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Atividade - História do Brasil

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Outros sujeitos essencias da expansão religiosa e desse processo foram os jesuítas. A catequese acabou sendo prejudicada inicialmente pela falta de controle dos missionários com os indígenas, o que acabou levando a vê-los como inconstantes, desleais, traiçoeiros e dominados por uma “alma selvagem”. A partir disso, muda-se a estratégia de colonização para um viés mais agressivo. Os aldeamentos foram territórios marcados pela violência étnica, simbólica e física contra as comunidades indígenas, onde esse povo era castigado, violentado e abusado. Nisso é imposto também uma nova vida social disciplinada baseada no catolicismo. Houveram muitas fugas e mortes nesse contexto, e o aldeamento teve uma vida longa no Brasil. Apesar disso, os aldeamentos não foram só uma imposição jesuíta e portuguesa, os indígenas também tiveram agência para negociar e conseguir moldar as estruturas a partir de seus próprios interesses e manter parte de sua cultura originária. Em tese, o aldeamento não era um ato obrigatório. Mas na prática, os jesuítas faziam ofertas para os indígenas para induzi-los, e caso “recusassem a fé”, criava-se ali uma desculpa para a guerra justa, o que levava também a escravização desse povo. A decisão de se aldear não era fácil e muitas vezes dividia as comunidades que tinham uma grande variedade de pensamentos e posições políticas sobre a colonização. Alguns dos motivos para essa escolha grupal que reforçam essa relação política baseada na desigualdade, é a busca pela proteção em um cenário de guerra e a garantia de acesso à terra e recursos naturais indispensáveis a sobrevivência. A proposta de aldeamento já implicava perdas caso aceitasse ou recusasse, os indígenas de toda forma já não tinham mais seu território originário, que agora era ocupado por fazendeiros. Apesar disso, essa prática representou também alianças e trocas de favores entre a Coroa, a Igreja e as comunidades indígenas, e não só perdas culturais. Houve muita criação e aprendizado por parte dos povos originários, onde aprenderam a se adaptar e sobreviver mesmo neste ambiente hostil.
Questão 4 - Francisco Carlos Cardoso Consentino destacou que “A dinamização da colonização aconteceu com a criação do governo geral [1549], que limitou os poderes dos donatários hereditários e iniciou a construção de um ordenamento político afinado com o Antigo Regime lusitano”. Tratando do tema do governo da conquista, aponte e discuta as motivações e necessidades da Coroa lusa bem como os mecanismos sociais e político institucionais adotados com vistas a garantir o domínio efetivo dos territórios perante às ameaças nativa e francesa, principalmente. Não deixe de considerar, dentre outros aspectos, os papéis desempenhados pela economia açucareira e pelos poderes locais na territorialização lusa e na conformação de sua administração colonial nos Quinhentos.
Segundo o autor Francisco Carlos Cardoso Consentino, a colonização significou o começo da organização de uma ordem política no Brasil. O encontro e a conquista das novas terras descobertas desencadearam o interesse de diversos países. Porém, Portugal garantiu direito sobre as terras do Brasil por conta da ocupação efetiva dessas regiões e também por ao longo do tempo manter essa ocupação e praticar ações de povoamento. Esse povoamento foi feito por meio das donatarias, que eram instituições senhoriais que tinham a função de administrar, colonizar, proteger e desenvolver a região. O sistema de capitanias hereditárias foi implantado a partir da expedição de Martim Afonso de Sousa, onde elas eram divididas administrativamente e doadas. Estabelecia-se entre o monarca e os donatários uma ligação baseada no relacionamento entre um senhor e um vassalo. A carta onde era feita a doação regulamentava as capitanias e definia seu funcionamento, assim como os direitos e as obrigações do donatário. As capitanias hereditárias foram a primeira medida real de colonização tomada pelos portugueses em relação ao Brasil, porém apenas seis dessas capitanias obtiveram sucesso. As sesmarias eram lotes de terras distribuídos com o objetivo de serem cultivadas. A garantia da posse dessa terra dependia do despovoamento indígena e do povoamento branco. Naquela época, o açúcar assumia nessa área recém ocupada o papel que a Coroa usava de atrair os povoamentos necessários. Apenas através desse povoamento a terra seria incorporada ao império português. Essa ocupação no Brasil foi marcada pela necessidade de defesa, da fixação de colonos e da produção lucrativa. A economia açucareira por sua vez teve sua produção vinculada ao mercado europeu que se expandia, conquistando novos espaços. Em 1549, Tomé de Souza foi enviado para organizar um governo geral na América portuguesa. Esse governo geral foi criado em um momento delicado para as conquistas ultramarinas portuguesa, onde se tinha muitas preocupações com a defesa do literal. O governo começou então a limitar e alterar os poderes senhoriais dos donatários, construindo um ordenamento político afinado com o Antigo Regime lusitano, onde esse governador detinha um poder maior e responsabilidade de manter a harmonia entre todos os membros. A escolha desses governadores tratava-se de uma obrigação da alta política, e resultava da confiança do monarca. A monarquia portuguesa do século XVI enxergava a montagem do ordenamento político da sua conquista americana como “partes”, não como um Estado total. Isso se explica pelo fato que consideravam que a conquista ainda estava em processo de construção. O regimento desse governo geral continha instruções voltadas para temas como economia e financeiro, a respeito de questões religiosas tinham ensinamentos limitados a passar. O primeiro regulamento voltou-se para a defesa das terras do Brasil, foram instruídas medidas voltadas para um sistema de defesa da América portuguesa, assim como construção de uma fortaleza para proteção, medidas para sufocar levantes indígenas, visitar as capitanias e orientar sobre a organização de sua defesa e fiscalizar a posse de armamentos. Esse governo geral teve ao total cinco governadores, e os anos que se sucederam da criação se caracterizou por ações voltadas para enfrentar os problemas de consolidação e organização desse modo de exercer a governação das partes que seriam o Brasil.

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