

Reconhecer o ponto de vista do outro é fundamental e o mediador empenha-se para

que isso aconteça. A pedra de toque é a cooperação e são diversas as técnicas

empregadas. (FIORELLI; MANGINI, 2010).

O MÉTODO DA NEGOCIAÇÃO (Método Extrajudicial)

Nesta modalidade a resolução do conflito caberá as partes. Não se caracteriza como

adversarial pois os envolvidos deverão se dispor a buscar uma solução que

contemple, na medida do possível, a maior parte dos seus interesses.

“A negociação, por outro lado, está presente nos métodos (da conciliação e da
mediação), como parte integrante da condução dos trabalhos. Ela também pode

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acontecer no transcorrer da arbitragem ou do julgamento, com a participação

promotores, advogados e árbitros.” (FIORELLI; MANGINI, 2010).

(8) VIDE OS EXERCÍCIOS PROPOSTOS PARA ESSES CONTEÚDOS.

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