Civil VI_Aceitação e renúncia
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Civil VI_Aceitação e renúncia

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§2°)
§ 2o Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a renúncia quanto ao remanescente, que será devolvido aos demais herdeiros.
	 	
 O BB tem 30 dias para se habilitar (30 dias seguintes ao conhecimento do fato)
§ 1o A habilitação dos credores se fará no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento do fato.

> Caio Mário: Não há mister demonstrar a má-fé do renunciante, nem o conluio deste com os demais herdeiros, bastando a demonstração de que já eram credores anteriormente ao repúdio da herança.

* Obs.:
1) A herança, quando é aberta, é um BEM IMÓVEL. Isso até a partilha. A partir da partilha, cada bem volta com a sua natureza (bem móvel ou imóvel).
Se houver bem IMÓVEL no monte, será necessário o FORMAL DE PARTILHA para que seja possível a sua transferência. Se só houver bens MÓVEIS, não será necessário o formal de partilha mas, sim, o ALVARÁ.
- FORMAL DE PARTILHA = Instrumento através do qual se transfere um bem IMÓVEL (art. 80, II, CC)
2) A habilitação no processo só sai publicada no Diário Oficial no caso de herança jacente.

5. EFEITOS DA RENÚNCIA
a) EFEITO PRINCIPAL: Afastar o renunciante da sucessão. Retroage ao momento da abertura da sucessão, de modo que o herdeiro renunciante é considerado COMO SE NUNCA TIVESSE SIDO HERDEIRO.

b) EFEITOS SUCESSÓRIOS:

b.1) DIREITO DE REPRESENTAÇÃO
- O direito de representação ocorre quando a pessoa é chamada à sucessão substituindo um ascendente pré-morto.
- É exceção à regra geral de que, na mesma classe, os parentes mais próximos preferem aos mais afastados.
Art. 1.851: “Dá-se o direito de representação, quando a lei chama certos parentes do falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo fosse.”
 Os representantes, não importa em que número sejam, vão herdar o quinhão que caberia ao representado.

- No entanto, como o renunciante é considerado não ter sido jamais herdeiro, SEUS DESCENDENTES NÃO HERDAM POR REPRESENTAÇÃO, na sucessão em que o seu ascendente renunciou (art. 1811, 1ª parte).
 Note-se que a situação dos herdeiros do renunciante é + desfavorável do que seria se este apenas houvesse morrido antes da abertura da sucessão, pois, neste caso, seus descendentes sucederiam na qualidade de representantes do ascendente pré-morto. Entretanto, seus descendentes poderão vir a herdar por direito próprio e por cabeça SE:
1) o renunciante for o único de sua classe, ou
2) todos os da mesma classe renunciarem (art. 1811, 2ª parte).

- Art. 1811: Ninguém pode suceder, representando herdeiro renunciante. Se, porém, ele for o único legítimo da sua classe, ou se todos os outros da mesma classe renunciarem a herança, poderão os filhos vir à sucessão, por direito próprio, e por cabeça.
 Porque a cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros da mesma classe

- Ex.: Falece o avô X com 2 filhos Y e Z, sendo que cada um destes possui 1 filho. Y morre antes de seu avô. Na sucessão do avô X, o filho de Y virá representando o seu pai Y. Se Y estivesse vivo quando da morte de seu avô e renunciasse à herança, o seu filho poderia vir representando-o? NÃO, pois NINGUÉM PODE SUCEDER, REPRESENTANDO HERDEIRO RENUNCIANTE.
 No mesmo caso, se Y e Z tivessem se transformado em franciscanos e renunciassem às respectivas heranças, seus filhos poderiam herdar?
 SIM, pois os filhos podem suceder por direito próprio e por cabeça, de acordo com o art. 1811, CC, uma vez que não existiriam mais filhos do falecido, mas somente netos.

b.2) DIREITO DE ACRESCER
- Na sucessão legítima, A PARTE DO RENUNCIANTE ACRESCE AO DO OUTRO HERDEIRO DA MESMA CLASSE. SE NÃO HOUVER DA MESMA CLASSE, PASSA PARA O DA SUBSEQÜENTE.
 No exemplo anterior, se, na sucessão do avô X, Y renunciar à sua herança, acresce à de Z. Se todos renunciarem (Y e Z, e seus respectivos filhos), passa-se para a classe subseqüente, herdando a esposa de X (art. 1810).
- Na sucessão testamentária, a renúncia torna caduca a disposição que o beneficia, a menos que o testador tenha indicado um substituto (art. 1947, CC) ou haja direito de acrescer entre os herdeiros (art. 1943).

6. ESPÉCIES

6.1. ABDICATIVA
- O herdeiro meramente renuncia

				X viúvo, sem união estável, sem testamento
(ou seja, sem sucessão legítima)

		 Y	Z T
		 1/3 1/3 1/3
		
		 renuncia	

a) EFEITOS SUCESSÓRIOS
- Realizada a renúncia, A PARTE DO REPUDIANTE PASSA AUTOMATICAMENTE PARA O MONTE, sendo, então:
1) SUBDIVIDIDA ENTRE OS DEMAIS HERDEIROS DA MESMA CLASSE ou
2) DEVOLVIDA AOS HERDEIROS DA CLASSE SUBSEQÜENTE, caso o renunciante seja o único da sua classe (art. 1810)

b) EFEITOS TRIBUTÁRIOS

						 - Doação (4%)	
		 		 I) Gratuita - Cessão de cota hereditária 	
Transmissão	 a) Inter vivos 		 (paga quem recebe)
de bens			 II) Onerosa: Compra e Venda (2%)	
		 b) Causa mortis: Sempre será GRATUITA. Não se paga para
			 receber herança (só paga custas)	???

Sempre que a TRANSMISSÃO for:
ONEROSA: A competência será do MUNICÍPIO. Sempre! (ITBI)
GRATUITA: A competência será do ESTADO. Sempre! (ITCMD)

Assim, no exemplo dado, Z e T pagarão imposto de 4% sobre 1/3 cada + 4% sobre 1/6 do que foi renunciado por Y
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Não incide o imposto causa mortis em caso de renúncia pura e simples de herança ou legado (RENÚNCIA ABDICATIVA), que se formaliza por escritura pública ou termo nos autos (CC, art. 1.581). Por ser de cunho abdicativo, a renúncia não gera transmissão do bem ao herdeiro renunciante, razão de escapar ao correspondente tributo. Mas O IMPOSTO NATURALMENTE INCIDIRÁ NA TRANSMISSÃO OPERADA EM FAVOR DO HERDEIRO QUE SE HABILITAR EM LUGAR DO RENUNCIANTE.
A situação difere da chamada RENÚNCIA IMPRÓPRIA, TRANSLATIVA, feita em favor de terceira pessoa, que na verdade significa uma cessão de direitos, fazendo incidir não só o imposto causa mortis pela transmissão da herança ao renunciante-cedente, como também o imposto inter vivos, pela transmissão da herança ao beneficiário indicado.
(Fonte: Escola Paulista da Magistratura)
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- Sobre o valor dos bens deixados por herança há cobrança de imposto de transmissão causa mortis e doações (ITCMD), que pertence ao Estado da Federação que esteja o imóvel. Em São Paulo a alíquota é de 4% e se acaso não for pago em 180 dias após a abertura do inventário terá incidência de multa e correção monetária.
 Somente após o pagamento dos tributos e eventuais dívidas será feita a transferência do bem para o herdeiro.
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	RENÚNCIA ABDICATIVA
	RENÚNCIA TRANSLATIVA

	 O herdeiro ‘abre mão’ de seu quinhão hereditário

 Uma manifestação de vontade;

 Não incide ITCMD para o herdeiro renunciante mas o imposto naturalmente incidirá na transmissão operada em favor do herdeiro que se habilitar em lugar do renunciante.

 Não incide ITBI pela não ocorrência do respectivo fato gerador
	 O herdeiro destina o seu quinhão em favor de outrem;

 Ocorre a aceitação e a alienação (duas manifestações de vontade);

 Implica no pagamento de 2 impostos, a saber: intervivos e transmissão causa mortis. Isso porque, se verificada a aceitação e, em seguida, a doação, existirá na verdade 2 atos jurídicos, e não uma única transferência de bens (ou melhor, direitos hereditários). Portanto:
 Incide o ICMD pela transmissão da herança ao renunciante-cedente

 Incide o ITBI pela transmissão da herança ao beneficiário indicado.

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- Em se tratando de renúncia abdicativa, ou seja, cessão gratuita, pura e simples, O ÚNICO IMPOSTO A SER PAGO PELO BENEFICIÁRIO PELA TRANSMISSÃO DA PROPRIEDADE É O CAUSA MORTIS, não havendo, portanto, a incidência do imposto inter vivos.
- O v. acórdão abaixo reproduzido tratou de interpretar os arts. 1.805, §2º e 1.810 do CC que regulam a aceitação e renúncia da herança, colacionando, sobre a matéria, a doutrina de Maria Helena Diniz e Silvio Rodrigues, além de precedentes do Egrégio Superior Tribunal de Justiça e de outros Tribunais Pátrios.

Acórdão: Agravo de Instrumento n. 2005.029608-4, de Balneário Camboriú.