Civil VI_Aceitação e renúncia
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Civil VI_Aceitação e renúncia

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RENÚNCIA ABDICATIVA. INCIDÊNCIA DOS IMPOSTOS DE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E INTER VIVOS. IMPROVIMENTO. 1. Se a documentação constante dos autos atesta que o ato praticado pelos herdeiros consistiu em renúncia abdicativa, em favor do monte, havendo assim uma única transferência de bens, não haverá, in casu, a incidência de dois impostos.
2. Reexame a que se nega provimento. Decisão unânime (TJPE, AC n. 69591-0, Olinda, Segunda Câmara Cível, rel. Des. Antônio de Pádua Carneiro Camarotti Filho, j. em 3-9-2002).
DIREITOS HEREDITÁRIOS. RENÚNCIA PURA E SIMPLES. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECISÃO ACERTADA. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO. Tratando-se de renúncia pura e simples da herança e não de renúncia translativa, não é devido o imposto inter vivos, incidindo somente o causa mortis. (TJPR, AI. 0075522-2, Ac. 16620, Curitiba, Quarta Câmara Cível, rel. Des. Octávio Valeixo, DJPR 20-3-2000).
INVENTÁRIO. RENÚNCIA ABDICATIVA. Inexigibilidade do imposto sobre transmissão inter vivos por se tratar de ato não oneroso. Inteligência do artigo 156, II da Constituição Federal. Recurso não provido. (TJSP, AI 57.953-4, Presidente Prudente, Quinta Câmara de Direito Privado, rel. Des. Boris Padron Kauffmann, j. em 6-11-1997).
IMPOSTO. INTER VIVOS. INVENTÁRIO NO QUAL HERDEIROS APRESENTARAM RENÚNCIA PURA E SIMPLES DE SEUS DIREITOS À HERANÇA. Alegação de ter ocorrido doação simulada. Inadmissibilidade. Incidência do tributo somente na hipótese de "renúncia translativa" ou in favorem. Recurso não provido. (TJSP, AC 169.255-1, Campinas, rel. Des. Antônio Manssur, j. em. 3-6-1992).
AGRAVO DE INSTRUMENTO. INVENTÁRIO. RENÚNCIA DOS QUINHÕES HEREDITÁRIOS, IMPOSTO DE TRANSMISSÃO INTER VIVOS NÃO INCIDÊNCIA. Os herdeiros renunciaram a herança pura e simplesmente, não ocorrendo cessão de direitos hereditários - Não praticaram, também, qualquer ato que demonstrasse a intenção de aceitação - Os quinhões permanecem no monte e não foram transmitidos, sendo por isso, indevido o pagamento do imposto de transmissão inter vivos - despacho correto - Recurso improvido. (TJPR, AI. n. 0012308-2, Ac. 7808, Curitiba, Segunda Câmara Cível, rel. Des. Oswaldo Espíndola, DJPR de 23-4-1991).
Ante o exposto, outra alternativa não há senão a de reformar a decisão objurgada, a fim de permitir a homologação da partilha apresentada na ação de inventário de fls. 12 a 16.

DECISÃO
Nos termos do voto do Relator, dá-se provimento ao recurso.
Fernando Carioni
PRESIDENTE E RELATOR

6.2) TRANSLATIVA
- Não previsto no CC (construção doutrinária)
- Ocorre quando um herdeiro renuncia à sua cota hereditária em favor de outro herdeiro. Ex: X renuncia em favor de T. Por ficção, tem-se que Y não renunciou a nada. Na verdade, é uma CESSÃO porque ACEITOU a herança e depois transferiu (só posso transferir algo que é meu).

a) EFEITOS SUCESSÓRIOS
- Aceitou a herança e transferiu para outro

b) EFEITOS TRIBUTÁRIOS
- Tributos:
- 4% sobre o 1/3 de Y (causa mortis: X Y)
- 4% sobre o 1/3 que T recebeu de Y (inter vivos: Y T)

6.3. QUESTÃO DO ART. 1.805 §2° CC. CESSÃO ONEROSA OU GRATUITA.
- Dispõe o art. 1805§ 2°:
§ 2o Não importa igualmente aceitação a cessão gratuita, pura e simples, da herança, aos demais co-herdeiros.

6.3.1. RELEVÂNCIA
- Questão relativa ao imposto de transmissão causa mortis e do imposto de doação sobre quaisquer bens e direitos e do imposto de transmissão inter vivos sobre bens imóveis ou direitos reais sobre bens imóveis.

6.3.2. COMPETÊNCIA
- Imposto de transmissão causa mortis e por doação: Competência do ESTADO (art. 155, I)
- Imposto de transmissão inter vivos a qualquer título, por ato oneroso, de (a) bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de (b) direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição: competência do MUNICÍPIO

I) Se a transmissão for por ato INTER VIVOS, ONEROSA e relativa a IMÓVEIS ou direitos reais sobre imóveis: competência do MUNICÍPIO
II) Se a transmissão for CAUSA MORTIS de imóveis e a título ONEROSO ou GRATUITO: a competência é do ESTADO
- Se for DENTRO DO INVENTÁRIO, pelos herdeiros, ver se (1) é de imóvel e se (2) é oneroso ou gratuito Se for oneroso é Município, se for gratuito é do Estado

- Lei Estadual 1.427/89: Instituiu o imposto sobre transmissão causa mortis e por doação, de quaisquer bens ou direitos
 O art. 2° trata da hipótese contemplada no art. 1805 §2°:
Art. 2º Não se considera existir transferência de direito na renúncia à herança ou legado, desde que se efetive dentro das seguintes circunstâncias concorrentes:
1. seja feita sem ressalva, em benefício do monte;
2. não tenha o renunciante praticado qualquer ato que demonstre a intenção de aceitar a herança ou legado.
Parágrafo único - É tributável, a título de doação, a renúncia manifestada por herdeiro ou legatário em favor de pessoa determinada ou determinável ( continua ... )
	Voltando ao disposto no art. 1.805 §2°, CC, SE A CESSÃO PURA E SIMPLES NÃO IMPORTA EM ACEITAÇÃO, NÃO HÁ A TRANSMISSÃO DA HERANÇA e, portanto, não ocorre o FG do imposto de transmissão causa mortis e por doação (que é competência do Estado – art. 155, I, CF). Chama-se este ato de RENÚNCIA ABDICATIVA, que costuma se expressar nos inventários com a seguinte expressão “Renuncio a minha herança em favor do monte”.
A Fazenda Estadual, entretanto, considera como FG do imposto causa mortis e por doação SE A CESSÃO OU RENÚNCIA FOR FEITA EM FAVOR DE DETERMINADO HERDEIRO OU DE HERDEIRO DETERMINÁVEL, existindo outros no inventário, chamando-se RENÚNCIA TRANSLATIVA. Nesta última hipótese, A RENÚNCIA TRANSLATIVA É CONSIDERADA CAUSA DO IMPOSTO POR DOAÇÃO.
Ex: Existem 3 herdeiros Maria, José e João no inventário. Maria renuncia pura e simplesmente a sua herança em favor de José. Qual o tipo de renúncia? O ato de Maria constitui FG de algum imposto? Quem pode cobrar este imposto?
Na realidade, trata-se de CESSÃO DE DIREITO HEREDITÁRIOS (também conhecida como RENÚNCIA TRANSLATIVA). O ato de Maria constitui FG de importo por doação, com fulcro no § único do art. 2°, Lei 1.427/89. A competência para cobrar o referido imposto é do Estado.
	Portanto:
CESSÃO PURA E SIMPLES NÃO HÁ A TRANSMISSÃO DA HERANÇA NÃO OCORRE o FG do ITCMD (competência do Estado – art. 155, I, CF) RENÚNCIA ABDICATIVA
CESSÃO OU RENÚNCIA FEITA EM FAVOR DE DETERMINADO HERDEIRO OU DE HERDEIRO DETERMINÁVEL Ocorre a RENÚNCIA TRANSLATIVA, que é FG do ITCMD.

As diferenças entre ITBI e ITCMD
Sempre que é transferida a propriedade de um imóvel é necessário o pagamento de um imposto. Se for TRANSMITIDO A ALGUÉM POR HERANÇA OU DOAÇÃO, incide o chamado ITCMD (Imposto de Transmissâo Causa Mortis e Doação) na transferência do bem para o herdeiro ou donatário. Já se for TRANSFERÊNCIA POR COMPRA E VENDA, o imposto devido é o ITBI (imposto sobre transmissão inter vivos de bens imóveis e Direitos a ele relativos.

O ITCMD é devido ao Estado de onde se situa o bem, e o ITBI ao município da localização do bem. Ambos são calculados sobre o valor venal do imóvel. O contribuinte do ITBI é qualquer uma das partes e do ITCMD é o herdeiro ou legatário, no caso da herança, e o doador ou donatário, no caso da doação.

Fonte Legal: Fonte: CTN, arts. 35 a 42

7. RETRATAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
- Art. 1812: Não existe retratação de aceitação ou renúncia
- Em tese, a renúncia é irretratável e definitiva.
 Uma vez formalizada, GERA A FICÇÃO DE NÃO TER O RENUNCIANTE JAMAIS SIDO HERDEIRO. A irrevogabilidade da renúncia não afasta, no entanto, a possibilidade de sua anulação por ERRO, DOLO OU COAÇÃO.
 Segundo Silvio Rodrigues, trata-se de uma imperfeição técnica do legislador pois não é propriamente uma retratação, mas de sua anulação por vício do consentimento. O prof° não concorda com esta posição, pois comprovado nos autos a ocorrência do dolo, erro ou coação, é DISPENSÁVEL A PROPOSITURA DE AÇÃO DE ANULAÇÃO, que seria necessária nas referidas hipóteses.

V - CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS
- Forma
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