Civil VI_Sucessões_Introdução
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pessoas), inclusive para um dos herdeiros necessários mas, se assim for, só pode um percentual, não pode ser um bem singular.

 Ex4.: Sou viúva e tenho 2 aptos, um de 100.000,00 e outro de 120.000,00 (total do patrimônio = 220.000,00)
- 50%: 110.000 para meus herdeiros necessários
- Se eu deixar para Y o apto de 120.000,00, esse apto não poderá ir na totalidade para Y, senão ultrapassa os 50% dos herdeiros necessário. Nesse caso, o juiz ordenará a REDUÇÃO DA LIBERALIDADE (Y só poderá recEber 93% dos bens)

8. PRINCÍPIOS

8.1. DIREITO À HERANÇA (direito constitucional)
- Até o momento da sua divisão (até a partilha), a herança é considerado BEM IMÓVEL (art. 80, II, CC) Ou seja, o monte inventariado é considerado bem imóvel, tanto é que a transmissão de um bem ANTES da partilha deverá ser por ESCRITURA PÚBLICA (chamada de CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS). Posso ceder uma cota para outro herdeiro ou para 3°.

 Indivisibilidade da herança quando de sua transmissão

Art. 1.791: A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os herdeiros.
 Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos co-herdeiros, quanto à propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio.

Natureza jurídica da herança: universalidade de direito (universitas ius)

 Indivisibilidade da herança e suas conseqüências

O co-herdeiro não pode vender ou hipotecar parte concreta da herança;
Qualquer co-herdeiro pode reclamar a posse da universalidade da herança de terceiros que a detenham indevidamente.
O quinhão de cada um somente será identificado na partilha.

8.2. ISONOMIA DOS HERDEIROS
- Se for SUCESSÃO LEGÍTIMA, sempre em partes iguais
- Art. 227 §6°, CF

9. PRINCÍPIO DE SAISINE
- No Brasil, a abertura da sucessão e a transmissão dos bens obedece um princípio conhecido como Saisine;
Traduz o imediatismo da transmissão dos bens;
No momento da morte, a sucessão é aberta e, automaticamente, se transmite a herança aos herdeiros legítimos e testamentários (art. 1.784);

- O herdeiro tem a legitimatio ad causam para intentar ou continuar as ações contra quem quer traga moléstia à posse, ou pretenda impedir que os herdeiros nela se invistam;
Apesar do herdeiro somente possuir uma fração do monte e não a totalidade do acervo, é reconhecido o poder defensivo de sua totalidade;
Equiparação com as regras aplicadas ao condomínio (art. 1.791);

	Se, após a abertura da sucessão, o herdeiro vem a falecer, transmite a propriedade e a posse da herança aos seus sucessores;
Ainda que não houvesse manifestado a sua aceitação ou mesmo desconhecesse sua existência

II - ABERTURA DA SUCESSÃO: TEMPO E LUGAR. HERANÇA: CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA. TRANSMISSÃO DA HERANÇA.

1. CONCEITO DE HERANÇA
- Conjunto de bens, direitos e deveres patrimoniais, ou seja, a universalidade das relações jurídicas de caráter patrimonial em que o falecido era sujeito ativo ou passivo. (Arnoldo Wald).
- Também é chamada de ESPÓLIO ou MONTE

2. SUCESSÃO ABERTA
- Considerada um BEM IMÓVEL (art. 80, II, CC)

3. MOMENTO DA ABERTURA DA SUCESSÃO
- Coincide com o MOMENTO DA MORTE
 Morte = Prova-se através da CERTIDÃO DE ÓBITO, emitida pelo Registro Civil

5. IMPORTÂNCIA
a) Importância da determinação do TEMPO da ABERTURA DA SUCESSÃO: ela se regerá pela LEI ENTÃO VIGENTE (art. 1.787).
Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura daquela.

Ex: CC/2002 entrou em vigor no dia 11/01/2003

10/01/2003					11/01/2003
Morte: 11h59					Morte: 0:01

A lei sucessória é a do CC 1916,		 A lei sucessória aplicável é o CC 2002:	
ainda que se abra o inventário		 ainda que o regime do casamento seja
em 2008. Se o casamento foi sob		 o da separação total, a viúva herda
o regime da separação total, a
viúva nada herdará
Art. 1784: Aberta a sucessão, a herança transmite-se desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários.

b) LUGAR DA ABERTURA DA SUCESSÃO (ESTABELECIMENTO DA COMPETÊNCIA JURISDICIONAL PARA PROCESSAR O INVENTÁRIO): O do último domicílio do de cujus (art. 1785)
 Art. 1785 - “A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido.” (Domicílio – artigo 70: “O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo.”)
 Artigo 96 do CPC: “O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade e todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
 Casos em que o autor da herança não possuía domicílio certo: o da situação dos bens;
 Casos em que ele não tinha domicílio certo e bens em lugares diferentes: o do lugar em que ocorreu o óbito. (Par. único do art. 96 do CPC)

b) LEI APLICÁVEL: A do último domicílio (art. 10, LICC), salvo se de bens de estrangeiro, lei brasileira ou do domicílio do de cujus, se for mais favorável ao cônjuge ou filhos brasileiros.

c) CAPACIDADE PARA SUCEDER
- É a do tempo da abertura da sucessão (art. 1787, CC)
- Aplica-se a lei do domicílio do herdeiro ou legatário para a capacidade para suceder (art. 10 §2°, LICC)
- Quem possui: Em regra, a pessoa viva ou, no mínimo, concebida (como é o caso do nascituro). As incapacidades serão abordadas em outra aula, como o caso do indigno.

6. MORTE PRESUMIDA x AUSÊNCIA

6.1. MORTE PRESUMIDA (art. 7°)
- A morte presumida, sem decretação de ausência, se encontra prevista no art. 7º:
a) se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida
b) se desaparecido em campanha ou feito prisioneiro não for encontrado até 2 anos após o término da guerra

6.2. AUSÊNCIA
- A sucessão nos bens do ausente não se qualifica como sucessão causa mortis;
Os bens do ausente não são considerados herança;
Visa resolver o inconveniente social e econômico da acefalia do patrimônio em razão do afastamento do domicílio (Caio Mário);

- Ausente é a pessoa que desaparece de seu domicílio, sem que dela haja notícias, e sem deixar representante ou procurador, ou deixando, este não queira ou não possa continuar exercendo o mandato ou administrando os bens daquele. Assim prescrevem o CC e o CPC, ao tratarem da Curadoria dos bens do ausente, arrecadação e sucessão dos bens daquele, respectivamente.

Desaparecido alguém nas condições acima assinaladas, presume-se ausente referida pessoa. Para que esse fato tenha efeitos jurídicos, necessário se faz a provocação do Judiciário pelo interessado ou pelo Ministério Público, para que seja declarada ausência e nomeado um curador para administrar os bens do ausente.

CURADORIA DOS BENS DO AUSENTE
A curadoria dos bens do ausente é a primeira fase do processo de sucessão de ausentes. Nessa fase o ordenamento jurídico procura preservar os bens deixados pelo ausente, para hipótese de seu eventual retorno.

Arrecadam-se os bens do ausente, providência que o juiz pode determinar de ofício. Após a arrecadação dos bens será nomeado um curador, pessoa responsável para cuidar do patrimônio do ausente.Será nomeado curador: a) o cônjuge, desde que não separado judicialmente ou, de fato, por mais de dois anos; b) em sua falta, o pai, a mãe ou os descendentes, nessa ordem, precedendo os mais próximos os mais remotos; c) na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador.

A sentença deve ser registrada no Registro Civil de Pessoas Naturais, no cartório do domicílio anterior do ausente, produzindo os mesmos efeitos do registro de interdição.

Feita a arrecadação, publicam-se editais, reproduzidos de dois em dois meses, anunciando a arrecadação e chamando o ausente a entrar na posse de seus bens.

A curadoria cessa, por sentença averbada no livro de emancipação, interdições e ausência: a) comparecendo o ausente, seu procurador ou quem o represente; b) sobrevindo certeza da morte do ausente; c) sendo aberta a sucessão provisória.

SUCESSÃO PROVISÓRIA

Prolongando-se a ausência o legislador passará a se preocupar com o interesse dos sucessores, a situação jurídica do patrimônio