Macro2_P1_2007.2 Gabarito
7 pág.

Macro2_P1_2007.2 Gabarito

Disciplina:teoria macroeconÔmica ii141 materiais921 seguidores
Pré-visualização2 páginas
demais e que, a partir
do ano t, manterá a taxa de desemprego 1 ponto percentual acima da taxa natural de
desemprego até que a taxa de inflação caia para 2%. Durante quantos anos o Banco
Central deve manter a taxa de desemprego acima da taxa natural de desemprego? A taxa
de sacrifício implícita é coerente com sua resposta no item a? (0,75 pontos)
R:

Durante 10 anos.
Sim, é coerente. Anos-ponto de excesso de desemprego = (6-5)x(10) = 10
Redução da inflação = 12 – 2 = 10
Taxa de sacrifício igual a 10/10 = 1, igual ao item a
c) Agora imagine que as pessoas saibam que o Banco Central deseja reduzir a inflação
para 2%, mas não têm certeza quanto à disposição do banco em aceitar uma taxa de
desemprego superior à taxa natural de desmprego. Portanto, a expectativa de inflação do
público é uma média ponderada da meta de 2% e da inflação passada:
πte = γπt-1 + (1-γ)2% ,
onde γ é o peso atribuído à meta de inflação do Banco Central de 2%.
Qual a interpretação econômica para o parâmetro γ? Α taxa de sacrifício será maior,
menor ou igual a resposta dada no item anterior? Dê uma intuição econômica. (1 ponto)
R: O parâmetro γ significa o grau de confiança das pessoas na meta estipulada pelo
Banco Central. Quanto maior for o valor de γ, menos as pessoas acreditam que o Banco
Central possa atingir a meta no próximo período, ou seja, menor sua credibilidade. Desse
modo, a inflação anterior terá um grande peso nas expectativas de inflação. No sentido

 6

oposto, quanto menor for γ, menor será o peso da inflação passada e maior será o peso da
meta do Banco Central na expectativa de inflação das pessoas, ou seja, maior será sua
credibilidade.
A taxa de sacrifício será menor do que a anterior. Isso ocorre porque a meta de inflação
do Banco Central passa a ser incorporada nas expectativas de inflação das pessoas, o que
reduz o excesso de desemprego necessário para efetuar a desinflação.
d) Imagine que, passado um ano da implementação dessa política, as pessoas acreditem
que o Banco Central está de fato comprometido com a redução da inflação para 2%.
Portanto, elas passam a formar suas expectativas de acordo com πte = 2%. A partir de que
ano o Banco Central poderia deixar a taxa de desemprego retornar à taxa natrural? Qual é
a taxa de sacrifício agora? Se você fosse contratado para ser consultor do presidente do
Banco Central do Brasil, que conselho você daria a ele em relação ao processo de
desinflação da economia brasileira? (0,75 pontos)
Como a inflação esperada está igual à meta, não é necessário nenhum ano a mais de
excesso de desemprego para atingir a inflação desejada. Desse modo, no período t+1 a
taxa de desemprego já pode retornar ao seu nível natural. Apenas no primeiro ano da
implementação dessa política (ano t) o desemprego esteve acima do seu nível natural.
Anos-ponto de excesso de desemprego = (6-5)x(1) = 1
Redução na inflação = 12 – 2 = 10
Taxa de sacrifício = 1/10 = 0,1
Um conselho seria tomar medidas que garantissem uma maior credibilidade para o
processo desinflacionário. Pois com credibilidade, as expectativas das pessoas
convergiriam mais rapidamente para a meta, acelerando o processo e exigindo um menor
sacrifício da economia.
Quinta Questão (1 ponto):
Explique a Crítica de Lucas e a Teoria de Rigidez Nominal de Phelps e Taylor e de suas
implicações sobre a estratégia de desinflação e o nível da taxa de desemprego.
Crítica de Lucas: De acordo com a Crítica de Lucas, novas políticas mudam as “regras”
da economia, afetando assim o seu comportamento e as expectativas dos agentes. Desse
modo, as expectativas não são formadas apenas com base em dados passados, mas sim
pela crença na eficácia dessa nova política.

Um bom exemplo sobre a crítica de Lucas é discorrida sobre a Curva de Phillips.
Dada a equação:

πt = πt e - α(ut – un)

 7

 Caso os fixadores de salários continuem a formar expectativas de inflação pelo
exame da inflação do ano anterior (πt e = πt-1), então o único modo de diminuir a inflação
seria aceitar um desemprego maior por algum tempo.
 Mas caso os fixadores de salários acreditassem na credibilidade da política
monetária (BACEN tendo um compromisso verdadeiro com a redução da inflação) e
pudessem ser convencidos de que a inflação iria de fato ser menor do que no passado,
eles diminuiriam suas expectativas de inflação. Dessa forma, a inflação corrente seria
menor mesmo sem haver qualquer mudança na taxa de desemprego.
Rigidez Nominal: o fato de que, nas economias modernas, muitos salários e preços são
fixados em termos nominais por algum tempo e não costumam ser reajustados quando há
mudança de política.
 Mesmo com muita credibilidade, um programa de desinflação muito rápido
(devido à diminuição muito rápida da expansão monetária) acaba aumentando o
desemprego. Mesmo que o FED convença totalmente os trabalhadores e empresas de que
a expansão monetária seria menor, os salários fixados antes da mudança da política
monetária refletiriam as expectativas de inflação anteriores a ela.
 Além do mais, uma característica importante dos contratos salariais é de que eles
não são todos assinados na mesma época; ao contrário, são escalonados ao longo do
tempo. Esse escalonamento das decisões salariais impõem fortes limitações em como
uma desinflação rápida pode ser implementada sem deflagrar o aumento do desemprego,
mesmo supondo que o compromisso do FED seja totalmente crível.
 Se os trabalhadores estão preocupados com os seus salários relativos, isto é, se
estão preocupados com a relação entre seus salários e os salários dos outros
trabalhadores, cada contrato salarial escolherá um salário não muito diferente dos salários
dos outros contratos em vigor na época. Uma queda muito rápida da expansão monetária
nominal não levaria a uma diminuição proporcional da inflação. Em vez disso, o estoque
real de moeda diminuirá deflagrando uma recessão e o aumento da taxa de desemprego.
 O impacto destas teorias sobre a estratégia de desinflação se dá no horizonte
temporal, isto é, em quão rápido a queda da expansão monetária, e, portanto, da inflação,
deve ser. Um anúncio de que o processo desinflacionário começará em alguns anos pode
não ser muito crível, uma vez que os agentes econômicos se perguntarão: por que esperar
dois anos para implementar um programa desinflacionário? Sem credibilidade, não
haverá mudança nas expectativas inflacionárias e não solucionaremos o problema dos
salários imbricados. De fato, sobre a ótica de Rigidez Nominal e de salários imbricados,
um processo de desinflação suave, ao longo prazo (e crível), é preferível a uma queda
brutal da expansão monetária, uma vez que não estará acompanhado de um desemprego
severo ou de uma recessão econômica.