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Disciplina:FILOSOFIA E ÉTICA1.161 materiais34.490 seguidores
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de respira-lo donde se segue que "respirável" não pode ser uma
propriedade do ar.

Para fins construtivos, é preciso ver se, ao expressar potencialmente a
propriedade, ele a expressa quer em relação a alguma coisa que existe, quer a
alguma coisa que não existe, quando a potencialidade em questão pode
pertencer ao que não existe; porque, em tal caso, o que se afirmou não ser uma
propriedade será uma propriedade. Por exemplo, quem expressa como uma
propriedade de "ser" "tanto a capacidade de ser objeto de ação como a de
agir", ao expressar a propriedade potencialmente, expressou-a em relação a
algo que existe: pois quando o "ser" existe, tanto será capaz de ser objeto de
ação como de agir de certa maneira: e assim, "tanto a capacidade de ser objeto
de ação como a de agir" será uma propriedade de "ser”.

A seguir, para fins de refutação, deve-se observar se o contendor
expressou a propriedade no superlativo; pois, nesse caso, o que se afirmou ser
uma propriedade não será uma propriedade. Com efeito, os que expressam a
propriedade dessa maneira vêm a descobrir que, do objeto de que é verdadeira
a descrição, o nome, por seu lado, não é verdadeiro: pois, ainda que o objeto
pereça, a descrição continuará de pé, pelo fato de pertencer de modo muito
estreito a algo que existe. Suponhamos, por exemplo, que alguém proponha "o
corpo mais leve" como uma propriedade do “fogo": pois, mesmo que o fogo
seja destruído, restará sempre alguma forma de corpo que seja o mais leve, de
modo que "o corpo mais leve" não poderá ser uma propriedade do fogo. Para
fins construtivos, evite-se expressar a propriedade do superlativo: pois então a
propriedade terá sido, a esse respeito, corretamente formulada. Assim, por

exemplo, como quem afirma que "um animal naturalmente civilizado" é uma
propriedade do homem não expressa a propriedade no superlativo, a
propriedade terá sido, a esse respeito, corretamente formulada.

Livro VI

1

A discussão das definições divide-se em cinco partes. Pois é preciso
demonstrar ou (1) que não é em absoluto verdadeiro aplicar também a
expressão àquilo a que se aplica o termo (já que a definição de homem deve
ser verdadeira de todo e qualquer homem); ou (2) que, embora o objeto tenha
um gênero, o nosso contendor não colocou o objeto definido no seu gênero, ou
não o colocou no gênero apropriado (pois quem formula uma definição deve
primeiro colocar o objeto no seu gênero e depois acrescentar as suas
diferenças, visto que, de todos os elementos da definição, o gênero é
geralmente considerado como a marca principal da essência daquilo que se
define); ou (3) que a expressão usada não é peculiar ao objeto (pois, como já
dissemos anteriormente, uma definição deve ser peculiar); ou, então, (4) deve-
se ver se, embora tenha observado todas as precauções acima, ele não
conseguiu definir o objeto, isto é, expressar a sua essência. (5) Resta ainda, à
parte das consideraÇões já mencionadas, ver se ele o definiu, porém de modo
incorreto.

Assim, pois, deve-se examinar se a expressão não é também verdadeira
daquilo de que se predica com verdade o termo de acordo com as regras ou
lugares relativos ao acidente. Pois ali também a questão é sempre: "é tal e tal
coisa verdadeira ou falsa?" Com efeito, sempre que afirmamos a pertinência
de um acidente, declaramo-lo verdadeiro, e, sempre que afirmamos que ele
não pertence ao sujeito, declaramo-lo falso. Se, por outro lado, o contendor
não soube colocar o objeto no gênero apropriado, ou a expressão não é
peculiar ao objeto, devemos examinar o caso de acordo com os tópicos que
dizem respeito ao gênero e à propriedade.

Resta, pois. mostrar como se deve investigar se o objeto não foi definido
em absoluto ou se o foi incorretamente. Em primeiro lugar, pois,
examinaremos se ele foi definido incorretamente, pois em todas as coisas isso
é mais fácil do que fazê-lo corretamente. Como é natural, cometem-se mais
erros nesta última tarefa devido à sua maior dificuldade. Por isso mesmo, o
ataque se torna mais fácil no segundo caso do que no primeiro.

Há duas classes de incorreção: primeiro (1), o uso de uma linguagem
obscura (pois a linguagem usada numa definição deve ser a mais clara
possível, uma vez que todo o objetivo de sua formulação consiste em dar a
conhecer alguma coisa); segundo (2), quando a expressão usada é mais longa
do que o necessário, já que todo acréscimo feito a uma definição é supérfluo.
Por sua vez, cada uma das classes mencionadas se divide em vários ramos.

2

Uma regra ou lugar no tocante à obscuridade é: ver se o significado que a
definição tem em vista envolve uma ambigüidade em relação a algum outro,
por exemplo: "a geração é uma passagem para o ser", ou então "a saúde é o
equilíbrio dos elementos quentes e frios". Aqui, "passagem" e "equilíbrio" são
termos ambíguos, de modo que não fica claro a qual dos sentidos possíveis do
termo o definidor se refere. O mesmo acontece se o termo definido se usa em
diversos sentidos e ele fala sem fazer distinção entre estes: pois em tal caso
não se sabe bem a qual deles se aplica a definição dada, e pode-se então fazer
uma objeção capciosa alegando que a definição não vale para todas as coisas
que ele pretendeu definir; e isso é particularmente fácil quando o definidor não
percebe a ambigüidade dos seus termos. Ou, por outro lado, o próprio
adversário pode distinguir os vários sentidos do termo expresso na definição e
depois apresentar o seu argumento contra cada um deles, pois, se a expressão
usada não é adequada ao sujeito em nenhuma de suas acepções, é evidente que
ele não pode tê-lo definido corretamente em qualquer sentido.

Outra regra é: ver se ele usou uma expressão metafórica, como, por
exemplo, se definiu o conhecimento como "insuplantável", ou a terra como
uma "nutriz", ou a temperança como uma "harmonia". Porquanto uma
expressão metafórica é sempre obscura. Também se pode argumentar
sofisticamente contra quem usa uma expressão metafórica como se ele a
tivesse empregado no sentido literal: pois a definição proposta não se aplicará
ao termo defini do, como, por exemplo, no caso da temperança, uma vez que a
harmonia ocorre sempre entre notas musicais. Além disso, se a harmonia fosse
o gênero da temperança, o mesmo objeto pertenceria a dois gêneros dos quais
nenhum contém o outro: porquanto a harmonia não contém a virtude, nem a
virtude contém a harmonia. Veja-se, igualmente, se ele emprega termos que
não são familiares, como quando Platão descreve o olho como
"frontiumbrado", ou uma certa aranha como "uncivirosa", ou a medula dos
ossos como "ossifacta", pois uma expressão rebuscada é sempre obscura.

Às vezes uma expressão não se usa nem de maneira ambígua, nem
metafórica, nem tampouco literal, como quando se diz que a lei é a "medida"
ou a "imagem" das coisas que são justas por natureza. Tais expressões são
piores do que metáforas, pois estas últimas tornam, até certo ponto, claro o seu
significado, devido à semelhança que encerram. Com efeito, os que usam
metáforas sempre o fazem tendo em vista uma certa semelhança, ao passo que
esta espécie de expressão não esclarece nada, pois não há nenhuma
semelhança que justifique a descrição da lei como uma "medida" ou

"imagem"', nem a lei é comumente assim denominada em sentido literal. E
assim, o homem que diz que a lei é literalmente uma "medida" ou "imagem"
emprega uma expressão falsa, pois uma imagem é uma coisa produzida por
imitação, e tal não é o caso da lei. Se, por outro lado, ele não entende o termo
na sua acepção literal, é evidente que usou uma expressão obscura e, além de
obscura, pior do que qualquer espécie de expressão metafórica.

Veja-se, além disso, se, partindo da expressão usada, a definição do
contrário não é clara; pois as definições que foram corretamente formuladas
indicam também os