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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.157 materiais34.265 seguidores
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pois, que as espécies participam do
gênero, porém não os gêneros das espécies, já que a espécie admite a
definição do gênero, mas este não admite a definição daquela. Deve-se, pois,
verificar se o gênero indicado participa ou pode talvez participar da espécie,
como, por exemplo, se alguém propusesse alguma coisa como sendo o gênero
de "ser" ou de "unidade", pois daí resultaria que o gênero participa da espécie,
uma vez que de tudo que existe se predicam o "ser" e a "unidade", e, por
conseguinte, também as respectivas definições.

Veja-se, além disso, se há alguma coisa de que a espécie indicada seja
verdadeira, mas não o seja o gênero: como, por exemplo, se alguém afirmasse
que "ser" ou "objeto de conhecimento" e o gênero de "objeto de opinião".
Com efeito, "objeto de opinião" também se predica do que não existe, pois
muitas coisas que não existem são objetos de opinião, enquanto é evidente que
nem "ser", nem "objeto de conhecimento" se predicam do que não existe. Por
conseguinte, nem "ser", nem "objeto de conhecimento" é o gênero de "objeto
de opinião", pois o gênero deve predicar-se também dos objetos de que se
predica a espécie.

Examine-se, também, se o objeto incluído no gênero é totalmente incapaz
de participar de qualquer espécie deste, pois é impossível que ele participe do
gênero se não participa de alguma de suas espécies, salvo quando se trata de
uma das espécies obtidas na primeira divisão: estas, com efeito, participam
unicamente do gênero. Se, portanto, "movimento" for indicado como o gênero
de prazer, deve-se verificar se o prazer não é nem locomoção, nem alteração,
nem qualquer outra das modalidades de movimento que enumeramos: porque,
evidentemente, se pode afirmar então que não participa de nenhuma das
espécies e, em conseqüência, não participa tampouco do gênero, já que aquilo
que participa do gênero deve necessariamente participar também de uma das
espécies; de modo que o prazer não poderia ser uma espécie de movimento,
nem tampouco ser um dos fenômenos individuais compreendidos sob o termo
"movimento". Porque os indivíduos também participam do gênero e da
espécie, como, por exemplo, um indivíduo humano participa tanto de
"homem" como de "animal".

É preciso ver, além disso, se o termo incluído no gênero tem uma extensão
mais ampla do que este, como tem, por exemplo, "objeto de opinião"
comparado com "ser", pois tanto o que existe como o que não existe são
objetos de opinião: logo, "objeto de opinião" não pode ser uma espécie de ser,
dado que o gênero tem sempre uma extensão mais ampla do que a espécie.
Veja-se, igualmente, se a espécie e o seu gênero têm igual extensão: se, por
exemplo, dos atributos que se encontram em todas as coisas, um fosse
apresentado como uma espécie e outro como o seu gênero, "ser" e "unidade";
porquanto todas as coisas possuem ser e unidade, de modo que nenhum destes
dois é gênero do outro, tendo eles, como têm, uma igual extensão. E do
mesmo modo se do "primeiro" de uma série e do "começo", um fosse
subordinado ao outro, pois o primeiro é o começo e o começo é o primeiro, de
modo que ou ambas estas expressoes são idênticas, ou, de qualquer forma,
nenhuma é o gênero da outra. O princípio elementar referente a todos os casos
deste tipo é que o gênero tem uma extensão mais vasta do que a espécie e sua
diferença, pois a diferença tem, igualmente, uma extensão mais restrita do que
o gênero.

Veja-se também se o gênero mencionado não se aplica, ou pode admitir-se
geralmente que não se aplique, a algum objeto que não difira especificamente
da coisa em questão; ou, pelo contrário, se o nosso argumento é construtivo,
veja-se se ele se aplica dessa maneira. Porquanto todas as coisas que não
diferem especificamente pertencem ao mesmo gênero. Se, por conseguinte, se
demonstra que este se aplica a uma delas, então é evidente que se aplica a
todas; e se não se aplica a uma, é claro que não se aplica a nenhuma: por
exemplo, se alguém que admitisse as "linhas indivisíveis" dissesse que
"indivisível" é o gênero delas. Porque o termo mencionado não é o gênero das
linhas divisíveis, e estas não diferem das indivisíveis quanto à espécie: com
efeito, as linhas retas nunca diferem umas das outras no que diz respeito à
espécie.

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Examine-se também se existe algum outro gênero da espécie dada que
nem abarque o gênero apresentado, nem, tampouco, se inclua nele. Suponha-
se, por exemplo, que alguém afirmasse que "conhecimento" é o gênero de
justiça. Porquanto a virtude é também o gênero desta, e nenhum destes
gêneros abarca o outro, de forma que o conhecimento não pode ser o gênero
da justiça, pois se admite geralmente que, sempre que uma espécie se inclui
em dois gêneros, um destes é abrangido pelo outro. Entretanto, um princípio
desta classe dá margem a que se suscite em certos casos uma dificuldade. Há,
por exemplo, quem afirme que a justiça tanto é uma virtude como um
conbecimento e que nenhum destes gêneros é abarcado pelo outro - embora,
por certo, nem todos admitam que a prudência seja conhecimento. Se, todavia,
alguém admitisse a verdade dessa asserção, haveria, por outro lado, o
consenso geral de que os gêneros do mesmo objeto devem necessariamente
ser subordinados um ao outro ou ambos a um terceiro, como em verdade
sucede com a virtude e o conhecimento. Com efeito, ambos se incluem no
mesmo gênero, sendo como é cada um deles um estado e uma disposição.
Deve-se verificar, portanto, se nenhuma dessas coisas é verdadeira do gênero
apresentado; porque, se nem os gêneros são subordinados um ao outro, nem
ambos a um mesmo gênero, o que foi proposto não pode ser o gênero
verdadeiro.

Examine-se, também, o gênero do gênero proposto, passando depois ao
gênero próximo mais alto, para ver se todos se predicam da espécie, e se
predicam na categoria de essência: pois todos os gêneros mais altos devem
predicar-se das espécies nessa categoria. Se, portanto, houver algures uma
discrepãncia, é evidente que o que se propôs não é o gênero verdadeiro. (Veja-
se também se o próprio gênero ou um dos gêneros mais altos participa da
espécie, pois o gênero superior não participa de nenhum dos que lhe são
inferiores.) Se, pois, estamos rebatendo uma opinião, deve-se seguir a regra
conforme foi dada; se, pelo contrário, se trata de estabelecer o nosso ponto de
vista, então - na hipótese de que se admita que o gênero proposto pertence à
espécie, porém não como gênero - basta demonstrar que um dos seus gêneros
superiores se predica da espécie na categoria de essência. Porque, se um deles
predica nessa categoria, todos os demais, tanto os superiores como os
inferiores a ele, se de algum modo se predicam da espécie, há de ser na
categoria de essência: e assim, o que se propôs como gênero também se
predica na categoria de essência. A premissa de que, quando um gênero se

predica na categoria de essência, todos os demais, se de algum modo se
predicarem, será nessa categoria, deve ser estabelecida por indução.

Supondo-se, por outro lado, que se conteste que aquilo que foi proposto
como gênero pertença em absojuto à espécie, não basta demonstrar que um
dos gêneros superiores se predica desta na categoria de essência: por exemplo,
se alguém propôs "locomoção" como gênero de "passeio", não basta
demonstrar que passear é um "movimento" para provar que é "locomoção",
visto existirem também outras formas de movimento; mas é preciso
demonstrar igualmente que o passear não participa de nenhuma das outras
espécies de movimento obtidas pela mesma divisão, exceto a locomoção.
Porque necessariamente o que participa do gênero também participa de uma
das espécies obtidas pela primeira divisão deste. Se, portanto, o passear não
participa do aumento, nem do decréscimo, nem das demais espécies de
movimento, é evidente que deve participar da locomoção, e a locomoção será