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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.157 materiais34.315 seguidores
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ou não
é?", ou: "é 'animal' o seu gênero ou não?", o resultado é um problema. E do
mesmo modo em todos os outros casos. Naturalmente, pois, os problemas e
proposições são iguais em número, pois de cada proposição poderemos fazer
um problema se mudarmos a estrutura da frase.

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Devemos dizer agora o que sejam "definição", "propriedade", "gênero" e
"acidente". Uma definição é uma frase que significa a essência de uma coisa.
Apresenta-se ou sob a forma de uma frase em lugar de um termo, ou de uma
frase em lugar de outra frase; pois às vezes também é possível definir o
significado de uma frase. Aqueles cuja explicação consiste apenas num termo,
por mais que façam, não conseguem dar a definição da coisa em apreço,
porque uma definição é sempre um certo tipo de frase. Pode-se, contudo,
aplicar o qualificativo "definitório" a uma observação como "o 'decoroso' é
'belo'", bem assim como à pergunta: "são a mesma coisa ou coisas distintas o
conhecimento e a sensação?", pois os debates a respeito de definições se
ocupam as mais das vezes com questões de identidade e diferença. Em suma,
podemos chamar "definitório" tudo aquilo que pertença ao mesmo ramo de
pesquisa que as definições; e que todos os exemplos mencionados acima
possuem esse caráter é evidente à primeira vista. Porque, se estamos em
condições de afirmar que duas coisas são idênticas ou diferentes, estamos
munidos, pela mesma forma de argumento, de linhas de ataque no que se
refere às suas definições: com efeito, quando houvermos mostrado que elas
não são idênticas, teremos demolido a definição. Note-se, porém, que o
contrário desta última afirmação não é válido, porquanto mostrar que as coisas
são idênticas não basta para estabelecer uma definição. Demonstrar, por outro
lado, que não são idênticas é suficiente para lançá-la por terra.

Uma "propriedade" é um predicado que não indica a essência de uma
coisa, e todavia pertence exclusivamente a ela e dela se predica de maneira
conversível. Assim, é uma propriedade do homem o ser capaz de aprender
gramática: porque, se A é um homem, é capaz de aprender gramática, e, se é
capaz de aprender gramática, é um homem. Com efeito, ninguém chama de
"propriedade" uma coisa que pode pertencer a algo diferente, por exemplo, o
"sono" no caso do homem, ainda que, em dado momento, só se possa predicar
dele. Quer dizer, se a alguma coisa desse tipo se chamasse atualmente
"propriedade", ela não receberia tal nome em sentido absoluto, mas como uma
propriedade "temporária" ou "relativa", pois "estar ao lado direito" é uma
propriedade temporária, enquanto "bípede" e, em suma, atribuído como
propriedade em certas relações: constitui, por exemplo, uma propriedade do
homem em relação a um cavalo ou a um cão. É evidente que nada que possa
pertencer a alguma outra coisa que não seja A é um predicado conversível de
A, pois do fato de alguma coisa estar adormecida não se segue
necessariamente que seja um homem.

Um "gênero" é aquilo que se predica, na categoria de essência, de várias
coisas que apresentam diferenças especificas. Devemos tratar como
predicados na categoria de essência todas aquelas coisas que seria apropriado
mencionar em resposta à pergunta: "que e o objeto que tens diante de ti?";
como por exemplo, no caso do homem, se nos fizessem tal pergunta, seria
apropriado dizer "e um animal". A pergunta: "uma coisa pertence ao mesmo
gênero que outra ou a um gênero diferente?" também é uma pergunta
"genérica", pois uma questão desse tipo também se inclui no mesmo ramo de
investigação que o gênero: com efeito, ao afirmar que "animal" é o gênero do
homem assim como do boi, teremos afirmado que eles pertencem ao mesmo
gênero; e se mostrarmos, ao contrário, que é o gênero de um, porém não do
outro, teremos afirmado que essas coisas não pertencem ao mesmo gênero.

Um "acidente" é (1) alguma coisa que, não sendo nada do que precede -
isto é, nem uma definição, nem uma propriedade, nem um gênero -' pertence,
no entanto, à coisa; (2) algo que pode pertencer ou não pertencer a alguma
coisa, sem que por isso a coisa deixe de ser ela mesma, como, por exemplo, a
"posição sentada" pode pertencer ou deixar de pertencer a uma coisa idêntica a
si mesma. E do mesmo modo a "brancura", pois nada impede que uma mesma
coisa seja branca em dado momento e em outro momento não o seja. Das
definições de acidente, a segunda é a melhor, pois todo aquele que adotar a
primeira deverá saber de antemão, a fim de compreendê-la, o que sejam
"definição", "gênero" e "propriedade", ao passo que a segunda é por si mesma
suficiente para nos instruir sobre o significado essencial do termo em questão.
À classe de "acidente" devem ser também referidas todas as comparações de
coisas entre si, quando expressas numa linguagem que, de um modo qualquer,
diga respeito ao que "sucede" ser verdadeiro delas, como, por exemplo, a
pergunta: "é preferível o honroso ou o vantajoso?", ou "é mais agradável a
vida virtuosa ou a vida dos prazeres?" e qualquer outro problema que seja
formulado em termos semelhantes. Pois em todos esses casos a questão é: "a
qual dos dois sucede que o predicado em apreço se aplique mais
estreitamente?" É evidente, desde logo, que nada impede que um acidente
venha a ser uma propriedade temporária ou relativa. Assim, a posição sentada
é um acidente, mas será uma propriedade temporária sempre que um homem
seja a única pessoa sentada; e, embora ele não seja o único que esteja sentado,
é ainda assim uma propriedade relativamente aos que não estão. Nada impede,
por conseguinte, que um acidente se torne uma propriedade tanto relativa
como temporária; porém jamais será uma propriedade no sentido absoluto.

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Não deve escapar à nossa atenção que todas as observações críticas que se
fizerem sobre uma "propriedade", "gênero" ou "acidente" serão também
aplicáveis às "definições". Pois, quando houvermos mostrado que o atributo
em apreço não pertence unicamente ao termo definido, e do mesmo modo se
se tratar de uma propriedade, ou que o gênero indicado na definição não é o
verdadeiro gênero, ou ainda que alguma das coisas mencionadas na frase não
lhe pertencem, como também observaríamos no caso de um acidente, teremos
demolido a definição; de modo que, para usar a expressão empregada
anteriormente, todos os pontos que enumeramos poderiam, em certo sentido,
ser chamados "definitórios". Mas nem por isso devemos esperar encontrar um
método único de investigação que se aplique a todos eles; pois não é coisa
fácil de encontrar, e, mesmo que o encontrássemos, seria algo extremamente
obscuro e de pouca utilidade para o tratado que temos diante de nós.
Devemos, pelo contrário, traçar um plano especial de investigação para cada
uma das classes que distinguimos, e então, firmados nas regras apropriadas a
cada caso, será provavelmente mais fácil dar conta da tarefa que nos
propusemos. E assim, como dissemos atrás, devemos esboçar uma divisão do
nosso assunto e relegar outras questões ao ramo particular que mais
naturalmente corresponda a cada uma delas, tratando-as como questões
"definitórias" ou "genéricas". As questões a que me refiro já foram
praticamente classificadas em seus diferentes ramos.

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Em primeiro lugar, devemos definir os diversos sentidos da palavra
"identidade". A identidade se poderia considerar de maneira geral, e falando
sumariamente, como incluída em três divisões. Em geral, aplicamos o termo
ou em sentido numérico, ou específico, ou genérico - numericamente, nos
casos em que há mais de um nome, mas uma coisa só, como "manto" e "capa";
especificamente, quando há mais de uma coisa, mas estas não apresentam
diferenças no tocante à sua espécie, como um homem e outro homem, ou um
cavalo e outro cavalo, pois coisas assim pertencem à mesma classe, e delas se
diz que são "especificamente idênticas". E,