Civil VI_Sucessão dos descendentes e ascendentes
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Civil VI_Sucessão dos descendentes e ascendentes

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A		M

		 X	 Y	 Z T

		
1) Se A for casado sob o regime da CTB com M, ela terá direito a 50% de tudo a título de meação (M = meeira, comunheira).
 Assim, se A morrer ou se eles se separarem, M terá direito a 50% de tudo.

2) E se A for casado sob o regime da STB com Maria?
Ler o art. 1829:

Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, SALVO SE casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares

REGRA: O cônjuge, além de ser herdeiro necessário, CONCORRE COM DESCENDENTES, dependendo do regime de bens adotado no casamento; OU COM OS ASCENDENTES, em não havendo descendentes.

EXCEÇÃO: O cônjuge NÃO CONCORRERÁ se o regime de bens for o da:
a) CTB (COMUNHÃO TOTAL DE BENS): Aqui, ao cônjuge supérstite caberá, por força do regime de bens, metade do patrimônio do casal. Talvez, por esse motivo, o legislador tenha negado ao cônjuge sobrevivente o direito a herdar em concorrência com os descendentes.

b) SOB (SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS) (art. 1.640, § único)
O art. 1.641, CC impõe o regime da separação obrigatória (a) às pessoas que contraírem o matrimônio sem observar as causas suspensivas da sua celebração (art. 1.523, CC); (b) à pessoa maior de 60 anos; (c) a todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.
    Na forma da Súmula nº 377, STF, "no regime de separação legal de bens, COMUNICAM-SE OS ADQUIRIDOS NA CONSTÂNCIA DO CASAMENTO". A prevalecer esse entendimento, na nova ordem civil, ao cônjuge sobrevivente competirá 1/2 dos bens adquiridos na constância do matrimônio. Logo, desnecessário seria atribuir-lhe, em concorrência com os descendentes, mais alguma cota da herança.

c) CPB (COMUNHÃO PARCIAL DE BENS), se o falecido NÃO deixou bens particulares: a lei excepciona, também, o cônjuge supérstite casado pelo regime da comunhão parcial, desde que não haja bens particulares (art. 1.659, incisos I e II, do novo Código Civil ), PORQUE AÍ TOCAR-LHE-Á APENAS A MEAÇÃO.
 HAVENDO PATRIMÔNIO PARTICULAR, ele receberá MAIS UMA PARCELA SOBRE TODO O ACERVO, ALÉM DE SUA MEAÇÃO, se casado sob o regime de comunhão parcial ou da separação convencional, já que a lei não o exclui.

 Miguel Reale nos explica:
[...] durante dezenas de anos vigeu no Brasil, como regime legal de bens, o regime de comunhão universal, no qual o cônjuge sobrevivo não concorre na herança, por já ser "meeiro". Com o advento da Lei 6.515, de 21 de dezembro de 1977 (Lei do Divórcio), o regime legal da comunhão de bens no casamento passou a ser o da comunhão parcial. Ampliado o quadro, tornou-se evidente que o cônjuge, sobretudo quando desprovido de recursos, corria o risco de nada herdar no tocante aos bens particulares do falecido, cabendo a herança por inteiro aos descendentes ou aos ascendentes. Daí a IDÉIA DE TORNAR O CÔNJUGE HERDEIRO NO CONCERNENTE AOS BENS PARTICULARES DO AUTOR DA HERANÇA.

Na verdade, diante das ressalvas legais, O CÔNJUGE SOBREVIVENTE HERDARÁ EM CONCORRÊNCIA COM OS DESCENDENTES somente nas hipóteses de:
- STB (Separação Total de Bens)
- CPB (Comunhão Parcial de Bens), existindo bens particulares do falecido
- Participação final nos aqüestos.

R:	Assim, sendo o regime de bens o da STB, M NÃO TERÁ DIREITO À MEAÇÃO por força do regime mas CONCORRE com os filhos por força do art. 1829.

3. PARTILHA DO QUINHÃO HEREDITÁRIO ENTRE CÔNJUGE E DESCENDENTES
Art. 1.832:
 1ª parte: “Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça”
- Caso em que o CÔNJUGE CONCORRE COM DESCENDENTES APENAS DO DE CUJUS: a herança dividir-se-á em PARTES IGUAIS, partilhando-se, portanto, POR CABEÇA, cabendo uma das partes ao cônjuge e aos demais aos descendentes.
- No exemplo dado, se os 4 filhos fossem do casamento anterior de A, cada um levaria 20% (1/5). Se fossem 8 filhos do casamento anterior de A, ficaria 1/9 para cada. Vê-se que, aqui, não existe a cota reservada de ¼ que existe quando os descendentes são comuns do de cujus e do cônjuge supérstite.
* Portanto:
Se os filhos forem SÓ DO FALECIDO, o cônjuge divide com os descendentes em COTAS IGUAIS e NÃO EXISTE COTA RESERVADA de 1/4

 2ª parte: “não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com quem concorrer.”
- Caso em que o CÔNJUGE CONCORRE COM DESCENDENTES COMUNS: o sobrevivo nunca poderá receber quota inferior a 1/4 parte (25%)
- Assim, no exemplo dado, havendo 4 filhos, M terá que receber 25% e os 75% serão divididos entre os 4 filhos (3/4 4 ou 75% 4 = 18,75% para cada filho)
- E se só houvessem 2 filhos?
 Ficaria 1/3 para cada um (2 filhos e M). M só não poderia receber menos que a ¼ parte (1/3 > ¼)

 CÔNJUGE CONCORRENDO COM DESCENDENTES COMUNS E DESCENDENTES DO DE CUJUS
 E se fossem 4 filhos, sendo 3 descendentes comuns de A e M e 1 filho do casamento anterior de A?
R:	Havendo filhos que não são do cônjuge sobrevivente e filhos que são de ambos (cônjuge sobrevivente e falecido), divide-se a herança em cotas iguais, sem reserva de cota mínima. Só haverá a cota mínima se TODOS os filhos forem do cônjuge supérstite com o de cujus (porque é exceção, um benefício)

Isso tudo se for STB (Separação Total de Bens) ou CPB (Comunhão Parcial de Bens), sendo que na CPB o cônjuge supérstite herdará em concorrência com os descendentes com relação aos BENS PARTICULARES (que não se comunicam com os do cônjuge) e, se houver BENS COMUNS, o cônjuge terá direito a 50% a título de meação.
 Ou seja, se for CPB com bens:
- particulares: o cônjuge não terá direito à meação mas concorrerá à herança
- comuns: terá direito à meação e não concorrerá à herança

 Exemplo:
 Se o regime de bens fosse o da CPB e os bens de A fossem:
- Casa: 100.000,00 adquirida antes do casamento (bem particular)
- Apto: 200.000,00 comprado na constância do casamento (bem comum) M terá direito a 50% a título de meação
	
 Iriam para o monte:
- 50% do apto: M não concorreria (pois já levou a título de meação) e o imóvel seria dividido entre os 4 filhos (12,5% para cada)
+
							 - Viúva: 25% (1/4)
- 100% da casa: M concorreria com os filhos	 - 75% dividido entre os 4 filhos
							 (18,75%), já que são comuns
		
 Outro exemplo:

			A		M

	 X 	 Y Z T
 (filho extra)

- Casa: 120.000,00 adquirida antes do casamento
- Terreno: 160.000,00 comprado na constância do casamento

	REGIME
	M
	X
	Y
	Z
	T

	1) CTB
	50%
	12,5%
	12,5%
	12,5%
	12,5%

	2) STB
	20% (1/5)
	20%
	20%
	20%
	20%

	3) SOB
	50% terreno
	¼ casa
1/8 terreno
	¼ casa
1/8 terreno
	¼ casa
1/8 terreno
	¼ casa
1/8 terreno

	4) CPB
	50% terreno
1/5 casa
	12,5% terreno
1/5 casa
	12,5% terreno
1/5 casa
	12,5% terreno
1/5 casa
	12,5% terreno
1/5 casa

1) CTB (Comunhão Total de Bens)
- M: 50% de tudo por meação por causa do regime
 Não herda nada (interpretação a contrario sensu do art. 1.829, I)
- X, Y, Z, T: 12,5% cada do saldo restante

2) STB (Separação Total de Bens)
- M: Não tem meação
 Herda 1/5 (por causa do filho extra) do total da herança	

3) SOB (Separação Obrigatória de Bens)
- M: Direito a 50% do terreno a título de meação por força da Súmula 377, STJ.
(50% = 4/8) (art. 1829, I) e não concorrerá à herança.

4) CPB (Comunhão Parcial de Bens)
- M: Direito a 50% do terreno pelo regime (bem comum)
 20% (1/5) da casa por herança (porque é bem particular)
- Filhos: 1/5 da casa
	 1/8 do terreno (12,5%)

X - SUCESSÃO DO ASCENDENTE (art. 1829, II c/c arts. 1836 e 1837)
- Esgotando-se toda a linha descendente (“até o infinito”), passa-se à linha ascendente, onde sempre haverá a CHAMADA DOS + PRÓXIMOS EM DETRIMENTO DOS MAIS REMOTOS (art. 1836 §1°).
- Na linha do ascendente, NÃO HAVERÁ DIREITO DE REPRESENTAÇÃO, logo, os ascendentes herdarão, SEMPRE, por DIREITO PRÓPRIO (iure próprio) Art. 1852, in fine.
- A DIVISÃO DA HERANÇA