Civil VI_Sucessão dos colaterais
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Civil VI_Sucessão dos colaterais

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unilaterais, cada um destes herdará a metade do que herdar cada um daqueles.

 OS SOBRINHOS HERDARÃO POR CABEÇA (por direito próprio), sendo que a regra de distinção entre irmãos uni e bilaterais continua a ser aplicada. Assim:
- Marcos (filho de Léa): herda 2/5
- Leo, Gil e Ana (filhos de Clara): dividem entre si 2/5
- João e José (filhos de Maria): dividem entre si o 1/5
OU
- Marcos: herda 2/10
- Leo, Gil e Ana: herdam 2/10 cada
- João e José: herdam 1/5 cada

 Outro exemplo:

		 X				 X			
Maria ---------- Léo ---------- Gil ---------- Alberto ---------- Gustavo ---------- Jorge

 Carla Antônio		 José João Joaquim

Falece 			 Renúncia abdicativa		 Cessão de 	Tentou
			 Com dívida de 50.000,00 no BB	 direitos para matar
								 Joaquim		 Maria

X = pré-falecido

- Maria: sem ascendentes, sem filhos, sem cônjuge. Falece deixando herança de 1.800.000,00. Testamento feito em 2004 legando 1 terreno de R$ 10.000,00 em favor de Jorge
- Léo: Irmão bilateral de Maria, pré-falecido
- Gil: Bilateral. Sem filhos. Renúncia abdicativa
- Gustavo: Bilateral, vivo. Cessão de direitos hereditários em favor de Joaquim
- Alberto: Unilateral, pré-falecido
- Jorge: Bilateral. Tentativa de homicídio em face de Maria em 2002

1º) A sucessão se dará na LINHA COLATERAL (art. 1829, IV c/c 1839)
2º) A sucessão é LEGÍTIMA E TESTAMENTÁRIA (art. 1786: A sucessão dá-se por lei ou por disposição de última vontade). Portanto, a sucessão é HÍBRIDA
3º) Haverá DIREITO DE REPRESENTAÇÃO (Carla, Antonio, José, João e Joaquim) (art. 1853) e DIREITO PRÓPRIO (Gil, Gustavo e Jorge)
4º) RENÚNCIA ABDICATIVA DE GIL: seu quinhão volta para o monte, A PRINCÍPIO, já que ele tem uma dívida com o BB

5º) 4 irmãos bilaterais (Léo, Gil, Gustavo e Jorge) e 1 unilateral (Alberto: 1 parte) – art. 1841
- Léo, Gil, Gustavo, Jorge: 2/9 (400.000 para cada um)
- Alberto: 1/9 (200.000)

6ª) Dívida de Gil: 50.000,00
 Quinhão de Gil: 400.000,00
Sobra 350.000,00 - Prevalece a renúncia sobre esse remanescente, que volta para o monte e que fica em 1.750,00
Renúncia = arts. 1810 e 1813 §2º

7º) Jorge praticou crime tentado de homicídio (art. 1814, I). É passível se ser acionado por indignidade mas houve perdão tácito de Maria (art. 1818) que, em 2004, beneficiou-o no testamento. Portanto, Jorge será beneficiado tanto como legatário como com o quinhão.
 1.750,00 - 10.000,00 (terrreno) = 1.740,00

* Obs.: O terreno poderia ter sido tirado logo no início da divisão

8º) Refazendo a divisão (agora sem Gil, que renunciou):
 Sobraram 3 bilaterais e 1 unilateral. Logo, a divisão ficará em:
- 2/7 (para Léo, Gustavo, Jorge) e
- 1/7 para Alberto

9º) Cessão de direitos hereditários (art. 1793): Gustavo cedeu para Joaquim
 Gustavo pode fazer essa cessão?
 Só pode fazer se respeitar o direito de preferência nas mesmas condições de preço e pagamento para os demais herdeiros da mesma classe (1794).
 Se fosse uma renúncia translativa, poderia (lembrando que a renúncia translativa só pode ser feita a favor de herdeiro e a cessão pode ser feita em favor de terceiro, desde que respeitado o direito de preferência dos demais herdeiros da mesma classe).
 Supondo que Gustavo tivesse respeitado o direito de preferência dos demais herdeiros, poderia o quinhão de Gustavo ir para Joaquim (receberá 1/21 + 2/7)
1/7 ÷ 3 = 1/21

10º) Art. 1843 §2°(Se concorrem filhos de irmãos bilaterais com filhos de irmãos unilaterais, cada um destes herdará a metade do que herdar cada um daqueles.)
- Jorge = herda por direito próprio (2/7 + terreno)
- Carla e Antonio: dividem 2/7 entre si
- José, João e Joaquim: 1/21 cada
- Joaquim recebera no total: 1/21 + 2/7

* Obs: Na resolução de problemas como este
1º) Tira o legado e sucessão testamentária
2º) Renúncia

POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DOS COLATERAIS DA SUCESSÃO
Ascendentes e descendentes são herdeiros necessários e legítimos, portanto, não podem ser excluídos da sucessão.
Os colaterais até 4° grau (irmãos, sobrinhos, tios, primos, tios-avós, sobrinhos-netos) são HERDEIROS LEGÍTIMOS (art. 1829, IV) mas não são herdeiros necessários (art. 1845). Portanto, o autor da herança pode excluí-los da sucessão sem limitação alguma, bastando que faça testamento dispondo de todo seu patrimônio, sem os contemplar.
Ricardo Ribeiro fez um comentário
  • Eu tenho uma tia avó, irma de meu avô por parte de pai, ela é solteira e possui apenas primos irmãos e 2 sobrinhos netos ( eu e minha irmã). Caso ela venha a falecer quem tem direito a herança? Obrigado,
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