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Disciplina:GEOGRAFIA ECONÔMICA1.053 materiais9.192 seguidores
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o salário anual de um operário, que se eleva, vamos supor, a 52 libras
esterlinas, pode ser pago com um único “soberano”,12 que todas as semanas
percorra o mesmo ciclo. Na própria Inglaterra, esse mecanismo de paga-
mento não é tão perfeito como na Escócia, nem apresenta a mesma per-
feição em todos os lugares; por isso vemos que, por exemplo, em alguns
distritos agrícolas, comparados com os distritos fabris, muito mais moeda
é necessária para fazer circular um menor volume de valores.

Se atravessardes a Mancha, observais que no Continente os sa-
lários em dinheiro são muito mais baixos do que na Inglaterra, e,
apesar disso, na Alemanha, na Itália, na Suíça e na França, esses
salários são postos em circulação mediante uma quantidade muito
maior de moeda. O mesmo “soberano” não é interceptado com tanta
rapidez pelo banqueiro, nem retorna com tanta presteza ao capitalista
industrial; por isso, em vez de um “soberano” fazer circular 52 libras
anualmente, talvez sejam necessários três “soberanos” para movimen-
tar um salário anual no montante de 25 libras. Desse modo, ao comparar
os países do Continente com a Inglaterra, vereis, em seguida, que
salários baixos em dinheiro podem exigir, para a sua circulação, quan-
tidades muito maiores de moeda do que salários altos e que isso, na
realidade, é uma questão meramente técnica e, como tal, estranha ao
nosso assunto.

De acordo com os melhores cálculos que conheço, a renda anual
da classe operária deste país pode ser estimada nuns 250 milhões de
libras esterlinas. Essa soma imensa se põe em circulação com uns 3
milhões de libras. Suponhamos que se verifique um aumento de salários
de 50%. Em vez de 3 milhões seriam precisos 4,5 milhões de libras
em dinheiro circulante. Como uma parte considerável dos gastos diários
do operário é coberta em prata e cobre, isto é, em meros signos mo-
netários, cujo valor relativo ao ouro é arbitrariamente fixado por lei,
tal como o papel-moeda inconversível, resulta que essa alta de 50%
nos salários em dinheiro exigiria, em caso extremo, a circulação adi-
cional, digamos, de 1 milhão de “soberanos”. Lançar-se-ia em circulação
1 milhão, que está inativo, em barras de ouro ou em metal amoedado,
nos subterrâneos do Banco da Inglaterra ou de bancos particulares.
Poder-se-ia inclusive poupar-se, e efetivamente poupar-se-ia, o insig-
nificante gasto na cunhagem suplementar, ou o maior desgaste desse
milhão de moedas, se a necessidade de aumentar a moeda em circulação
ocasionasse algum desgaste. Todos vós sabeis que a moeda deste país
se divide em dois grandes grupos. Uma parte, suprida em notas de
banco de diversas categorias, é usada nas transações entre comercian-
tes, e também entre comerciantes e consumidores, para saldar os pa-
gamentos mais importantes; enquanto outra parte do meio circulante,

OS ECONOMISTAS

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12 Moeda inglesa de ouro, com o valor nominal de 1 libra esterlina. (N. do E.)