Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais448 seguidores
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Resumo – FES 1 – 1º Semestre de 2011

Prof. Nozoe

Aula 1 - Texto – Caio Prado Jr. Páginas 19-32 e 119-130

Método de análise – descreve e análisa os acontecimentos mais importantes.
Nesses acontecimentos, procura a sua natureza e os objetivos do comportamento
humano.

Busca entender qual é a intenção de quem colonizou o Brasil. (porquê?)

Tenta entender qual a consciência do colonizador e as contingências nas quais
aquela busca se há de realizar.

Como o colonizador realizará o lucro comercial depende das contigências, que são o
sentido da colonização -> intenção do colonizador (lucro)+ condições naturais.

Perfil do colonizador (mentalidade): Caio Prado Jr elabora, a partir dos fatos
anteriores ao descobrimento e à colonização do Brasil. -> desenvolvimento do
coméricio europeu desde o século XI -> depende dos contatos do mundo árabe.

No século XII, a Península Ibérica está fora da rota comercial (à margem do
comércio).

No século XV, o comércio vai crescentemente se deslocando para a via marítima.
Ocorre um processo gradual. -> cresce, em Portugal, cidades e burguesia comercial.
Há uma mudança na estrutura econômica.

O comércio através dos italianos, limita o crescimento da burguesia, passsam a
buscar novas rotas, iniciando uma expansão ultramarina. -> é com o objetivo
comercial que se chegou às outras localidades.

Pressuposto de Caio Prado Júnior -> o português chega à América já com espírito
de comerciante, em busca do lucro.

Fator determinante para que fossem os portugueses (Primazia)

1. Localidade – era mais fácil para sair de Portugal e havia menos chances de
Portugal conseguir ocupar a Europa.

2. 1415 – Portugal ataca Ceuta, que era o celeiro do trigo, da indústria têxtil.
Um entreposto comercial, inúmeras caravanas passavam pela cidade. Havia
inúmeras mercadorias de interesse de Portugal.

3. 1498 – Chegada de Vasco da Gama em Calicute -> costa ocidental africana,
ilhas atlânticas (Madeira e Açores), Costa ocidental africana.
Os portugueses desembarcam em Calicute, cidade muita mais evoluída do
que a Europa Ocidental. Conseguem estabelecer uma feitoria (estanco real),
porém, não entram em contato com os meios de produção.
Outros países passam a tentar entrar nesse comércio.
Portugal perde essas feitorias durante a União Ibérica.

Obs. Até metade do século XV, apenas Porugal faz a expansão marítima.

Objetivo da expansão marítima -> romper com o monopólio das cidades italianas.

O caráter da expansão ultramarina é o interesse comercial.

No Brasil

1. tentam estabelecer feitorias para obtenção do pau-brasil.
2. Levam índios para a Europa (animar festas + cultura e riquezas naturais)

O Brasil era apenas um detalhe no episódio, apesar da colonização e instalação de
unidades produtivas, o objetivo era comercial.

Porque foi preciso colonizar o Brasil?

Havia uma população indígena que não produzia excedente apropriável. -> recorre-
se assim a uma prática desconhecida, a necessidade de povoar para produzir
generos de interesse. O grande problema é que Portugal não tem população
suficiente.

Tipo de colonizador -> os trópicos repelem o colonizador típico. Não há migração
espontânea para o Brasil. Atrai apenas colonos interessados em obter especiarias.
Os colonos vem para o Brasil apenas para serem dirigentes da produção, não para
trabalharem. Há uma necessidade de capital.

Para atrais colonos, a Coroa Portuguesa concede sesmarias, que consiste na
transferência de terras do patrimônio público para o setor privado). A única
obrigação do proprietário era pagar o dizimo para a Coroa Portuguesa.

Com a falta de população, a única alternativa era a escravidão – foram utilizados o
índio nativo e o negro africano (já havia um comércio regular, para trabalhos
domésticos).

Obs. Portugal sempre teve escravos aprisionados de guerra. Culturalmente, já
estavam acostumados com a escravidão.

Porque utilizaram o escravo africano?

O índio possuia um fluxo de oferta irregular e estavam pouco habituados ao
sistema de produção.

As condições naturais determinam a forma de exploração

a) Forma de organização da produção – Plantation, caracterizado pela grande
propriedade, escravista e monocultura.

b) Estrutura econômica -> grande lavoura e subsistência (depende de outro
setor e pode ser internalizada).

c) Exportadores -> o próprio centro de dinamismo foi mudando com a mudança
do produto a ser exportado.

O Brasil é apenas um fornecedor de gêneros para o comércio europeu.

Evolução da economia brasileira

1. Cíclica (positiva / negativa)
2. Predatória
3. Móvel no espaço

O comércio europeu busca o lucro comercial (objetivo do colonizador). A Ásia e a
África produzem excedente comercial, por isso, não há uma interferência da
prdução.

No Brasil, não há produção de excedente comercial, havendo a necessidade de
organizar uma produção.

Efeitos negativos da colonização portuguesa -> incoerência e instabilidade no
povoamento. A colonização não tem o sentido de constituir uma base econômica
sólida e orgânica.

Como consequências, o trabalho escravo só gerará o trabalho forçado, degrada e
degener

Fragmentos importantes do texto lido para a aula

• O sentido da colonização não se percebe nos pormenores da história, mas no
conjunto dos fatos e acontecimentos essenciais que constituem num largo
período de tempo.

• Forma-se de uma linha mestra e ininterrupta de acontecimentos, que se
sucedem em ordem rigorosa, e dirigida sempre numa determinada
orientação.

• A colonização portuguesa na América não é um fato isolado, a aventura sem
precedente e sem seguimento de uma determinada nação empreendedora.

• A colonização aparece como um acontecimento fata e necessário, derivado
natural e espontaneamente do simples fato do descobrimento.

• A colonização da América constitui um capítulo que particularmente nos
interessa aqui, se origina de simples empresas comerciais levadas a efeito
pelos navegadores daqueles países. Deriva do desenvolvimento do comércio
continental europeu, que até o século XIV é quase unicamente terrestre, e
limitado, por via marítima.

• O papel de pioneiro nesta nova etapa caberá aos portugueses, os melhores
situados, geograficamente, no extremo desta península que avança pelo mar.

• Todos os grandes acontecimentos desta era, que se convencionou com razão
de chamar dos ‘‘descobrimentos’’, articulam-se num conjunto que não é senão
um capítulo da história do comércio europeu. Tudo que se passa são
incidentes da imensa empresa comercial a que se dedicam os países da
Europa a partir do século XV.

• Os portugueses traficarão na costa africana com marfim, ouro, escravos, na
Índia irão buscar especiarias. Para concorrer com eles, os espenhóis,
seguidos de perto pelos ingleses, franceses e demais, procurarão outro
caminho para o Oriente, a América, com que toparam nesta pesquisa, não foi
para eles, a princípio, senão um obstáculo oposto à realização de seus planos
e que devia ser contornado.

• A idéia de povoar não ocorre inicialmente a nenhum. É o comércio que os
interessa, e daí o relativo desprezo por este território primitivo e vazio que
é a América. Inversamente, o prestígio do Oriente, onde não faltava objeto
para atividades mercantis. A idéia de ocupar, não como se fizeram até então
em terras estranhas, apenas como agente comerciais, funcionários e
militares para defesa.

• A colonização ainda era entendida como aquilo que dantes se praticava, fala-
se em colonização, mas o que o termo envolve não é mais que o
estabelecimento de feitorias comerciais.

• Para os fins mercantis que se tinham em vista, a ocupação não se podia
fazer como nas simples feitorias, com um reduzido pessoal incubido apenas
do negócio, sua administração e defesa armada.

• As areas temperadas só foram povoadas por circuntâncias muito especiais.
É a situação interna da Europa, em particular a Inglaterra,