NOVAIS (1990) III - A Crise do Antigo Sistema Colonial
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NOVAIS (1990) III - A Crise do Antigo Sistema Colonial

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Novais – A Crise do Antigo Sistema Colonial
A crise expressa mecanismos profundos. O Sistema Colonial constitui-se no componente básico da colonização na época mercantilista. Importa distinguir os mecanismos de seu funcionamento, para apreender as contradições que lhe eram imanentes e explicitar a crise em que desaguou.

1 – Estrutura e Dinâmica do Sistema.

A – A colonização como sistema

Sistema colonial – conjunto das relações entre as metrópoles e suas respectivas colônias.

Nem toda colonização se processa dentro do sistema colonial; fenômeno mais geral, de alargamento da área de expansão humana no globo, pela ocupação, povoamento e valorização de novas regiões.

Nos Tempos Modernos, a colonização se processa através de um sistema específico de relações, assumindo a forma mercantilista de colonização. Logo, é o sistema colonial do mercantilismo que dá sentido à colonização européia da época.

Relações coloniais abrandem dois níveis: 1 – Extensa legislação ultramarina das potências colonizadoras. 2 – Movimento de circulação de umas para as outras; no comércio entre si e nas vinculações político-administrativas que envolviam. A legislação procurava disciplinar as relações concretas, políticas e econômicas

Para entender o sentido – normas legais: nelas se cristalizam os objetivos da empresa colonizadora (Ex: Atos de Navegação da Inglaterra, leis que proíbem navios estrangeiros no Brasil e etc.)

Indivíduos importantes da economia mercantilista teorizam a posição e função das colônias no quadro da vida econômica dos Estados europeus; fixam fins e objetivos; e a legislação tenta elevar à prática os princípios formulados pela teoria mercantilista.

Formulação da política mercantilista: um dos teóricos, Postethwayt em 1747: “Colônias devem dar à metrópole um maior mercado para seus produtos, dar ocupação a um maior número dos seus manufatureiros, artesãos e marinheiros, fornecer-lhe uma maior quantidade dos artigos que precisa”. Ou seja, deveriam constituir-se em fator essencial do desenvolvimento econômico da metrópole. Concepção que articulava-se com a doutrina da economia e política econômica: Mercantilismo.

Ponto de partida é a idéia metalista (nível de riqueza identificado com o montante de metal da nação). Orientadora da política econômica. Envolvia uma conceituação primária da natureza dos bens econômicos, e a suposição que os lucros se geram no processo de circulação de mercadorias. Formulação da doutrina da balança comercial favorável: maneira de promover entrada líquida de metais.

Daí, política protecionista: tarifária, fomentista da produção nacional dos produtos que concorram vantajosamente no mercado entre as nações. Defesa da saída de matérias primas, estímulo às exportações de manufaturas; estímulo à entrada de produtos primários, dificuldade ou proibição da importação de manufaturados. Para isso, a produção interna deve ter baixo custo, mesmo que para isso tenha que restringir o consumo interno para a concorrência no exterior.

Mercantilismo não visa o bem estar social, mas o desenvolvimento nacional. A intervenção do Estado deve gerar condições de lucratividade para as empresas poderem exportar excedentes ao máximo. Daí se defendia uma política de fomento demográfico para ampliar a força de trabalho nacional e impedir elevação de salários.

Significado e posição das colônias: Se constituir em retaguarda econômica da metrópole. Necessário ter áreas onde se pudessem aplicar as normas mercantilistas, as colônias garantiriam a auto-suficiência metropolitana.

A política colonial das potências visava enquadrar a expansão colonizadora na política mercantilista. Logo o sistema colonial é um tipo de relações políticas com um elemento de decisão (metrópole) e outro (colônia) subordinado. A vida econômica da metrópole era dinamizada pelas atividades coloniais.

Expansão ultramarina: predomínio do absolutismo, politicamente; e persistência da sociedade estamental, socialmente.

Entre o fim do feudalismo e a produção capitalista, encontra-se uma Etapa Intermediária, chamada de capitalismo mercantil; pois é capital comercial, gerado mais diretamente na circulação das mercadorias que anima toda a vida econômica. Estado absolutista, com extrema centralização do poder real, que de certa forma unifica e disciplina uma sociedade organizada em “ordens”, e executa uma política mercantilista de fomento do desenvolvimento da economia de mercado, no plano externo pela exploração ultramarina.

Mercantilismo foi um instrumento de unificação, pressupunha grau de integração do estado nacional para que fosse executado. A expansão permite romper os limites estreitos em que se movia a economia mercantil até o fim da Idade Média.

Crise do feudalismo deriva da maneira pela qual a estrutura feudal reage ao impacto da economia de mercado. A instauração de um setor mercantil na economia e um desenvolvimento de um setor urbano na sociedade promoveram a lenta dissolução da servidão de um lado (locais perto de rotas comerciais) e enrijecimento por outro (contato com o mercado apenas nas camadas superiores). O desenvolvimento da economia mercantil agrava as condições da servidão e no limite promove insurreições camponesas. O alargamento do mercado estimula diferenciação dentro da sociedade urbana; produtor direto perdendo domínio do mercado tende a se proletarizar – Insurreições urbanas. Crise social (Dobb).

Persistente recorrência das crises tendeu a restringir o ritmo de desenvolvimento do comércio, agravado pela depressão monetária. Endurecimento da competição nos centros de comércio, com tendência a se fecharem e dominar as próprias rotas. Principal setor comercial (produtos orientais) dominados por Veneza e Gênova. Surgem esforços para a abertura de novas rotas.

Dentro dessas tensões, se gerou o estado nacional. O Absolutismo foi uma resposta à crise. O Estado centralizado promove a estabilização da ordem social interna e estimula a expansão ultramarina encaminhando a superação da crise nos vários setores.

Abertura de novas fontes de exploração mercantil: estabelecimento de novas rotas pelo oceano envolvendo uma alta margem de risco e exigindo acumulação prévia de capital. Estado nacional: centro organizador da superação de crises, tomador de recursos em escala nacional e internacional. Os países lançam-se na concorrência comercial e colonial na medida mesma em que se organizam internamente como estados unitários e centralizados.

A formação dos estados surgiu das tensões do feudalismo; a nivelação de todos como súditos do poder real permitiu disciplinar as tensões e os conflitos sociais, ao mesmo tempo em que a política econômica mercantilista executara atacava simultaneamente todas as frentes de retenção do desenvolvimento da economia de mercado.

A política econômica mercantilista que pregava a abolição das tarifas internas e conseqüente integração do mercado nacional, tarifas externas protecionistas, colônias para complementar e autonomizar a economia metropolitana. Aplicação da fiscalização do Rei, complementando rede de inter-relações.

Antigo Regime: Absolutismo, sociedade estamental, capitalismo comercial, política mercantilista, expansão ultramarina e comercial. Produtos de tensões sociais geradas na desintegração do feudalismo em curso, para a constituição do modo de produção capitalista. Nesse período intermediário, o capital comandou as transformações econômicas, mas a burguesia mercantil encontrava obstáculos para manter o ritmo de expansão das atividades e ascensão social; daí a necessidade de apoios externos (economias coloniais) para fomentar a acumulação. No nível político, a centralização do poder para unificar o mercado nacional e reunir recursos para o desenvolvimento.

O Antigo Regime Político representou a fórmula da burguesia mercantil assegurar-se das condições para garantir sua própria ascensão e criar o quadro institucional do desenvolvimento do capitalismo comercial.

A colonização européia moderna aparece, como um desdobramento da expansão puramente comercial. Foi no curso da