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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.477 seguidores
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propósito de refutar veja-se, também, se ele expressou a propriedade
sem haver colocado o sujeito dentro de sua essência. Porquanto nas
propriedades, assim como nas definições, o primeiro termo a ser expresso
deve ser o gênero e o resto acrescentado imediatamente a este, distinguindo o
seu sujeito das demais coisas. Portanto, a propriedade que não é expressa desta
maneira não pode ter sido corretamente formulada. Assim, por exemplo, o
homem que diz ser propriedade de uma criatura vivente o "possuir uma alma"
não colocou "criatura vivente" dentro da sua essência, e por isso a propriedade
de uma criatura vivente não pode ter sido corretamente formulada. Para fins
construtivos, por outro lado, deve-se primeiro colocar dentro da sua essência o
sujeito cuja propriedade está sendo apresentada, e acrescentar então o resto:
desse modo, a propriedade terá sido corretamente formulada. Quem afirmar,
por exemplo, que é propriedade do homem o "ser um animal capaz de receber
conhecimento" terá expresso a propriedade depois de colocar o sujeito dentro
da sua essência, e assim a propriedade de "homem" terá sido corretamente
formulada a esse respeito.

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A investigação sobre se a propriedade foi ou não corretamente formulada
deve, pois, ser conduzida pelos meios que apontamos. Por outro lado, a
questão sobre se aquilo que se afirma é uma propriedade ou não o é em
absoluto deve ser examinada de acordo com os pontos de vista que vamos
expor agora. Os tópicos que estabelecem de maneira absoluta que a
propriedade foi corretamente formulada serão os mesmos que fazem dela uma
autêntica propriedade. Portanto, adotaremos para estes últimos o mesmo
método de exposição.

Em primeiro lugar, pois, para fins de refutação, veja-se cada sujeito de que
o contendor afirmou a propriedade, observando, por exemplo, se ela não
pertence em absoluto a nenhum deles, ou se não é verdadeira deles sob esse
aspecto particular, ou se não é uma propriedade de cada um deles com respeito
ao caráter do qual se expressou a propriedade; pois, em qualquer desses casos,
o que se afirmou como propriedade não será tal. Assim, por exemplo, como
não é verdadeiro dizer que um geômetra "não pode ser enganado por um
argumento" (pois um geômetra pode enganar-se quando a sua figura foi mal
traçada), não pode ser uma propriedade do homem de ciência o não se deixar
enganar por um argumento. Para fins construtivos, por outro lado, veja-se se a
propriedade proposta é verdadeira em todos os casos, e verdadeira sob esse
aspecto particular; pois então o que se negou fosse uma propriedade será uma
propriedade. Assim, por exemplo, como a descrição "um animal capaz de
receber conhecimento" é verdadeira de todo homem, e verdadeira dele
enquanto homem, será uma propriedade do homem o ser "um animal capaz de
receber conhecimento" (Este tópico significa: para fins de refutação, deve-se
ver se a descrição não é verdadeira daquilo de que é verdadeiro o nome, ou se
o nome não é verdadeiro daquilo de que é verdadeira a descrição; para fins
construtivos, ao contrário, deve-se cuidar que a descrição também se predique
daquilo de que se predica o nome, e que o nome também se predique daquilo
de que se predica a descrição.

Também é preciso ver, a fim de refutar alguma coisa, se a descrição não se
aplica àquilo a que se aplica o nome e se o nome não se aplica àquilo a que se
aplica a descrição, pois, nesse caso, o que se apresentou como propriedade não
será uma propriedade. Assim, por exemplo, como a descrição “um ser vivente
que participa do conhecimento" é verdadeira de Deus, enquanto "homem" não
se predica de Deus, o ser "um ser vivente que participa do conhecimento" não
pode ser um predicado do homem. Por outro lado, quando se pretende
estabelecer um ponto de vista, é preciso cuidar que o nome também se

predique daquilo de que se predica a descrição, e que a descrição se predique
daquilo de que se predica o nome. Pois então o que se afirma não ser uma
propriedade será uma propriedade. Por exemplo, o predicado "criatura viva"
se aplica com verdade àquilo de que é verdadeiro o "possuir uma alma", e o
"possuir uma alma" é verdadeiro daquilo a que se aplica com verdade o
predicado "criatura viva"; logo, "possuir urna alma" será uma propriedade de
"criatura viva".

A seguir, para fins de refutação, veja-se se o adversário apresentou um
sujeito como propriedade daquilo que é descrito como estando "no sujeito";
pois, nesse caso, o que ele afirmou ser uma propriedade não será uma
propriedade. Assim, por exemplo, como quem propõe "fogo" como
propriedade do "corpo que tem as partículas mais rarefeitas" apresenta o
sujeito como uma propriedade do seu próprio predicado, "fogo" não pode ser
uma propriedade do "corpo que possui as partículas mais rarefeitas". A razão
pela qual o sujeito não pode ser uma propriedade daquilo que nele se encontra
e que, se assim fosse, a mesma coisa seria propriedade de várias coisas
especificamente distintas. Porquanto a mesma coisa possui um número
considerável de predicados especificamente distintos que pertencem
exclusivamente a ela, e se apresentarmos a propriedade dessa forma, o sujeito
se predicará de todos eles. Para fins construtivos, deve-se ver se o que é
apresentado como propriedade do sujeito se encontra neste: pois então o que o
adversário afirmou não ser uma propriedade será uma propriedade, se se
predicar somente das coisas de que se afirma ser uma propriedade. Assim, por
exemplo, quem afirma ser uma propriedade da "terra” o ser "especificamente
o corpo mais pesado" apresenta como propriedade do sujeito alguma coisa que
se diz pertencer exclusivamente ao sujeito em questão e dele se predica da
maneira pela qual é predicada uma propriedade; de modo que a propriedade da
terra terá sido corretamente enunciada.

E igualmente, para fins de refutação, veja-se se ele apresentou a
propriedade como alguma coisa de que participa o sujeito; pois nesse caso o
que foi apresentado como propriedade não será uma propriedade. Com efeito,
um atributo de que o sujeito participa é parte constituinte da sua essência; e
um atributo desse tipo seria uma diferença pertinente a alguma espécie
determinada. Por exemplo, como quem diz que "caminhar com dois pés" é
uma propriedade do homem apresenta a propriedade como alguma coisa de
que participa o sujeito, "caminhar com dois pés" não pode ser uma
propriedade de "homem". Para fins construtivos, por outro lado, evite-se
apresentar a propriedade como alguma coisa de que o sujeito participa, ou que
expresse a sua essência, embora o sujeito seja conversível com ela: pois então

o que o adversário afirmou não ser uma propriedade será uma propriedade.
Assim, por exemplo, quem diz que ser "naturalmente senciente" é uma
propriedade de "animal" não apresenta a propriedade nem como alguma coisa
de que o sujeito participa, nem como algo que expressa a sua essência, embora
o sujeito se predique conversivelmente com ela; e, por conseguinte, ser
"naturalmente senciente" será uma propriedade de animal.

E também, para fins de refutação, veja-se se a propriedade não pode
pertencer simultaneamente, mas deve pertencer ou como posterior, ou como
anterior ao atributo descrito pelo nome; pois nesse caso o que se afirmou ser
uma propriedade não o será - ou nunca, ou nem sempre. Assim, por exemplo,
como é possível que o atributo "estar atravessando a praça do mercado"
pertença a um objeto como anterior ou posterior ao atributo "homem", "estar
atravessando a praça do mercado" não pode ser uma propriedade de "homem"
- ou nunca, ou nem sempre. Para fins construtivos, por outro lado, é preciso
ver se o predicado pertence sempre e por necessidade simultaneamente ao
sujeito, sem ser nem uma definição, nem uma diferença: pois então o que o
outro afirmou não ser uma propriedade será uma propriedade. Assim,