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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.162 materiais34.525 seguidores
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como “bípede andante" é uma propriedade de homem, também
será uma propriedade de qualquer homem "enquanto homem" o ser descrito
"como um bípede andante". Não só com relação ao termo atualmente
mencionado se devem tornar em consideração os derivados, mas também no
que concerne aos seus opostos, exatamente como ficou estabelecido nos
anteriores tópicos ou lugares. Assim, para fins de refutação, veja-se se o
derivado do oposto da propriedade alegada não é urna propriedade do
derivado do oposto do sujeito; pois, nesse caso, tampouco o derivado da
primeira será uma propriedade do segundo. Assim, por exemplo, como "bem"
não é uma propriedade de "justamente", tampouco "mal" pode ser uma
propriedade de “injustamente". Para fins construtivos, por outro lado, deve-se
examinar se o derivado do oposto da propriedade originalmente sugerida é
uma propriedade do derivado do oposto do sujeito original; pois, nesse caso,
também o derivado da primeira será uma propriedade do derivado do segundo.
Por exemplo, como "o melhor” é uma propriedade do "bom", "o pior” será
também uma propriedade do “mau”.

Examine-se igualmente, do ponto de vista das coisas que guardam entre si
uma relação semelhante, e veja-se, para fins de refutação, se o que tem uma
relação semelhante à da propriedade enunciada não é uma propriedade do que
tem uma relação semelhante à do sujeito; pois, nesse caso, tampouco será a
primeira uma propriedade do segundo. Assim, por exemplo, como a relação
do construtor para com a produção de uma casa é semelhante à do médico
para com a produção da saúde, e não é propriedade de um médico o produzir a
saúde, tampouco poderá ser uma propriedade do construtor o produzir uma
casa. Para fins de estabelecer um ponto de vista, deve-se ver se o que guarda
uma relação semelhante à da propriedade proposta é uma propriedade do que
tem uma relação semelhante à do sujeito; pois então o que tem uma relação
semelhante à do primeiro (como, por exemplo, a propriedade proposta) será
uma propriedade do que tem uma relação semelhante à do segundo (como, por

exemplo, o sujeito). Assim, por exemplo, como a relação de um médico para
com a posse da capacidade de produzir saúde é semelhante à do treinador para
com a posse da capacidade de produzir vigor, e é uma propriedade do
treinador possuir essa capacidade, também será uma propriedade do médico
possuir a capacidade de produzir saúde.

A seguir, examine-se a predicação do ponto de vista das coisas que se
relacionam identicamente entre si e veja-se, para fins de refutação, se o
predicado que se relaciona de maneira idêntica com dois sujeitos não é uma
propriedade do sujeito que se relaciona com ele de maneira idêntica à do
sujeito em questão; pois, em tal caso, tampouco esse predicado será uma
propriedade do sujeito que se relaciona com ele de maneira idêntica à do
primeiro. Se, por outro lado, o predicado que se relaciona identicamente com
os dois sujeitos é uma propriedade do sujeito que se relaciona com ele de
maneira idêntica à do sujeito em questão, não será uma propriedade daquilo
que se afirmou ser uma propriedade. (Assim, por exemplo, como a prudência
se relaciona de maneira idêntica ao nobre e ao vil, visto ser o conhecimento de
ambos, e não é uma propriedade da prudência o ser o conhecimento do nobre,
tampouco pode ser uma propriedade sua o conhecimento do vil. Se, por outro
lado, é uma propriedade da prudência o ser o conhecimento do nobre, não
pode ser uma propriedade sua o ser o conhecimento do vil.) Com efeito, é
impossível que a mesma coisa seja propriedade de mais de um sujeito. Para
fins construtivos, por outro lado, este tópico não tem utilidade alguma, uma
vez que o que está "identicamente relacionado" é um predicado único em
processo de comparação com mais de um sujeito.

A seguir, para fins de refutação, veja-se se o predicado qualificado pelo
verbo "ser" não é uma propriedade do sujeito qualificado pelo verbo "ser";
pois, nesse caso, tampouco a corrupção de um deles será uma propriedade do
outro qualificado pelo verbo "ser corrompido", nem a "geração" de um será
uma propriedade do outro qualificado pelo verbo "ser gerado". Assim, por
exemplo, como não é propriedade do "homem" o ser um "animal", tampouco
poderia ser uma propriedade de "tornar-se um homem" o "tornar-se um
animal", nem poderia ser a "corrupção de um animal" uma propriedade da
"corrupção de um homem". De maneira análoga, devem-se também derivar
argumentos da "geração" para o "ser" e o "ser bem assim como do "ser
corrompido" para o "ser" e para a "geração", exatamente como acabamos de
deriva-los do "ser" para a "geração" e o "ser corrompido". Para fins de
estabelecer um ponto de vista, por outro lado, veja-se se o sujeito expresso sob
a qualificação do verbo "ser" possui como propriedade o predicado expresso
sob a mesma qualificação: pois nesse caso também o sujeito qualificado pelo

verbo "ser gerado" terá como propriedade o predicado qualificado pelo mesmo
verbo, e o sujeito qualificado pelo verbo "ser corrompido" terá como
propriedade o predicado expresso com essa qualificação. Assim, por exemplo,
como é uma propriedade do homem o "ser mortal", será uma propriedade "da
geração de um homem" a "geração de um mortal", e da "corrupção de um
homem" a "corrupção de um mortal". De maneira análoga, devem-se também
derivar argumentos de "ser gerado" e "ser corrompido" para "ser", exatamente
como se indicou para fins de refutação.

Considere-se, depois, a "idéia" do sujeito proposto e veja-se, para fins de
refutação, se a propriedade sugerida não pertence à "idéia" em questão, ou se
deixa de pertencer-lhe em virtude daquela característica que lhe vale a
descrição de que se enunciou a propriedade: pois, nesse caso, o que se afirmou
ser uma propriedade não será tal. Assim, por exemplo, como o "estar em
repouso" não se predica do "homem - em - si - mesmo" enquanto "homem",
mas enquanto "idéia", não pode ser uma propriedade do "homem" o "estar em
repouso". Para fins construtivos, por outro lado, veja-se se a propriedade em
questão pertence à idéia, e se lhe pertence sob aquele aspecto em virtude do
qual se predica dele aquela característica de que se afirmou que o predicado
em questão não era uma propriedade: pois, nesse caso, o que se negou fosse
uma propriedade será uma propriedade. Assim, por exemplo, como pertence à
"criatura-viva-em-si-mesma" o ser composta de alma e corpo, e, ademais, isso
lhe pertence enquanto "criatura viva”, será uma propriedade de "criatura viva"
o ser composta de alma e corpo.

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A seguir, examine-se sob o ponto de vista dos graus maiores e menores, e
primeiro (a), para fins de refutação, veja-se se o que é mais P não é uma
propriedade do que é mais S, pois nesse caso tampouco o que é menos P será
uma propriedade do que é menos S, nem o que é o menos-P-de-todos do que é
o menos-S-de-todos, nem o que é o mais-P-de-todos do que é o mais-S-de-
todos, nem simplesmente P o será de simplesmente S. Assim, por exemplo,
como o ser mais colorido não é uma propriedade do que é mais corpo, nem o
ser menos colorido poderá ser uma propriedade do que é menos corpo, nem o
ser colorido poderá ser em absoluto uma propriedade de corpo. Para fins
construtivos, ao contrário, veja-se se o que é mais P é uma propriedade do que
é mais S, pois então o que é menos P será uma propriedade do que é menos S,
e o menos-P-de-todos do que é menos-S-de-todos, e o que é mais-P-de-todos
do que é mais-S-de-todos, e simplesmente P será uma propriedade de
simplesmente S. Assim, por exemplo, como um grau mais alto de sensação é
uma propriedade de um grau mais alto de vida, um grau inferior de sensação
também será uma propriedade de um grau inferior de vida, e o grau supremo
do grau supremo, e o grau ínfimo do grau ínfimo, e a simples sensação será
uma propriedade da simples vida.