Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais447 seguidores
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orientada no sentido de transformar as colônias em sistemas
econômicos o quanto possível auto-suficientes e produtores de um excedente líquido – na
forma de metais preciosos – que se transferia periodicamente para a Metrópole. -> esse
afluxo de metais preciosos alcançou enormes proporções relativas e provocou profundas
transformações estruturais na economia espanhola. O poder econômico do Estado cresceu
desmesuradamente, e o enorme aumento no fluxo de renda gerado pelo governo provou uma
crônica inflação que se traduziu em persistente déficit na balança comercial.

- decadência econ6omica da Espanha prejudicou enormemente suas colônias americanas.
Fora da exploração mineira, nenhuma outra empresa econ6omica de envergadura chegou a
ser encetada.

- abastecimento de manufaturas de grandes massas de população indígena continuou a ser
feito com artesanato local, o que retardou a transformação das economias de subsistência
pre-existentes na região.

- não fora o retrocesso da economia espanhola, a exportação de manufaturas deprodução
metropolitana para as colônias teria necessariamente evoluído.

- o espanhóis podiam ter dominado a produção do açúcar desde o século XVI, a razão
principal de isso não ter acontecido foi, muito provavelmente, a própria decadência
econômica da Espanha. Não existindo por trás uma fator político.

- um dos fatores do êxito da empresa colonizadora agrícola portuguesa foi a decadência
mesma da economia espanhola, a qual se deveu principalmente à descoberta precoce dos
metais precioso.

Capítulo 4 – Desarticulação do sistema

- a economia agrícola foi profundamente modificado pela absorção de Portugal na Espanha
(União Ibérica).

- no começo do século XVII os holandeses controlavam praticamente todo o comércio dos
países europeus realizados por mar -> como consequência da ruptura do sistema corporativo
anterior -> holandeses adquiriram o conhecimento de todos os aspectos técnicos e
organizacionais da indústria açucareira -> esses conhecimentos vão continuar a base para a
implantação e desenvolvimento de uma indústria concorrente, de grande escala, na região
do caribe.

- preços do açúcar estarão reduzidos à metade e persistirão nesse nível relativamente
baixo durante todo o século seguinte + o volume de exportações se reduz à metade -> renda
real gerada pelo açucar era ¼ da renda anterior.

- transferência de renda provocadas pela desvalorização revertiam principalmente em
benefício das exportações metropolitanas portuguesas.

Aula 06/04/2011 – Celso Furtado -> capítulos 5 a 9

Furtado tenta explicar como foi possível a sobrevivência da produção açucareira no
século XVIII

Capítulo 8 -> análise da economia açucareira por Furtado

Todo raciocínio é feito com base em hipóteses baseadas no livro de Simonsen

i) número de engenhos = 120 (o dobro do número de engenhos em 1570)

ii) montante de capital aplicado é de 1,8 mm de libras, sendo esse calculado através do
valor médio de cada engenho.

iii) produção de 2,0 mm de @, 10 vezes maior do que a produção de 1570 (180 mil @).

Portanto, o número de engenhos duplicou, mas a sua produção decuplicou.

iv) renda per capita da colônia era de 66,7 libras, maior do que a renda per capita da
Europa e do que a economia mineira. Obs.: somente com a população livre.

Hipótese: renda da atividade açucareira = 60% do valor das exportações (2,5 mm de
libras). A renda líquida era de 1,5 mm de libras.

Y da atividade açucareira era de ¾ do Y total da colônia (Y total da colônia era de 2,0
mm de libras).

- Distribuição da economia açucareira:

i) pagamento de fatores e processos produtivos = 10% da renda

a) transporte e armazenamento = 5,0%

b) salários = 1,5%

c) lenha e gado = 3,3%

Isso significa que da renda total, cerca de 90% fica com os outros setores da economia
açucareira, como produtores de cana e proprietários de engenhos. A renda é
fortemente concentrada. A demanda, é uma demanda por bens de luxo.

- lucro dos senhores de engenho = 1.200.000 libras.

Gastos com reposição de escravos e equipamentos = 110 mil libras (escravos = 50 mil +
equipamentos importados = 60 mil).

Lucro = (receita – pagamento de fatores) – gastos de reposição =

= 1.500.000 – 150.000 – 110.000 = 1.200.000

Taxa de lucro = (1,20/1,350) = 80%

Taxa de retorno = (1,20/1,80) = 67%

Conclusão: quaisquer que sejam as taxas de erro, esses valores são excepcionalmente
altos, tornando a atividade açucareira muito rentável.

Em média, nas Antilhas Britânicas, admitia-se que uma taxa de 5% sobre a receita era
considerada aceitável e, uma taxa de 10% era considerada excepcional.

Assim, a lucratividade na economia açucareira é excepcional.

Obs.: os dados brasileiros foram calculados para o ano de 1600, ou seja, quando ainda
havia o monopólio. Já os dados das Antilhas são com base nos números de 1700.

- Capacidade de crescimento da economia açucareira: Renda (Y) disponível para
investidores é igual ao lucro menos o consumo monetário (<-> valor das importações).

Obs.: boa parte do que a Casa Grande consome não tem expressão monetária. Exemplo:
gado produzido no engenho. Assim, o que tem, de fato, expressão monetária é o produto
importado. A produção interna não tinha consumo monetário, sendo grande parte da
produção proveniente de escravos.

Dado que o consumo com importações é de 0,6 mm de libras (Celso Furtado retira esse
número de uma companhia de exportação) e o lucro é de 1,2 mm de libras. Temos como
restante 600 mil libras -> estão disponíveis para investimento.

Portanto, há uma possibilidade de duplicar o número de engenhos a cada 2 anos. Porém,
o número de engenhos duplicou apenas em 25 anos. Assim, concluímos que o potencial de
crescimento não foi utilizado para o crescimento.

Então, o que foi feito com a renda (Y) disponível?

i) não deve ter sido investida em outras localidades da colônia.

ii) não há registros de aplicações de senhores de engenho em outras regiões.

O mais provável é que tenha saído da colônia na forma de pagamento ao capital aplicado
por não residentes (Furtado chega nessa conclusão por exclusão).

Os proprietários do capital são comerciantes não-residentes na colônia, o que explica a
coordenação entre as etapas de produção e a comercialização. Por exclusão, sabemos
que o dinheiro fica com os holandeses. Fatores para concluir que o dinheiro fica com os
holandeses:

a) último quarto do século XVI -> produção de 180 mil @, já em 1600, a produção é de
2,0 mm de @.

O preço do açúcar pula de 11 gramas de ouro por @ para 13,78 gramas de ouro por @.

Eram os holandeses que tomavam a decisão investir, eram os donos do capital.

Produção açucareira:

i) altamente rentável

ii) enorme capitalização de resistência (300 anos), mesmo com grandes flutuações da Y
monetária. Redução do preço na 2ª metade do século XVII de aproximadamente 50%,
juntamente com um aumento no preço dos escravos na 1ª metade do século XVIII ->
apenas os engenhos mais bem localizados e mais produtivos conseguiram “sobreviver”.

iii) promoveu uma pequena mudança na estrutura produtiva colonial, não obstante seu
alto potencial de dinamização.

O açúcar dá uma alta rentabilidade -> gera um alto grau de especialização. Uma
concentração nos fatores produtivos no fabrico de açúcar em detrimento das
atividades secundárias (produção de alimentos etc). Isso fazia com que o setor
açucareiro fosse o principal demandante para o setor de subsistência, favorecida pela
alta rentabilidade do setor e pela grande população.

Historicamente, comprova-se que não houve desenvolvimento de outras atividades
atreladas a economia açucareira (a única foi a pecuária).

A partir disso, podemos fazer a pergunta: Será que isso não é uma conseqüência da
economia açucareira?

- A resposta aparece quando a produção nas Antilhas é iniciada. A produção de açúcar
nas Antilhas induziu o desenvolvimento de regiões de povoamento.

A Nova Inglaterra começou a fornecer materiais