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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.157 materiais34.315 seguidores
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negam que haja um conhecimento de objetos de
sensação. Além disso, o principio formulado não tem menos utilidade para o
propósito contrário, isto é, para demonstrar que o objeto de sensação não é um
objeto de conhecimento, apoiando-se em que tampouco a sensação é
conhecimento.

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Convém examinar também os coordenados e as formas derivadas dos
termos que constituem a tese, tanto ao refutá-la como ao estabelecê-la.
Entendem-se por "coordenados" termos como os seguintes: "ações justas" e
"homem justo" são coordenados de "justiça", e "atos corajosos" e "homem
corajoso" são coordenados de "coragem". Analogamente, também as coisas
que tendem para produzir e conservar alguma coisa chamam-se coordenadas
daquilo que tendem a produzir ou conservar, como, por exemplo, "hábitos
saudáveis são coordenados de "saúde", e um "exercício vigoroso" de uma
"constituição vigorosa", e de modo análogo também em outros casos.
"Coordenado", pois, designa geralmente casos como os que acabamos de
mencionar, enquanto "formas derivadas" são "justamente", "corajosamente",
"saudavelmente" e outras formadas da mesma maneira. Em geral se admite
que as palavras usadas em suas formas derivadas são também coordenadas,
como, por exemplo, "justamente" em relação a "justiça" e "corajosamente" a
"coragem"; segundo este ponto de vista, "coordenado" designa todos os
membros da mesma série de termos afins, como, por exemplo, "justiça",
"justo" aplicado a um homem ou a um ato, "justamente". É evidente, pois, que
quando se demonstra que é bom e digno de louvor um membro qualquer de
uma série de termos afins o mesmo fica demonstrado de todos os demais. Por
exemplo: se "justiça" é algo digno de louvor, também "justo", tanto aplicado a
um homem como a um ato, e "justamente", conotarão algo digno de louvor.
Portanto, "justamente" será também expresso por "louvavelmente", derivado
de "louvável" por meio da mesma inflexão que de "justiça" formou
"justamente".

Deve-se procurar o predicado contrário não apenas no caso do sujeito
mencionado, como também no do sujeito contrário. Sustente-se, por exemplo,
que o bem não é necessariamente agradável, pois tampouco o mal é doloroso;
ou, se este último é assim, também será agradável o primeiro. Por outro lado,
se a justiça é conhecimento, então a injustiça é ignorância; e, se "justamente"
significa "sabiamente" e "habilmente", então "injustamente" significa
"ignorantemente" e "inabilmente"; ao passo que, se o último não é verdadeiro,
tampouco o será o primeiro, como no exemplo dado acima; pois é mais
provável que "injustamente" pareça equivaler a "habilmente" do que a
"inabilmente". Este tópico já foi explanado atrás, quando tratamos da
seqüência dos contrários; pois tudo o que pretendemos agora é que o contrário
de P se siga ao contrário de S.

Examinem-se, além disso, os modos de geração de uma coisa, e aquelas
coisas que tendem a produzi-la ou a corrompê-la, tanto ao refutar como ao
estabelecer uma opinião. Porque aquelas coisas cujos modos de geração se
classificam entre as coisas boas são também boas elas mesmas; e, se elas
mesmas são boas, também o são os seus modos de geração. Se, por outro lado,
seus modos de geração forem maus, elas próprias também serão más. Quanto
aos modos de corrupção, o inverso é verdadeiro; porque, se os modos de
corrupção se classificam como coisas boas, então as coisas mesmas se
classificarão como más, ao passo que, se os modos de corrupção são
considerados maus, elas mesmas aparecem como boas. O mesmo argumento
se aplica também ao que tende a produzir e a corromper: porque as coisas
produzidas por causas boas são também boas elas mesmas; ao passo que, se as
causas que as corrompem são boas, elas mesmas se classificam como más.

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Devem-se examinar também as coisas que se assemelham ao sujeito em
questão e ver se se encontram num caso semelhante; por exemplo, se um ramo
de conhecimento tem mais de um objeto, também o terá uma opinião; e, se
possuir visão é ver, então possuir audição é ouvir. E de maneira análoga com
as demais coisas, tanto as que são semelhantes como as que são geralmente
consideradas como tais. O tópico de que falamos é comum para os dois fins,
porque, se se afirmou algo de alguma coisa particular, a mesma afirmação se
aplicará também às outras coisas semelhantes, ao passo que, se afirmação não
é verdadeira de uma delas, também não o será das outras.

Procure-se ver também se os casos são semelhantes com respeito a uma só
coisa e com respeito a várias coisas, pois às vezes deparamos com uma
discrepância. Assim, se "conhecer" alguma coisa é "pensar" nela, então
"conhecer muitas coisas" e "estar pensando em muitas coisas"; mas isto não é
verdadeiro, pois se pode conhecer muitas coisas sem estar pensando nelas. Se,
pois, a última proposição não é verdadeira, tampouco o era a primeira, que se
referia a uma coisa só, a saber: que "conhecer" uma coisa é "pensar" nela.

Argumente-se, além disso, partindo dos graus maiores ou menores. No que
toca aos graus maiores, existem quatro regras ou tópicos. Uma delas é:
examinar se a um grau maior do predicado se segue um grau maior do sujeito;
por exemplo, se o prazer é um bem, veja-se também se um prazer maior é um
bem maior; e, se fazer uma injustiça é um mal, veja-se se fazer uma injustiça
maior é um mal maior. Esta regra é útil para ambos os fins, pois, se um
acréscimo do acidente se segue a um incremento do sujeito, como dissemos,
evidentemente o acidente pertence ao sujeito, ao passo que se uma coisa não
se segue da outra, o acidente não pertence ao sujeito. Isto deve ser
estabelecido por indução.

Outra regra é: se um predicado é atribuído a dois sujeitos, supondo-se que
ele não pertença ao sujeito ao qual é mais provável que pertença, tampouco
deverá pertencer àquele a que é menos provável que pertença; e,
inversamente, se pertence ao sujeito a que é menos provável que pertença,
deverá pertencer igualmente ao outro. E, por outro lado: se dois predicados
são atribuídos a um sujeito, então, se acontece não lhe pertencer o que mais
geralmente se acredita que lhe pertença, tampouco lhe pertencerá o outro; ou,
se lhe pertence o que menos geralmente se acredita que lhe pertença, com
mais forte razão lhe pertencerá o outro. Mais ainda: se dois predicados são
atribuídos a dois sujeitos, então, se aquele que mais geralmente se acredita

pertencer a um dos sujeitos não lhe pertence, tampouco o predicado restante
pertence ao sujeito restante; ou, se o que menos geralmente se acredita
pertencer a um dos sujeitos lhe pertence, com maior razão pertencerá o outro
ao sujeito restante.

Além disso, pode-se argumentar partindo do fato de que um atributo
pertence (ou se supõe geralmente que pertença) em grau igual ao sujeito, de
três maneiras, correspondentes aos três últimos tópicos dados em relação a um
grau maior. Porque, admitindo-se que um predicado pertence, ou supõe-se que
pertença a dois sujeitos em grau igual, então, se ele não pertence a um deles,
tampouco pertence ao outro; ao passo que, se pertence a um dos dois, deverá
pertencer também ao outro. Ou, supondo-se que dois predicados pertencem
em grau igual ao mesmo sujeito, então, se um deles não lhe pertence,
tampouco e pertencerá o outro; ao passo que, se um dos dois realmente lhe
pertence, o outro também lhe pertencerá. O caso também é o mesmo se dois
predicados pertencem em grau igual a dois sujeitos, porque, se um dos
predicados não pertence a um dos sujeitos, tampouco o outro predicado
pertencerá ao outro sujeito, ao passo que se um dos predicados pertence a um
dos sujeitos, o outro predicado também pertencerá ao outro sujeito.

Pode-se, pois, argumentar partindo de graus maiores, menores ou iguais de
verdade, do número de maneiras que acabamos de indicar. Deve-se, além
disso, argumentar partindo da adição