topicos
204 pág.

topicos

Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.158 materiais34.419 seguidores
Pré-visualização50 páginas
racional", ou
porque a coisa se encontra num determinado estado, como "incontrovertível
por argumento” pertence a “cientista” (pois simples e unicamente pelo motivo
de se encontrar em determinado estado será ele "incontrovertível por
argumento"), ou por ser esse o estado possuído por alguma coisa, corno
"incontrovertível por argumento" pertence a "ciência", ou porque o sujeito
participa dela, como "sensação" pertence a "animal” (porque outras coisas
também possuem sensação, como por exemplo o homem, mas isso porque já
participam de "animal"), ou porque ela participa de alguma outra coisa, como
"vida" pertence a uma espécie particular de "ser vivente". Por conseguinte,
comete um erro quem deixa de acrescentar a palavra "naturalmente", pois
aquilo que pertence naturalmente pode deixar de pertencer à coisa a que
pertence por natureza, como, por exemplo, é propriedade natural do homem o
possuir dois pés; e, inversamente, erra aquele que não faz uma advertência
prévia de que está enunciando um atributo atual, pois um dia esse atributo
poderá não ser o que é agora: damos como exemplo a posse de quatro dedos
por um homem. E erram, do mesmo modo, os que não previnem de que estão
afirmando que uma coisa é tal e tal primeiramente, ou de que a chamam assim
de acordo com outra coisa, pois nesse caso tampouco o nome será verdadeiro
daquilo de que se predica com verdade a descrição, como sucede com
"colorido" quando se enuncia como uma propriedade de "superfície" ou de
"corpo". Erra, além disso, quem não anuncia previamente ter atribuído uma
propriedade a uma coisa, ou porque esta possui um estado, ou porque é um
estado possuído por outra coisa: pois nesse caso não será uma propriedade.
Com efeito, supondo-se que ele atribua a propriedade a uma coisa como sendo
um estado possuído, ela pertencerá ao que possui esse estado; e, supondo-se
que a atribua ao que possui esse estado, ela pertencerá ao estado possuído,
como sucede com "incontrovertível por argumento" quando enunciado como
uma propriedade da "ciência" ou do "cientista". E também erra quem não
indicou previamente que a propriedade pertence ao sujeito porque a coisa
participa de algo ou algo participa dela, pois nesse caso a propriedade também
pertencerá a outras coisas determinadas. Com efeito, se ele a atribui porque
algo participa do seu sujeito, ela pertencerá às coisas que participam deste; ao
passo que, se a atribui porque o seu sujeito participa de alguma outra coisa, ela
pertencerá às coisas de que este participa, como, por exemplo se dissesse que
“vida” é uma propriedade de “uma classe particular de ser vivo”. E erra, do
mesmo, quem não distinguiu expressamente a propriedade que pertence de
maneira específica, porque então a propriedade pertencerá apenas a uma das
coisas incluídas sob o termo a que ele a atribuiu: pois superlativo pertence a

uma só, por exemplo "o mais leve" quando aplicado a "fogo". Ocorre também,
às vezes, que um homem cometa um erro mesmo quando expressa a condição
"especificamente". Porque as coisas em questão devem pertencer todas a uma
espécie sempre que se acrescenta a palavra "especificamente"; e em alguns
casos isso não acontece, como, aliás, é o caso do "fogo". Com efeito, fogo não
é sempre da mesma espécie: as brasas, a chama e a luz, por exemplo, são todas
"fogo", mas de diferentes espécies. A razão pela qual, sempre que se
acrescenta "especificamente”, não deve haver nenhuma outra espécie além da
mencionada, é que, no caso de havê-la, a propriedade em apreço pertencerá a
algumas delas em grau maior e a outras em grau menor, como sucede com o
"ser formado das partículas mais rarefeitas" no caso do fogo, dado que a luz é
formada de partículas mais rarefeitas do que as brasas ou a chama. E isso não
deve acontecer, a menos que o nome também se predique em grau maior
daquilo de que é mais verdadeira a descrição; de outra forma, não se terá
observado a regra de que onde a descrição é mais verdadeira também o nome
deve ser mais verdadeiro. Além disso, o mesmo atributo será propriedade
tanto do termo que o possui de maneira absoluta como do elemento desse
termo que a possui em mais alto grau, como ocorre com a propriedade de
"consistir nas partículas mais rarefeitas" no caso do "fogo": pois esse mesmo
atributo será também propriedade da luz, uma vez que é a luz que "consiste
nas partículas mais rarefeitas". Se, pois, alguém enunciar uma propriedade
dessa maneira, devemos contesta-la; e, quanto a nós, não devemos dar ensejo
a tal objeção, mas definir de que modo afirmamos a propriedade no próprio
ato de afirmá-la.

A seguir, para fins de refutação, deve-se verificar se ele apresentou alguma
coisa como propriedade de si mesma: pois, nesse caso, o que foi enunciado
como propriedade não será uma propriedade. Com efeito, uma coisa sempre
manifesta por si mesma a sua essência, e o que manifesta a essência não é uma
propriedade, mas uma definição. Assim, por exemplo, quem diz que
"formoso" é uma propriedade de "belo" enuncia o termo como uma
propriedade de si mesmo (já que a mesma coisa são "belo" e "formoso"), de
modo que "formoso" não pode ser uma propriedade de "belo". Para fins
construtivos, ao contrário, deve-se evitar o enunciado de uma coisa como
propriedade de si mesma, mas sempre afirmando um predicado conversível:
pois então o que se negou fosse uma propriedade será uma propriedade. Por
exemplo, quem enuncia "substância animada" como propriedade de "criatura
viva" não enunciou "criatura viva" como propriedade de si mesma, mas
apresentou um predicado conversível, de modo que "substância animada" será
uma propriedade de "criatura viva”.

A seguir, tratando-se de coisas constituídas de partes semelhantes, deve-se
verificar, para fins de refutação, se a propriedade do todo não é verdadeira da
parte ou se a da parte não se predica do todo: pois então o que se enunciou
como propriedade não será propriedade. Em alguns casos assim acontece, pois
ao enunciar uma propriedade de coisas constituídas de partes semelhantes um
homem tem em vista, por vezes, o todo, ao passo que outras vezes pode
referir-se ao que se predica da parte; e em nenhum desses casos se expressou
corretamente a propriedade. Tomemos um exemplo referente ao todo: quem
afirma que é uma propriedade do "mar" o ser "o maior volume de água
salgada" enuncia a propriedade de alguma coisa que é formada de partes
semelhantes, mas expressa um atributo de tal tipo que não pode ser verdadeiro
da parte (pois um mar particular não é "o maior volume de água salgada"); e
assim, "o maior volume de água salgada" não pode ser uma propriedade do
"mar". Tomemos agora um exemplo referente à parte: quem diz que é uma
propriedade do "ar" o ser "respirável" enuncia a propriedade de algo que é
constituído de partes semelhantes, mas afirma um atributo tal que, embora se
predique com verdade de algum ar, não é predicável do todo (pois a totalidade
do ar não é respirável), de modo que "respirável" não pode ser uma
propriedade de "ar". Para fins construtivos, deve-se verificar se, ao mesmo
tempo que o atributo é predicável de cada uma das coisas constituídas de
partes semelhantes, é também uma propriedade das mesmas tomadas como
um todo coletivo; pois nesse caso o que se afirmou que não era uma
propriedade será uma propriedade. Assim, por exemplo, ao mesmo tempo que
é verdadeiro da terra em toda parte que ela naturalmente cai para baixo,
também é uma propriedade das várias partes particulares da terra tomadas
como "a Terra", de forma que será uma propriedade da terra o "cair
naturalmente para baixo".

6

A seguir, examinando a propriedade do ponto de vista dos opostos, e, em
primeiro lugar (a), dos contrários, verifique-se, para fins de refutação, se o
contrário do termo enunciado não é uma propriedade do sujeito contrário.
Pois, nesse caso, tampouco o contrário