Civil VI_Aceitação e renúncia
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Civil VI_Aceitação e renúncia

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Preferência: Art. 1794
- Prazo

1. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS (arts. 1793 a 1795)
- Quando o herdeiro CEDE sua cota hereditária para 3° ou para outro herdeiro

				X viúvo, sem união estável, sem testamento

		 Y	Z T
		 1/3 1/3 1/3
		
 	 Cede para 3° (cessionário)	

- Forma: Por ESCRITURA PÚBLICA (art. 1793)
 Ainda que só existam bens móveis no espólio, a herança é considerada BEM IMÓVEL para efeitos legais (CC, art. 80, II). Por isso é que se exige forma especial e solene para a cessão
 Se não for feita por escritura pública É nula de pleno direito (art. 166, IV, CC)
 Se o herdeiro for casado é necessária a ANUÊNCIA DO OUTRO CÔNJUGE, exceto se o regime de bens for o da SEPARAÇÃO ABSOLUTA (art. 1647 caput e inciso I, CC). Sem autorização, o ato praticado será anulável (art. 1649)

2. DIREITO DE PREFERÊNCIA
- O herdeiro deve oferecer sua cota primeiramente para os d+ herdeiros. Se não respeita esse direito de preferência, os demais herdeiros podem exercer esse direito perante o juiz.
- Art. 1794 Há direito de preferência entre os CO-HERDEIROS
 A preferência, é claro, só pode ser exercida nas CESSÕES ONEROSAS. Não há direito do co-herdeiro se a transferência da quota hereditária é feita gratuitamente
 O co-herdeiro, a quem não se deu conhecimento da cessão, para que tivesse podido exercer o direito de preferência, poderá, DEPOSITANDO O PREÇO em juízo nas mesmas condições, HAVER PARA SI a QUOTA CEDIDA A ESTRANHO, se o requerer até 180 DIAS após a transmissão (art. 1795 caput).

* Obs.:
1) O art. 1795 fala em “transmissão”, dando a entender que é a partir da FEITURA DA ESCRITURA DE CESSÃO que corre o prazo de 180 dias mas não. Doutrina e jurisprudência entendem que esse prazo corre a partir do DIA EM QUE OS HERDEIROS TOMARAM CIÊNCIA DA TRANSMISSÃO (e não do dia em que foi feita a transmissão).
 Como os d+ herdeiros tomarão ciência da transmissão?
 O herdeiro cedente poderá comunicar aos d+ ou todos tomarão ciência a partir do momento em que o cessionário se habilitar no processo de inventário para receber a sua cota.
2) A ESCRITURA DE CESSÃO (feita no Cartório de Notas e depois levada para o processo de inventário) serve apenas para o 3° poder se habilitar no processo de inventário, isto é, é mero instrumento para o cessionário se habilitar para receber em nome do herdeiro cedente (é caso de SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL). A TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE DO BEM só ocorrerá quando no REGISTRO DO FORMAL DE PARTILHA.
3) Art. 988, IV, CPC: O Cessionário do herdeiro ou legatário tem legitimidade para comunicar o óbito e abrir o inventário

VI - CAPACIDADE SUCESSÓRIA

1. CAPACIDADE SUCESSÓRIA
- É a APTIDÃO da pessoa para receber os bens deixados pelo finado (Caio Mário)
- Regra: TODOS têm capacidade sucessória para RECEBER, desde que vivos e concebidos (caso do nascituro – art. 1789). Pode ser beneficiada por testamento a prole de pessoas designadas e existentes ao abrir-se a sucessão (art. 1999, I, CC – Prole eventual)
- Exceções: A pessoa não pode receber herança por estar dentro das exclusões

2. EXCLUSÕES
									- Causas
		- Sucessão Legítima: Indignidade (art. 1814)	- Prazo
									- Efeitos
Exclusões	- Sucessão		- Art. 1801
 		 Testamentária					 - Causas
					- Deserdação (art. 1961) - Prazo
									 - Efeitos

2.1. EXCLUSÃO POR INDIGNIDADE (SUCESSÃO LEGÍTIMA)
- Há pessoas que, embora na ordem de sucessão legítima do art. 1829, não poderão receber: são os INDIGNOS
- INDIGNIDADE é a privação do direito, cominada por lei, a quem cometeu certos atos ofensivos à pessoa ou ao interesse do hereditando
- Causas de exclusão do indigno: Art. 1814
Tais causas podem ser resumidas em atentados contra a vida (I), a honra (II) e a liberdade do "de cujus" (III), e levam o autor a ser considerado indigno para com o titular da herança.
No caso de indignidade por homicídio ou tentativa de homicídio, o Código não exige a condenação. Se absolvido por falta de provas, pode no caso de declaratória de indignidade ocorrer essa prova e assim ser declarado (não herdará).

- Ex: Se matou a mãe, será excluído só da sucessão da mãe. Quando o pai morrer, futuramente, será excluído da sucessão do pai
Art. 1.815. A exclusão do herdeiro ou legatário, em qualquer desses casos de indignidade, será declarada por sentença.
Parágrafo único. O direito de demandar a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em quatro anos, contados da abertura da sucessão.

- Procedimento para obter a exclusão: Ato de ingratidão + Sentença final em ação declaratória de indignidade (art. 1815) = exclusão do indigno
- Ex: X atentou contra a vida do pai mas esse não morreu, veio a falecer depois, por causas naturais Os demais herdeiros (únicos com legitimidade, 3° não pode) deverão propor AÇÃO DECLARATÓRIA DE INDIGNIDADE
 A sentença de exclusão RETROAGE À DATA DA ABERTURA DA SUCESSÃO, para fins de considerar o excluído como não tendo sido jamais herdeiro.
 O processo declaratório de indignidade NÃO suspende o inventário (tem andamento normal). Só no final, na fase de elaboração de partilha é que se vê se há algum herdeiro excluído. 1/3 fica reservado na dependência da decisão da ação declaratória de indignidade.
 Ex.: X era indigno e morreu. Se Y e Z quiserem, podem, mesmo assim, propor ação declaratória de indignidade em face do espólio de X. Os bens que receberia vão para os seus descendentes.
 Ex: X falece antes de seu pai e os filhos de X atentam contra a vida do avô. Os filhos de X podem ser excluídos da sucessão.

- Transitada em julgado a sentença que excluiu o herdeiro, A SUA COTA NA HERANÇA SERÁ DEVIDA A SEUS HERDEIROS, COMO SE MORTO FOSSE (art. 1816).

- PRAZO para demandar a exclusão do herdeiro: de 4 anos contados da abertura da sucessão (art. 1815 § único)
 Abertura da sucessão = DATA DA MORTE (já caiu em concurso, dando a entender que esse prazo iniciaria da abertura do inventário)
 Pessoa falece em 10/01/2004 O prazo começa a correr a partir de 10/01/2004 e perdura por 4 anos

- Legitimidade para propor ação declaratória de indignidade: Aplicam-se as regras processuais referente à legitimidade processual em geral (art. 3°, CPC), isto é, qq um que tenha interesse e legitimidade, valendo notar que o juiz indeferirá a petição inicial quando a parte for manifestamente ilegítima ou faltar interesse processual ao autor (art. 295, II e III, CPC). (Sílvio Rodrigues)
- Os ATOS PRATICADOS pelo indigno em face de terceiros de boa-fé são válidos, porém podem os herdeiros demandá-lo em perdas e danos. (art. 1817)

- EFEITOS: Como é uma pena e a pena não pode ultrapassar a pessoa do acusado, os seus efeitos são pessoais, logo, OS DESCENDENTES DO HERDEIRO EXCLUÍDO SUCEDE COMO SE ELE FOSSE PRÉ-MORTO (art. 1816 caput, CC)

- Reabilitação do indigno: Art. 1818. Aquele que incorreu em atos que determinem a exclusão da herança será admitido a suceder, se o ofendido o tiver expressamente reabilitado em testamento, ou em outro ato autêntico.
 Caso em que a vítima PERDOA O AUTOR DA INGRATIDÃO, assim evitando que os outros herdeiros o excluam da sucessão, após a abertura desta. O perdão é ATO SOLENE, pois a lei só lhe dá eficácia se efetuado mediante ato autêntico ou de testamento, e a reabilitação tem de ser expressa.
 Ex: X atentou contra a vida do pai. O pai perdoa-o. Pode fazer um documento ou um testamento com essa DECLARAÇÃO DE PERDÃO, a fim de evitar que ele seja excluído da sucessão no caso de ação declaratória de indignidade.
 Pode ocorrer, todavia, de não haver reabilitação expressa, e ser o indigno contemplado em testamento do ofendido, quando o testador, ao testar, já conhecia a causa da indignidade. O indigno sucederá no limite da disposição testamentária (art. 1818, § único).

EFEITOS DA INDIGNIDADE
- Assim nos ensina Maria Helena Diniz:
Os descendentes do excluído o sucedem, por representação, como se o indigno já fosse falecido na data da abertura da sucessão (art. 1.816, do C.Civil). Os bens que o indigno deixa de herdar são devolvidos às pessoas