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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.446 seguidores
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do primeiro será uma propriedade do
contrário do segundo. Assim, por exemplo, como a injustiça é o contrário da
justiça, e o mais objeto mal do mais alto bem, mas "ser o mais alto bem” não é
uma propriedade da "justiça", tampouco "ser o mais objeto mal" pode ser uma
propriedade da "injustiça". Para fins construtivos, por outro lado, deve-se ver
se o contrário é a propriedade do contrário: pois então o contrário do primeiro
será uma propriedade do contrário do segundo. Assim, por exemplo, dado que
o mal é o contrário do bem e o reprovável do desejável, e "desejável" é uma
propriedade do "bem", "reprovável" será uma propriedade do "mal".

Em segundo lugar (b), considerando a propriedade do ponto de vista dos
opostos relativos, verifique-se, para fins de refutação, se o correlativo do
termo proposto não é uma propriedade do correlativo do sujeito; pois, nesse
caso, tampouco o correlativo do primeiro será uma propriedade do correlativo
do segundo. Assim, por exemplo, como "dobro" é relativo a "metade" e
"excedente" a "excedido", ao passo que “excedente" não é uma propriedade de
"dobro", tampouco “excedido" será uma propriedade de "metade". Para fins
construtivos, por outro lado, veja-se se o correlativo da propriedade alegada é
uma propriedade do correlativo do sujeito: pois nesse caso o correlativo do
primeiro será uma propriedade do correlativo do segundo: por exemplo, como
"dobro" é relativo a "metade" e a proporção 1:2 é relativa à proporção 2:1, ao
passo que é uma propriedade do “dobro” o estar “na proporção de 2 para 1”,
será uma propriedade de “metade” o estar “na proporção de 1 para 2”.

Em terceiro lugar (c), para fins de refutação, veja-se se um atributo
descrito em termos de um estado (x) não é uma propriedade do estado
proposto (Y): pois, nesse caso, tampouco o atributo descrito em termos da
privação de X será uma propriedade da privação de Y. E também se, por outro
lado, um atributo descrito em termos da privação de X não é uma propriedade
da privação dada de Y, tampouco o atributo descrito em termos do estado X
será uma propriedade do estado Y. Assim, por exemplo, como não se predica
como uma propriedade da "surdez" o ser uma "ausência de sensação",
tampouco poderá ser uma propriedade da “audição” o ser uma "sensação".
Para fins construtivos, por outro lado, veja-se se um atributo descrito em
termos de um estado (X) é uma propriedade do estado proposto (Y); pois,
nesse caso, também o atributo descrito em termos da privação de X será uma

propriedade da privação de Y. E, igualmente, se um atributo descrito em
termos da privação de X é uma propriedade da privação de Y, também o
atributo descrito em termos do estado X será uma propriedade do estado Y.
Assim, por exemplo, como "ver" é uma propriedade da "visão", na medida em
que possuímos visão, o "não ver" seria uma propriedade da “cegueira" na
medida em que não possuíssemos a visão que devíamos naturalmente possuir.

A seguir, considere-se a propriedade do ponto de vista dos termos
positivos e negativos, e primeiro (a) do ponto de vista dos predicados tomados
em si mesmos. Este tópico é também útil para fins de refutação. Assim, por
exemplo, veja-se se o termo positivo ou o atributo descrito em termos dele é
uma propriedade do sujeito: pois, nesse caso, o termo negativo, ou o atributo
descrito em termos do mesmo, não será uma propriedade do sujeito. E também
se, por outro lado, o termo negativo ou o atributo descrito em termos dele é
uma propriedade do sujeito, então o termo positivo ou o atributo descrito em
termos do mesmo não será uma propriedade do sujeito: por exemplo, como
''animado'' é uma propriedade de "criatura viva", "inanimado" não pode ser
uma propriedade do mesmo sujeito.

Em segundo lugar (b), considere-se a propriedade do ponto de vista dos
predicados, positivos ou negativos, e de seus respectivos sujeitos; e veja-se,
para fins de refutação, se o termo positivo não é uma propriedade do sujeito
positivo: pois, nesse caso, tampouco o termo negativo será uma propriedade
do sujeito negativo. E, por outro lado, se o termo negativo não é uma
propriedade do sujeito negativo, tampouco será o termo positivo uma
propriedade do sujeito positivo. Assim, por exemplo, como "animal" não é
uma propriedade de "homem", tampouco "não-animal" poderá ser uma
propriedade de "não-homem". E inversamente, se "não-animal" parece não ser
uma propriedade de "não-homem”, tampouco "animal" será uma propriedade
de "homem". Para fins construtivos, por outro lado, deve-se verificar se o
termo positivo é uma propriedade do sujeito positivo; porque então o termo
negativo será também uma propriedade do sujeito negativo. E inversamente,
se o termo negativo é uma propriedade do sujeito negativo, o positivo será
também uma propriedade do sujeito positivo. Assim, por exemplo, como "não
viver" é uma propriedade do "ser não-vivente", "viver" será uma propriedade
do ''ser vivente”; e inversamente, se "viver" parece ser uma propriedade de
"ser vivente", "não viver" também parecerá ser uma propriedade de "ser
não~vivente".

Em terceiro lugar (c), examine-se a predicação sob o ponto de vista dos
sujeitos tomados em si mesmos e veja-se, para fins de refutação, se a

propriedade proposta é uma propriedade do sujeito positivo: porque então o
mesmo termo não será também uma propriedade do sujeito negativo. E, por
outro lado, se o termo proposto for uma propriedade do sujeito negativo, não
será uma propriedade do positivo. Assim, por exemplo, como "animado" é
uma propriedade de "criatura vivente", o mesmo atributo não pode ser uma
propriedade de "criatura não-vivente". Para fins construtivos, ao contrário, se
o termo expresso não é uma propriedade do sujeito afirmativo, será uma
propriedade do negativo. Este tópico é, contudo, enganoso, pois um termo
positivo não é uma propriedade de um termo negativo, nem um negativo de
um positivo. Com efeito, um termo positivo não pertence em absoluto a um
negativo, enquanto um termo negativo, embora pertença a um positivo, não
lhe pertence como uma propriedade.

Examine-se a seguir a predicação sob o ponto de vista dos membros
coordenados de uma divisão e veja-se, para fins de refutação, se nenhum dos
membros coordenados (paralelos à propriedade alegada) é uma propriedade de
algum dos restantes membros coordenados (paralelos ao sujeito): pois em tal
caso tampouco o termo proposto será uma propriedade daquilo de que se
afirma sê-lo. Assim, por exemplo, como "ser vivente sensível" não é uma
propriedade de nenhum dos outros seres viventes, "ser vivente inteligível" não
pode ser uma propriedade de Deus. Para fins construtivos, por outro lado,
veja-se se um ou outro dos restantes membros coordenados (paralelos com a
propriedade proposta) é uma propriedade de cada um destes membros
coordenados (paralelos ao sujeito), pois em tal caso o restante também será
uma propriedade daquele de que se negou fosse uma propriedade. Assim, por
exemplo, como é uma propriedade da "sabedoria" ser essencialmente "a
virtude natural da faculdade racional", então, tomando-se da mesma maneira
cada uma das demais virtudes, seria uma propriedade da "temperança" o ser
essencialmente "a virtude natural da faculdade do desejo".

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A seguir, sob o ponto de vista dos derivados, examine-se, para fins de
refutação, se o derivado da propriedade alegada não é uma propriedade do
derivado do sujeito: pois, nesse caso, tampouco se poderá predicar do sujeito a
propriedade alegada. Assim, por exemplo, como "belamente" não é uma
propriedade de “justamente", tampouco "belo" será uma propriedade de
"justo". Para fins construtivos, ao contrário, será preciso certificar-se de que o
derivado da propriedade proposta é uma propriedade do derivado do sujeito
pois, nesse caso, também a propriedade proposta pertencerá ao sujeito. Assim,
por exemplo,