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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.431 seguidores
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Deve-se também considerar o argumento passando da predicação simples
aos mesmos tipos qualificados de predicação e ver, para fins de refutação, se o
simples P não é uma propriedade do simples S; pois então, nem mais P o será
de mais S, nem menos P de menos S, nem o mais-P-de-todos do mais-S-de-
todos, nem tampouco o menos-P-de-todos do menos-S-de-todos. Assim, por
exemplo, como "virtuoso" não é uma propriedade de "homem", tampouco
poderá "mais virtuoso" ser uma propriedade do que é mais “humano". Para
fins construtivos, por outro lado, veja-se se o simples P é uma propriedade do
simples S; pois, nesse caso, mais P também será uma propriedade de mais S, e
menos P de menos S, e P-ao-mínimo de S-ao-mínimo, e P-ao-máximo e S-ao-
máximo. Assim, por exemplo, a tendência de mover-se naturalmente para
cima é uma propriedade do fogo, e portanto uma tendência maior de mover-se
naturalmente para cima será uma propriedade do que é mais ígneo. E da
mesma maneira se devem considerar todas essas questões de grau também do
ponto de vista dos outros.

Em segundo lugar (b), para fins de refutação, veja-se se a propriedade
mais provável não se predica do sujeito mais provável; pois, nesse caso,
tampouco a propriedade menos provável se predicará do sujeito menos
provável. Por exemplo, como a "percepção" tem mais probabilidades de ser

uma propriedade "animal" do que o "conhecimento" de "homem", e a
percepção não é uma propriedade de "animal", tampouco o conhecimento
poderá ser uma propriedade de "homem". Para fins construtivos,
inversamente, deve-se ver se a propriedade menos provável se predica do
sujeito menos provável, pois então a propriedade mais provável se predicará
também do sujeito mais provável. Assim, por exemplo, como o "ser
naturalmente civilizado" tem menos probabilidades de ser uma propriedade do
homem do que tem o "viver" de um animal, e é uma propriedade do homem o
ser naturalmente civilizado, também será uma propriedade do animal o viver.

Em terceiro lugar (c), veja-se se o predicado não é uma propriedade
daquilo de que tem mais probabilidades de sê-lo: pois, nesse caso, tampouco
será uma propriedade daquilo de que tem menos probabilidades de sê-lo; ao
passo que, se for uma propriedade do primeiro, não o será do segundo. Por
exemplo, como "ser colorido" tem mais probabilidades de ser propriedade de
uma "superfície" do que de um "corpo", e não é propriedade de uma
superfície, "ser colorido" não poderia ser uma propriedade de "corpo"; ao
passo que, se é propriedade de uma "superfície", não poderia ser propriedade
de um "corpo". Para fins construtivos, por outro lado, este tópico não tem
nenhuma utilidade, pois é impossível que a mesma coisa seja propriedade de
mais de uma coisa.

Em quarto lugar (d), para fins de refutação, veja-se se aquilo que mais
probabilidades tem de ser uma propriedade de um dado sujeito não é
propriedade sua; pois, nesse caso, o que tem menos probabilidades tampouco
o será. Por exemplo, como "sensível" tem mais probabilidades do que
"divisível" de ser uma propriedade de "animal", e "sensível" não é uma
propriedade de animal, tampouco “divisível" poderá sê-lo. Para fins
construtivos, ao contrário, devemos ver se o que menos probabilidades tem de
ser uma propriedade do sujeito é uma propriedade; pois, então, o que mais
probabilidades tem de sê-lo também será uma propriedade. Assim, por
exemplo, como "sensação" tem menos probabilidades de ser uma propriedade
de "animal" do que "vida", e "sensação" é uma propriedade de animal, "vida"
também será uma propriedade de animal.

A seguir, é preciso examinar a propriedade do ponto de vista dos atributos
que pertencem de igual maneira ao sujeito, e em primeiro lugar (a) para fins
de refutação, veja-se se o que seria com igual fundamento uma propriedade
deixa de ser uma propriedade daquilo de que com igual fundamento seria uma
propriedade; pois, em tal caso, o atributo que com igual fundamento que esse
seria uma propriedade do seu sujeito tampouco será uma propriedade deste.

Por exemplo, como o "desejar" é com igual fundamento uma propriedade da
faculdade do desejo como o "raciocinar" é uma propriedade da faculdade da
razão, e o desejar não é uma propriedade da faculdade do desejo, o raciocinar
tampouco poderá ser uma faculdade da razão. Para fins construtivos, por outro
lado, veja-se se aquilo que com igual fundamento seria uma propriedade do
seu sujeito o é; pois, em tal caso, aquilo que com igual fundamento que esse
seria uma propriedade do seu sujeito também o será. Por exemplo, como o ser
"a sede primeira da sabedoria" seria uma propriedade da "faculdade racional"
com igual fundamento que o ser "a sede primeira da temperança" seria uma
propriedade da "faculdade do desejo”, e é uma propriedade da faculdade da
razão o ser a sede primeira da sabedoria, também será uma propriedade da
faculdade do desejo o ser a sede primeira da temperança.

Em segundo lugar (b), para fins de refutação, veja-se se aquilo que com
igual razão seria uma propriedade de alguma coisa deixa de sê-lo; pois, em tal
caso, tampouco o será aquilo que com igual razão seria uma propriedade da
mesma coisa. Por exemplo, como "ver" e com igual razão que "ouvir” uma
propriedade do homem, e "ver" não é uma propriedade do homem, tampouco
"ouvir" pode ser uma propriedade dele. Para fins construtivos, por outro lado,
veja-se se aquilo que com igual razão seria uma propriedade do sujeito o é
efetivamente; pois, em tal caso, aquele atributo que com igual razão que o
primeiro seria uma propriedade do sujeito o será também. Por exemplo, se o
ser a possessora primeira de uma parte que deseja seria com igual razão uma
propriedade da alma que o ser a possessora primeira de uma parte que
raciocina, e é uma propriedade da alma o ser a possessora primeira de uma
parte que deseja, também será uma propriedade sua o ser a possessora
primeira de uma parte que raciocina.

Em terceiro lugar (c), para fins de refutação, veja-se se o atributo não é
uma propriedade daquilo de que seria uma propriedade com igual razão que de
outra coisa; pois, em tal caso, tampouco será uma propriedade dessa outra
coisa; e, mesmo que seja uma propriedade da primeira, não o será da segunda.
Por exemplo, como "queimar" seria com igual razão uma propriedade de
"chama" como de "carvão em brasas", e "queimar" não é uma propriedade de
chama, tampouco pode ser uma propriedade das brasas; ao passo que, se de
fato é uma propriedade da chama, nem por isso poderá ser uma propriedade
das brasas. Para fins construtivos, entretanto, este tópico não tem utilidade.

A regra baseada nas coisas que guardam relação semelhante difere da
regra que se baseia nos atributos que pertencem de igual maneira por que o
primeiro ponto se estabelece por analogia e não pela reflexão sobre a

pertinência de algum atributo, ao passo que o segundo se aquilata por uma
comparação baseada na pertinência de um atributo.

A seguir, para fins de refutação, veja-se se, ao expressar a propriedade
potencialmente, o contendor, em virtude dessa potencialidade, a expressou
também em relação a alguma coisa que não existe, quando a potencialidade
em questão não pode pertencer ao que não existe: pois em tal caso o que se
afirma ser uma propriedade não será tal. Por exemplo, quem diz que
"respirável" é uma propriedade de "ar", por um lado expressa potencialmente
a propriedade (pois é "respirável” aquilo que é de tal qualidade que pode ser
respirado), e, por outro lado, também expressa a propriedade em relação ao
que não existe: pois pode existir ar sem que exista nenhum animal constituído
de tal maneira que seja capaz de respira-lo, e não será possível respira-lo se
não existir nenhum animal; e assim, tampouco será uma propriedade do ar o
ser de tal qualidade que possa ser respirado quando não existe nenhum animal
capaz