Civil VI_Sucessão dos descendentes e ascendentes
11 pág.

Civil VI_Sucessão dos descendentes e ascendentes

Disciplina:DIREITO CIVIL VI622 materiais12.397 seguidores
Pré-visualização4 páginas
faz-se por LINHAS MEIO A MEIO (art. 1836 §1°)

 Considere o seguinte caso:

 Avô paterno	 Avó paterna	 	 Avô materno Avó materna

 Mario (pai)				 Maria (mãe)

 Jaime (falecido e sem descendentes)

- Suponha que Jaime seja solteiro e que Mário (pai) seja pré-falecido Será chamado o ascendente do MESMO GRAU + PRÓXIMO, que é Maria. Importa ressaltar que os avós paternos não herdarão no lugar de Mário, pois não existe direito de representação na linha ascendente (art. 1852). Desta forma, nesse caso, Maria herdará tudo (100%) – (art. 1836 §1°).
- Caso Maria também fosse pré-morta, a sucessão passaria ao 2º grau de ascendentes, que possui uma importante característica: NÃO SE HERDA POR CABEÇA MAS POR FAMÍLIA (art. 1836 §2°). Assim, a partilha será feita entre os ascendentes do pai (herda 50%, dividido entre os avós paternos) e os ascendentes da mãe (herda 50%, dividido entre os avós maternos).10
- Se o avô paterno estivesse pré-morto, a avó paterna ficaria com todos os 50% e os avós maternos dividiriam entre si os 50% (cada um receberia 25%).
- Agora suponha que os pais de Jaime estejam vivos e que ele seja casado Aplicação do art. 1829, II: o cônjuge concorre com os ascendentes INDEPENDENTEMENTE do regime de bens Isto é: o cônjuge poderá ou não ter direito a meação (dependerá do regime de bens) mas SEMPRE será herdeiro. Veja-se que é preciso 1° aplicar o direito de família (para separar o que é do cônjuge por direito) para, depois, realizar a partilha.
- Assim, considere que Jaime seja casado com Ana e, tendo falecido, deixe os seguintes bens:
- Casa adquirida antes do casamento
- Apto adquirido na constância do casamento

- Se eles eram casados sob o regime da COMUNHÃO TOTAL DE BENS:
- Ana terá direito a 50% dos bens a título de meação.
- Os outros 50% serão inventariados. Por força dos arts. 1836, 1837 c/c 1829, II, Ana concorrerá com os ascendentes (pai e mãe) pela herança.
- Se eles eram casados sob o regime da SEPARAÇÃO TOTAL:
- Ana não terá direito à meação
- Contudo, Ana concorrerá com os pais de Jaime pela totalidade dos bens

 Partilha da herança entre os ascendentes e o cônjuge: art. 1837 (seja qual for o regime):
- Se Jaime tem os 2 pais vivos: pai, mãe e Ana concorrem 1/3 para cada
- Se Jaime só tem a mãe: Ana e mãe concorrem ½ para cada
- Se Jaime não tem os pais mas tem os avós: - Ana 50%
						 - 50%	- 25% para avós paternos
						 		- 25% para avós maternos	

- Agora considere que apenas estejam vivos a avó paterna e os avós maternos de Jaime, sendo este casado com Ana. Os bens deixados pelo de cujus são:
- Casa adquirida antes do casamento
- Apto adquirido na constância do casamento

 Como fica a partilha dos bens nos regimes da:
a) CTB
- Ana: Com direito a 50% da casa e 50% do apto, a título de meação por força do regime
- Quanto aos 50% restantes:
 Ana com direito a 25% (1/4) por herança
 25%	- avós maternos: 12,5% da casa e do apto (6,25% para cada)
	 	- avó paterna: 12,5% da casa e do apto

* Portanto: Ana fica com o total de 75% do patrimônio de Jaime

* Obs:
1) Supondo que X seja casado com Y sob o regime da comunhão total de bens (cada um com 50% do patrimônio), se X deixar a parte disponível para Y e não havendo descendentes, só a mãe, Y receberá:
- 50% meação
- 25% do testamento	 87,5%	
- 12,5% da legítima	

2) Lembrar que na COMUNHÃO PARCIAL DE BENS: O cônjuge tem direito à meação somente sobre os bens adquiridos ONEROSAMENTE na constância do casamento.
3) Art. 1.849. O herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte disponível, ou algum legado, não perderá o direito à legítima

b) Comunhão Parcial de Bens
- Ana: 50% do apto (meação)
- 50% do apto	 - Ana: 25% do ato e 50% da casa (art. 1837)	
 100% da casa 	 - Avó paterna: 12,5% do apto e 25% da casa
			 - Avós maternos: 6,25% do apto e 12,5% da casa

c) Separação Legal de Bens
- Ana terá direito a 50% do apto, a título de meação (Súmula 377, STF)
- A resolução fica = ao caso anterior

HERANÇA: IURE PROPRIO. IURE REPRESENTATIONES.

		 Antônio		Patrícia

 Fátima Jair 	 José Juarez

 Lea Mario Carlos Mel Leo Ana Bia

- Antônio falece
- Patrimônio: 500.000,00 adquirido na constância do casamento.

Separação Total de Bens
- Se fosse uma separação, Patrícia não teria direito a nada
- No entanto, tendo havido a morte de Antônio, muito embora Patrícia não tenha direito à meação, terá direito à herança, de forma de concorrerá com os descendentes (art. 1829, I) e a partilha se dará em frações iguais (art. 1832), por haver descendente exclusivamente do de cujus. Cotas de 20% cada.
- Se Fátima também fosse filha de Patrícia, Patrícia ficaria com 25% e os 75% seriam divididos entre os 4 filhos

- O que ocorreria se Fátima renunciasse pura e simplesmente e fosse filha do casal?
R:	Sua cota iria para o monte, sendo, daí, subdividido entre os demais herdeiros.

- E se todos da mesma classe renunciassem (Fátima, Jair, José e Juarez)?
R:	Essa renúncia retroagiria à data da sucessão e tudo se processaria como se todos estivessem mortes. Assim, a sucessão passaria à classe subseqüente (são 7), de forma que Patrícia teria que dividir com 7 (portanto, dividiria a herança em 8).

- O que ocorreria se um dos descendentes do de cujus tivesse falecido antes dele?
 Por ex: Se Juarez fosse herdeiro pré-falecido, sua cota iria para seus descendentes, que herdariam em nome do pai: receberiam a herança por direito de representação e não por direito próprio. Ocorreria, assim, a hipótese contemplada no art. 1833:

Art. 1.833. Entre os descendentes, os em grau mais próximo excluem os mais remotos, salvo o direito de representação

* Portanto:
- Fátima, Jair e José receberiam a herança por direito próprio
- Léo, Ana e Bia receberiam a herança por direito de representação

- Fátima, Jair e José: receberão 1/5 da herança cada
- Léo, Ana e Bia: terão que dividir 1/5 entre si (1/53 = 1/15)

		 Antônio		Patrícia (1/5)

 Fátima Jair 	 José Juarez	 Fátima, Jair e José = 1/5

 Lea Mario Carlos Mel Leo Ana Bia Leo, Ana e Bia = 1/15

FORMAS DE DIVISÃO DA HERANÇA OU PARTILHA
a) POR CABEÇA
- É a divisão (partilha) entre descendentes DA MESMA CLASSE.
- Ex.: Se Juarez não estivesse morto, a herança seria dividida entre herdeiros da mesma classe (descendentes de 1° grau).

b) POR ESTIRPE
- É a partilha entre descendentes que NÃO SÃO DA MESMA CLASSE (ex: cônjuge e descendentes)
- Ex.: Se Juarez estivesse morto, a herança seria dividida entre descendentes que não são da mesma classe (tios e sobrinhos) A partilha dos bens seria POR ESTIRPE e os filhos de Juarez herdariam POR REPRESENTAÇÃO

* Obs.: Esquecer o cônjuge pois ele HERDA POR CONCORRÊNCIA

- E se todos os filhos do de cujus (do casal ou não) estivessem mortos? (todos pré-falecidos)
R:	Nesse caso, estando todos os descendentes de 1° grau pré-falecidos, serão chamados os descendentes da classe subseqüente, que herdarão POR DIREITO PRÓPRIO (art. 1829, I c/c 1833).
	Patrícia concorrerá POR CABEÇA com os netos, de forma que receberão todos 1/8.

		 Antônio		Patrícia (1/8)

 Fátima Jair 	 José Juarez	 Todos pré-falecidos

 Lea Mario Carlos Mel Leo Ana Bia Todos herdam 1/8

	Comparando com a cota que receberia se apenas Juarez estivesse morto, nesta situação Patrícia herdou cota menor (1/8 < 1/5) e Leo, Ana e Bia agora herdariam cota maior (1/8>1/15).

- Se Lea e Mario, assim como sua mãe Fátima, também estivessem mortos, seriam como se não existisse descendente exclusivamente do de cujus, e Patrícia ficaria com a cota mínima de ¼ (art. 1832), já que TODOS OS NETOS SERIAM DO CASAL.

- E se Juarez fosse pré-falecido e Ana renunciasse?
 A cota de Ana voltaria para o monte mas no nível do Juarez.

 Juarez (1/5)

 Leo Ana Bia
(1/15) (1/15) (1/15)

- E se, estando todos os descendentes de 1° grau vivos, Fátima renunciasse?
R:	Se ela renunciasse,