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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.447 seguidores
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modo que nenhum dos termos propostos
poderia ser o gênero: pois o gênero deve ser verdadeiro de todas as suas
espécies. E da mesma forma, tampouco o vinho é "água fermentada”, segundo
a definição de Empêdocles, que o deu como "água fermentada na madeira";
pois o vinho simplesmente não é água de maneira alguma.

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Veja-se, além disso, se o termo proposto não é o gênero de coisa nenhuma;
pois, nesse caso, é evidente que tampouco é o gênero da espécie mencionada.
Examine-se este ponto vendo se os objetos que participam do gênero não
diferem especificamente uns dos outros, como, por exemplo, os objetos
brancos: pois entre estes não há nenhuma distinção específica, como sempre
sucede com as espécies de um gênero, de modo que "branco" não pode ser o
gênero de nada.

Veja-se, também, se foi indicado como gênero ou diferença algum aspecto
que acompanhe todas as coisas, pois o número de atributos que se aplicam a
todas as coisas é relativamente grande: entre eles se contam, por exemplo, o
“ser” e a ''unidade''. Se, pois, nosso adversário propôs "ser" como gênero,
evidentemente seria o gênero de todas as coisas, uma vez que de tudo se
predica: pois o gênero nunca se predica de coisa alguma que não seja sua
espécie. Por conseguinte a unidade, entre outras coisas, seria uma espécie de
ser.

Daí resultaria, pois, que de todas as coisas das quais se predica o gênero
também se predica a espécie, já que "ser" e "unidade" são predicados de
absolutamente tudo, ao passo que a predicação da espécie deveria ter um
alcance mais reduzido. Se, por outro lado, nosso adversário indicou como
diferença algum atributo que se aplica a todas as coisas, evidentemente o
campo de predicação da diferença será igual ao do gênero, ou mais amplo do
que ele. Porque se o gênero também é um atributo que acompanha todas as
coisas, o campo de predicação da diferença será igual ao seu, ou ainda mais
amplo se o gênero não se aplica a todas as coisas.

Veja-se, além disso, se a descrição "inerente a S" é aplicada ao gênero
proposto em relação à sua espécie, como se diz do "branco" em relação à
neve, mostrando assim claramente que esse não pode ser o gênero: porque
"verdadeiro de S" é a única fórmula que se aplica ao gênero em relação às suas
espécies. Examine-se também se por acaso o gênero não é sinônimo de suas
espécies. Pois o gênero sempre se predica sinonimamente das suas espécies.

É também preciso observar, sempre que tanto a espécie como o gênero
tenham um contrário, se nosso contendor coloca o melhor dos contrários
dentro do pior gênero: pois o resultado seria que a espécie restante se
encontraria no gênero restante, já que os contrários se encontram nos gêneros
contrários, de modo que o gênero pior conteria a melhor espécie e o melhor

conteria a pior: enquanto a opinião comum é que à espécie melhor
corresponde o melhor gênero. Veja-se também se ele colocou a espécie dentro
do gênero pior e não do melhor, quando ela se relaciona da mesma maneira
com ambos ao mesmo tempo, como, por exemplo, se ele definiu a "alma"
como uma "forma de movimento" ou "uma forma de coisa que se move". Pois
se acredita geralmente que a própria alma é um princípio tanto de repouso
como de movimento, de modo que, se o repouso é o melhor dos dois, esse é o
gênero em que deveria ter sido colocada a alma.

Deve-se julgar também por meio dos graus maiores e menores: ao refutar
um ponto de vista, examine-se se o gênero admite um grau maior, ao passo
que nem a própria espécie o admite, nem qualquer termo que se denomine de
acordo com ela: por exemplo, se a virtude admite um grau maior, também o
admitem a justiça e o homem justo: pois se diz que um homem é “mais justo
do que outro". Se, por conseguinte, o gênero proposto admite um grau maior,
ao passo que nem a própria espécie nem qualquer termo denominado de
acordo com ela o admitem, o que se havia proposto como gênero não pode ser
tal.

Por outro lado, se o que mais geralmente ou por igualdade de vozes se
supõe seja o gênero não é tal, tampouco o é o gênero proposto. O tópico ou
lugar em questão é útil especialmente nos casos em que a espécie parece ter
vários predicados na categoria de essência e não se fez nenhuma distinção
entre eles, de modo que não podemos dizer qual deles é o gênero; por
exemplo, tanto "dor" como a "concepção de um menosprezo" se consideram
geralmente como predicando-se de "cólera" na categoria de essência, pois o
homem irado ao mesmo tempo experimenta dor e se julga menosprezado. A
mesma forma de investigação pode tamhém aplicar-se ao caso da espécie,
comparando-a com algumas outras espécies, pois, se aquela que mais
geralmente ou em geral se acredita que se encontre no gênero proposto não se
encontrar nele, é evidente que tampouco a espécie proposta pode encontrar-se
ali.

Ao refutar uma opinião, portanto, deve-se seguir a regra conforme foi
exposta. Ao defender ou justificar, por outro lado, de nada valerá a regra ou
lugar que manda verificar se tanto o gênero proposto como a espécie admitem
um grau maior: pois, mesmo que ambos o admitam, ainda é possível que um
não seja o gênero do outro. Por exemplo, tanto "belo" como "branco" admitem
um grau maior, e nenhum deles é o gênero do outro. Por outro lado, a
comparação dos gêneros e das espécies entre si tem sua utilidade: supondo-se,
por exemplo, que A e B tenham igual direito ao título de gênero, então, se um

deles é um gênero, o outro também o é. E do mesmo modo, se é um gênero o
que tem menos razões para sê-lo, também o é o que mais razões tem para isso;
por exemplo, se "capacidade" tem mais razões do que "virtude" para ser o
gênero do domínio próprio e "virtude" é o gênero deste, também o é
"capacidade". As mesmas observações valem também para o caso das
espécies. Supondo-se, por exemplo, que A e B têm iguais razões para ser uma
espécie do gênero em questão e se um deles é uma espécie, também o é o
outro; e se é uma espécie aquilo que menos geralmente se pensa que o seja,
também o será aquilo que mais geralmente se considera tal.

Além disso, para estabelecer um ponto de vista, deve-se examinar se o
gênero se predica na categoria de essência daquelas coisas de que foi proposto
como gênero, supondo-se que se tenham apresentado não uma única espécie,
mas diversas, pois então evidentemente será o gênero. Se, por outro lado, se
apresentar uma só espécie, deve-se ver se o gênero se predica também de
outras especies na categoria de essência; pois daí resultará também que ele se
predica de diferentes espécies.

Como algumas pessoas pensam que a diferença tambem é um predicado
das várias espécies na categoria de essência, deve-se distinguir o gênero da
diferença recorrendo aos princípios elementares anteriormente mencionados:
(a) que o gênero tem um campo de predicação mais amplo do que a diferença;
(b) que ao apresentar a essência de uma coisa é mais adequado indicar o
gênero do que a diferença; pois quem diz que o "homem" é um “animal"
manifesta melhor o que é o homem do que aquele que o descreve como "uma
coisa que caminha"; e também (c) que a diferença sempre significa uma
qualidade do gênero, enquanto o contrário não é verdade: pois quem diz "algo
que caminha" descreve um animal que possui uma determinada qualidade,
enquanto o que diz "animal" não descreve uma coisa que caminha dotada de
certa qualidade.

É desta maneira, pois, que a diferença deve ser distinguida do gênero. Ora,
visto ser opinião geral que se o que é músico possui, enquanto músico, uma
certa forma de conhecimento, então a "música" é uma espécie particular de
"conhecimento"; e também que o que caminha se move ao caminhar, então o
"caminhar" é uma espécie particular de "movimento"; deve-se examinar desta
mesma maneira todo gênero em que se deseje estabelecer a existência de
alguma coisa; por exemplo, se desejamos