Civil VI_Aceitação e renúncia
17 pág.

Civil VI_Aceitação e renúncia

Disciplina:DIREITO CIVIL VI622 materiais12.398 seguidores
Pré-visualização7 páginas
que o herdariam, como se ele morto fosse, devido ao caráter personalíssimo da pena, que não deve ultrapassar a pessoa do delinqüente, ante a injustiça de se estender a outrem as conseqüências de um fato a que se mostrou alheio. Observe-se, no entanto, que a substituição do excluído da sucessão ocorre tão-somente na linha reta descendente (art. 1.816, do C.Civil); não podendo, em conseqüência, ser sucedido pelos ascendentes ou colaterais.
Retroação "ex tunc" dos efeitos da sentença declaratória da indignidade, pois, embora se reconheça a aquisição da herança pelo indigno, a legislação faz os efeitos da decisão judicial retroagirem à data da abertura da sucessão, considerando o indigno como pré-morto ao "de cujus". Assim, se o herdeiro indigno durante o período entre a data da abertura da sucessão e o reconhecimento da indignidade, tirou proveito dos frutos e rendimentos do acervo, deverá restituí-lo ao monte, uma vez que está no caso equiparado ao possuidor de má fé. Apesar disso, terá ele direito ao ressarcimento dos gastos que teve com a conservação dos bens até então em sua posse, pois a ninguém é lícito locupletar-se à custa alheia. Todavia, no seu efeito retroativo, a sentença não poderá causar prejuízos aos direitos de terceiros de boa fé, daí respeitarem-se os atos de disposição à título oneroso ou de administração praticados pelo indigno antes da sentença; mas aos co-herdeiros subsiste, quando prejudicados, o direito a demandar-lhe perdas e danos (art. 1.817, do C.Civil);
O excluído da sucessão não terá direito ao usufruto e à administração dos bens que a seus filhos menores couberem na herança, ou à sucessão eventual desses bens (parágrafo único, do art. 1.816, do C.Civil), uma vez que quanto ao produto da herança que foi considerado excluído, é equiparado ao morto civil e, em assim sendo, não poderia receber tais direitos. Desta forma, se um de seus filhos que o substituiu vier a falecer, sem descendentes, não poderá o excluído receber o que for deixado à título de herança.
Devemos também observar que o indigno não está proibido de representar o ofendido na sucessão de outro parente, já que a pena deve ser considerada restritivamente.

2.2. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA

2.2.1. EXCLUSÃO POR DESERDAÇÃO
- É o ato através do qual alguém, apontando como causa uma das razões permitidas em lei, afasta de sua sucessão, e por meio de testamento, um herdeiro necessário (Sílvio Rodrigues)
 Só posso excluir da sucessão os meus HERDEIROS NECESSÁRIOS através de um ato de última vontade (essa é uma das finalidades do TESTAMENTO)
 Ex: Meu filho atentou contra a minha vida. Posso excluí-lo da sucessão através da deserção. Nesse caso não será sucessão legítima mas testamentária.
 Como disposto no art. 1850, para excluir da sucessão os herdeiros legítimos não necessários, isto é, os COLATERAIS, basta ao testador dispor de seu patrimônio sem os contemplar, independentemente de qq justificativa ou declaração de causa. Contudo, para afastar os herdeiros necessários, tem de lançar mão da deserdação, com todos os requisitos que envolve.

2.2.1.1. EXCLUSÃO POR INDIGNIDADE X EXCLUSÃO POR DESERDAÇÃO:
1) - Exclusão por indignidade: Afasta da sucessão HERDEIROS LEGÍTIMOS ou TESTAMENTÁRIOS, NECESSÁRIOS OU NÃO.
 Ex: Pode ser excluído da sucessão por indignidade tanto o herdeiro legítimo que negou alimentos ao de cujus, quanto o legatário que atentou contra a vida daquele.
 - Deserdação: Serve apenas para afastar HERDEIRO NECESSÁRIO que se revelou INGRATO, privando-o até mesmo de sua legítima.
2) - Indignidade: Tem força geradora na LEI
 - Deserdação: Repousa na vontade do de cujus
- Deserdação: Só se pode basear em fatos ocorridos antes da morte do de cujus, pois este os deve articular em seu testamento
- Indignidade: Pode fundar-se em atos posteriores ou simultâneos à morte do hereditando, como na hipóteses de causá-la o homicídio de que este é vítima, e o herdeiro, o autor.

2.2.2.2. CONDIÇÕES DE EFICÁCIA DA DESERDAÇÃO
- O direito à herança é um direito constitucional, por isso, devem ser cumpridos 3 REQUISITOS para deserdar alguém:

(1) A deserdação só pode ser ordenada POR TESTAMENTO (deve-se exteriorizar a vontade) – (art. 1964)

(2) Causa expressa em lei: É preciso JUSTIFICAR O MOTIVO pelo qual se exclui da sucessão (arts. 1814, 1862 e 2863)
 TODAS AS CAUSAS DE EXCLUSÃO POR INDIGNIDADE (art. 1814) SÃO, TAMBÉM, DE DESERDAÇÃO MAS NEM TODAS AS CAUSAS DE DESERDAÇÃO (arts. 1814, 1962, 1963) SERVEM PARA CARACTERIZAR A INDIGNIDADE.

 Art. 1814: SÃO CASOS QUE AUTORIZAM A DESERDAÇÃO – TANTO PARA ASCENDENTES QUANTO DESCENDENTES
 Art. 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814, autorizam a DESERDAÇÃO DOS DESCENDENTES POR SEUS ASCENDENTES:
I - ofensa física;
II - injúria grave;
III - relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto;
IV - desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade.
 Se for interdito, ninguém poderá declarar deserdação em seu nome. Testamento é ato personalíssimo (é o ato jurídico + solene que existe). Assim, ainda que o descendente desampare seu ascendente interdito, nada poderá ser feito.

* Obs.: As causas do art. 1.814 possuem um caráter de pena civil que recai sobre o herdeiro que cometa tais atos contra a vida, a honra ou a liberdade do de cujus. E as causas do art. 1.962 são fundamentadas em pena civil, semelhante As do art. 1.814, ou na própria moral social.

 Art. 1.963. Além das causas enumeradas no art. 1.814, autorizam a DESERDAÇÃO DOS ASCENDENTES PELOS DESCENDENTES:
I - ofensa física;
II - injúria grave;
III - relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou a do neto, ou com o marido ou companheiro da filha ou o da neta;
IV - desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade.

(3) Ao herdeiro instituído ou àquele a quem aproveite a deserdação incumbe PROVAR ATRAVÉS DE AÇÃO PRÓPRIA A VERACIDADE DA CAUSA ALEGADA PELO TESTADOR (art. 1965, CC). Não se provando a causa, é nula a instituição da deserdação e nula a disposição que prejudique a legítima do herdeiro necessário Isto é, os demais herdeiros deverão provar aquilo que o testador citou na cédula testamentária (art. 1965). Essa prova é feita em juízo e através de AÇÃO ORDINÁRIA.

 Art. 1.965. Ao herdeiro instituído, ou àquele a quem aproveite a deserdação, incumbe provar a veracidade da causa alegada pelo testador.
 “A quem aproveite a deserdação”: Se X for deserdado em testamento, SUA COTA VOLTARÁ PARA O MONTE (não vai para os seus filhos, como ocorria a indignidade) e será subdividida entre os demais herdeiros.

 Prazo para provar a causa de deserdação: 4 anos da data da abertura da sucessão (art. 1965 § único)

 Art. 1.965 § único. O direito de provar a causa da deserdação extingue-se no prazo de quatro anos, a contar da DATA DA ABERTURA DO TESTAMENTO.
 Cuidado: É data da abertura do testamento. Não é data do falecimento, é a data em que se intentou ação de abertura e cumprimento de testamento.
 “Abertura do testamento” = Quando o testamenteiro ou um dos herdeiros apresenta o testamento em juízo ao juiz (em um ato chamado de cumprimento de abertura de testamento) para o seu devido cumprimento
 Testamenteiro = Aquele indicado pelo testador na cédula testamentária para cumprir sua última vontade
 Testamento: Sempre por escritura pública
 Na ação de abertura e cumprimento de testamento o juiz observa se os requisitos foram cumpridos e ordena o seu cumprimento. É uma ação que corre paralelamente ao inventário mas, como o inventário depende do testamento, quase todos os juízes mandam apensar. Se o testamento for considerado:
- Legítimo: A sucessão será testamentária
- Ilegítimo: A sucessão será legítima

* Obs:
1) Onde entra o cônjuge? Posso deserdar?
	A princípio, o cônjuge não é herdeiro, é concorrente. Será herdeiro dependendo do regime de bens. Separados de fato até 2 anos e não separados judicialmente ainda é considerado cônjuge. Se há + de 2 anos, não herda, ainda que não separados judicialmente.
2) Art. 1723 fala do prazo para se comprovar a união estável.