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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.487 seguidores
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exemplo, o atributo "animal capaz de receber conhecimento" sempre e por
necessidade pertence simultaneamente com o atributo "homem" ao sujeito,
sem ser nem uma diferença, nem uma definição de seu sujeito; e, por
conseguinte, "animal capaz de receber conhecimento" será uma propriedade
de "homem".

A fim de refutar um ponto de vista, veja-se também se a mesma coisa
deixa de ser uma propriedade de coisas que são idênticas ao sujeito, na medida
em que são idênticas: pois nesse caso o que se afirmou ser uma propriedade
não será uma propriedade. Assim, por exemplo, como não é propriedade de
um "objeto adequado de busca" o "parecer bom a certas pessoas", tampouco
poderá ser esta uma propriedade do "desejável", pois "objeto adequado de
busca" e "desejável" significam a mesma coisa. Para fins construtivos, por
outro lado, veja-se se a mesma coisa é propriedade de algo mais que seja
idêntico ao sujeito, na medida em que é idêntico. Pois, nesse caso, o que se
afirmou não ser uma propriedade será uma propriedade. Assim, por exemplo,
como se diz que é propriedade de um homem, na medida em que é um
homem, o "possuir uma alma tripartida", também será propriedade de um
mortal, na medida em que é um mortal, o "possuir uma alma tripartida". Este
tópico é também útil ao tratar-se do acidente, uma vez que os mesmos
atributos devem ou pertencer ou não pertencer às mesmas coisas na medida
em que são as mesmas.

Igualmente, para fins de refutação, veja-se se a propriedade de coisas que
são idênticas em espécie ao sujeito nem sempre é idêntica em espécie à
propriedade alegada; porque, nesse caso, tampouco o será a que se afirma ser
propriedade do sujeito em apreço. Assim, por exemplo, na medida em que um
homem e um cavalo são idênticos em espécie, e nem sempre é propriedade de
um cavalo levantar-se por sua própria iniciativa, não poderia ser propriedade
de um homem o mover-se por sua própria iniciativa, porquanto levantar-se e
mover-se por sua própria iniciativa são idênticos em espécie pelo fato de
pertencerem a cada um deles na medida em que ambos são "animais". Para
fins construtivos, por outro lado, é preciso ver se, das coisas que são idênticas
em espécie ao sujeito, a propriedade que é idêntica à propriedade alegada é
sempre verdadeira: pois nesse caso o que se afirma não ser uma propriedade
será uma propriedade. Assim, por exemplo, visto que ser "um bípede que
caminha" é uma propriedade do homem, também será propriedade da ave o
ser "um bípede voador": pois cada um destes é idêntico em espécie, na medida
em que um par tem a identidade de espécies que se incluem no mesmo gênero,
pertencendo ambas ao gênero "animal", enquanto o outro par tem a identidade
de diferença do mesmo gênero, a saber: "animal". Este tópico é enganoso
sempre que uma das propriedades mencionadas pertence a uma espécie
exclusivamente enquanto a outra pertence a muitas, como "quadrúpede que
caminha".

Como "o mesmo” e "diferente" são termos que se usam em diversos
sentidos, é coisa trabalhosa enunciar a um perguntador sofístico uma
propriedade que pertence exclusivamente a uma dada coisa. Porque o atributo
que pertence a alguma coisa qualificada por um acidente também pertencerá
ao acidente tomado em conjunto com o sujeito ao qual qualifica: por exemplo,
um atributo que pertence a "homem" pertencerá também a "homem branco",
se tal houver, e o que pertence a "homem branco" também pertencerá a
"homem". Poder-se-ia, pois, fazer críticas capciosas à maioria das
propriedades, apresentando o sujeito como sendo uma coisa em si mesmo e
outra coisa quando acompanhado de seu acidente, dizendo, por exemplo, que
"homem" é uma coisa e "homem branco" é outra, e representando, além disso,
como diferentes um certo estado e o que se denomina de acordo com esse
estado. Pois um atributo pertence de igual maneira ao estado e ao que recebe
seu nome desse estado, e o que pertence ao que recebe seu nome de um estado
pertencerá também ao próprio estado: por exemplo, como a condição do
cientista é denominada de acordo com a sua ciência, não poderia ser uma
propriedade da "ciência" o ser "incontrovertível por meio de um argumento”,
pois se assim fosse o cientista também seria incontrovertível por meio de um

argumento. Para fins construtivos, no entanto, deve-se dizer que o sujeito de
um acidente não difere absolutamente do acidente tomado em combinação
com o seu sujeito, embora se chame a isso “outra" coisa porque o modo de ser
dos dois é diferente: pois não é a mesma coisa um homem ser um homem e
um homem branco ser um homem branco. Além disso, devem-se observar
também todas as inflexões e formas derivadas, e fazer ver que a descrição do
homem de ciência está errada: não se deveria dizer que "isso", mas sim que
“ele" é incontrovertível por um argumento; e que a descrição de ciência
também está errada, pois não se deveria dizer que "isso", mas sim que "ela" é
incontrovertível por um argumento. Com efeito, contra um objetante que não
recua diante de nada a defesa tampouco deve recuar diante de nada.

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A seguir, para fins de refutação, deve-se verificar se, tencionando enunciar
um atributo que pertence naturalmente ao seu sujeito, o contendor o expressa,
na sua linguagem, de maneira a indicar um atributo que pertence àquele
invariavelmente: pois, nesse caso, se admitirá geralmente que o que se
apresentou como uma propriedade foi invalidado. Assim, por exemplo, quem
diz que "bípede" é uma propriedade do homem tenciona expressar o atributo
que lhe pertence naturalmente, mas em realidade a sua expressão indica um
atributo que invariavelmente pertence ao sujeito: desse ponto de vista,
"bípede" poderia não ser uma propriedade do homem, pois nem todo homem
possui dois pés Para fins construtivos, por outro lado, se o que se pretende
enunciar é uma propriedade que pertence naturalmente ao sujeito, deve-se
indicar isso ao exprimi-la, pois então a propriedade não será invalidada a esse
respeito. Assim, por exemplo, quem enuncia como propriedade de "homem" a
expressão "um animal capaz de receber conhecimento" tanto tenciona indicar
como indica, pela sua linguagem a propriedade que pertence por natureza ao
sujeito, e assim "um animal capaz de receber conhecimento" não será
invalidado nem se demonstrará que não é, a esse respeito, uma propriedade do
homem.

Além disso, no tocante a todas as coisas que se denominam primeiramente
de acordo com uma outra ou primeiramente em si mesmas, é difícil enunciar a
propriedade de tais coisas. Porque, se enunciamos uma propriedade que
pertence ao sujeito que se denomina de acordo com alguma outra coisa, ela
será igualmente verdadeira do seu sujeito primeiro, ao passo que, se a
enunciamos com referência ao sujeito primeiro, ela se predicará também da
coisa que se denomina de acordo com este. Assim, por exemplo, se
apresentamos "colorido" como uma propriedade de "superfície", "colorido"
também será verdadeiro do corpo; e, se a afirmamos do "corpo", ela se
predicará também de "superfície". Portanto, o nome não se predicará também
com verdade daquilo de que se predica com verdade a descrição.

Com respeito a algumas propriedades, geralmente acontece incorrer-se em
algum erro por não se ter definido de que maneira e a que coisas se afirma que
a propriedade pertence. Pois todos procuram enunciar como pro-priedade de
uma coisa algo que lhe pertence naturalmente, como "bípede" pertence a
"homem", ou atualmente, como "ter quatro dedos" pertence a um homem
particular, ou especificamente, como "formado das partículas mais rarefeitas"
pertence a "fogo", ou de maneira absoluta, como "vida" a "ser vivente", ou
uma propriedade que pertence a alguma coisa unicamente na medida em que

ela é denominada de acordo com outra coisa, como "sabedoria" a "alma", ou,
pelo contrário, primeiramente, como "sabedoria" à "faculdade