Resumo_FES1_1S11
133 pág.

Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
Pré-visualização42 páginas
do engenho -> lucro líquido do Senhor do Engenho:

Valor da produção -> custo de reposição + custo de manutenção

Valor da produção = f(produto físico; preço do açúcar)

Custo de reposição = f(taxa de depreciação; preço do escravo; preço do equipamento)

Custo de manutenção = provido pelo próprio escravo

Custos fixos

O escravo parece um ativo fixo -> por isso, há uma preocupação de utilizá-lo
intensivamente. Os seus custos também são fixos.

Redução do preço do açúcar na entressafra -> melhoramentos/reparos -> os escravos
criam ativos, porém sem fluxo de renda monetária.

O proprietário tem que manter o tamanho da escravaria em função do pico da safra.
Nos períodos de entressafra, uma parte dessa escravaria fica desocupada.

3) Gastos de consumo -> características semelhantes aos gastos de investimentos.
Parte monetária = importação

Escravo é um bem de consumo durável. Há um fluxo de serviço sem expressão
monetária.

4) Fluxo monetário na economia escravista açucareira -> só cria fluxo com o exterior, é
o único local em que há circulação monetária, segundo Celso Furtado.

5) Potencialidade de a Atividade açucareira promover mudanças na estrutura econômica
da colônia

a) durante a fase de crescimento (quarto quarto do século XVI até a primeira metade
do século XVII) -> houve um aumento na produção e no número de engenhos. Não há
restrições do lado da oferta -> terra é abundante e a mão-de-obra é proveniente do
tráfico.

Potencialidade -> duplicar a capacidade. Não ocorreu pois o preço do açúcar regulou a
capa cidade.

Se os recursos não tivessem vazado para o exterior sob a forma de capital de não-
residentes e tivesse sido aplicado na atividade açucareira, teríamos uma redução na
taxa de retorno e, outros setores teriam se desenvolvido.

Porém, não há mudança na estrutura da economia colonial -> a atividade açucareira
cresce replicando as plantas industriais que já havia.

O crescimento se faz com o aumento das importações e de terras, o único segmento
que cresce, impulsionado pela economia açucareira é a economia criatória.

b) na fase de declínio (após a 2ª metade do século XVIII) -> também não provoca
mudanças na estrutura da economia colonial nem no curto-prazo, nem no longo prazo.

- Curto-Prazo: atrofiamento do setor monetária: queda do lucro do empresário devido
a: i) redução no valor da produção; ii) custos estáveis. A utilização do trabalho escravo
garante a sobrevivência do próprio escravo e de parte do consumo do senhor do
engenho. O senhor de engenho tenta reduzir o desembolso monetário.

No curto-prazo, há um processo de atrofiamento do setor monetário.

A tendência esperada é que o preço do escravo deve cair, em função de uma redução na
demanda.

Sobre a produção, os efeitos são praticamente nulos, como os custos fixos são
relativamente altos (em comparação aos custos variáveis), a tendência é que a produção
continue. Há uma redução na renda do senhor de engenho. Portanto, há uma redução das
receitas e dos lucros!

Assim, no curto prazo, não temos mudanças significativas na produção.

- Longo-prazo: redução dos gastos monetários com reposição de escravos e
equipamentos. Há uma perda da capacidade produtiva -> lenta queda do ativo (o senhor
de engenho não vai repondo a sua escravaria na totalidade).

Com o aumento no preço do açúcar, a atividade floresce. A estrutura produtiva
permanece a mesma!

O que determina a longevidade do empreendimento é o negócio poder diminuir e
aumentar de tamanho -> isso acontece pois é uma atividade escravista.

Economia criatória -> é importante para a atividade açucareira, fornecendo animais
para a economia açucareira.

O crescimento da atividade criatória era mais acelerado do que a atividade açucareira.
Em razão disso.

Conseqüências:

i) uma necessidade de buscar lenha em lugares cada vez mais distantes (devastação de
florestas);

ii) conflito entre as atividades.

1) Formação de Capital e nível de renda

i) baixo nível de capitalização (uma fazenda típica): área de aproximadamente 3 léguas
ao longo dos cursos d’água até o divisor de águas; benfeitorias extremamente rústicas;
+/- 200 a 100 cabeás; 10 a 12 pessoas; separação entre fazendas; atividades
itinerantes -> segue o curso das águas.

Sem benfeitorias -> facilidade de obtenção de mão-de-obra -> índios

Facilidade de adquirir um rebanho inicial

Vaqueiro – 4 a 5 anos

Participação nas crias (1 para 4)

Produção de rebanho garante o crescimento.

ii) Baixo nível de renda

Rendo do setor = venda do gado + venda do couro

Renda da economia criatória vinculada à economia do século XVII -> aproximadamente
5% do valor da produção do açúcar (2 mm de libras) = 100 mil libras (para o conjunto da
atividade criatória).

Renda per capita = 7 libras

Rebanho = 3,22 mm de cabeças de gado

População = 13 mm

A renda é de 10% da renda per capita açucareira.

2) Potencialidade de crescimento

i) lado da oferta -> não há fatores limitativos (mão-de-obra -> indígena / terras)
começa subindo o Rio São Francisco / até o Rio Tocantins (AM) -> expansão facilitada
pela existência de barrieros salgados no PE e de salinas em Alagoas.

Sistema criatório -> aumento da população -> melhores condições de trabalho e de
alimentação. Aumento da atividade endógena (rebanho). Aumento da porcentagem da
produção destinada ao auto-consumo -> a renda é monetarizada.

Redução do preço do gado -> redução da produtividade econômica

Menor nível de especialização e do grau de desenvolvimento da produção

A tendência da economia criatória foi reduzir a compra de mercadorias com moedas ->
civilização do couro! Tudo tinha que ser feito a partir do couro.

Sistema açucareiro -> em prostração desde meados do século XVII; agravado no século
XVIII, com o desenvolvimento da mineração.

Aumento nos custos -> aumento no preço do escravo; aumento no preço do gado;
emigração da mão-de-obra é oferecer salários maiores.

É provável que tenham sobrevivido as unidades produtivas com: melhores terras
(menores custos de produção) e localização (menores custos de transporte) -> melhor
situadas com relação ao porto de exportação.

Tanto na economia açucareira, quanto na economia criatória, não criam mercado interno.
Não criam fluxo monetário no interior da colônia. A causa disso é a utilização de
escravos. A base da constituição de um mercado interno era a mão-de-obra ser
remunerada.

Economia no NE entre o último quarto do século XVII e o começo do século XIX:

i) forte crescimento populacional: pecuária migrante -> idade reprodutiva

pecuária -> melhores condições de alimentação -> migração da economia açucareira para
a economia criatória

ii) atrofiamento econômico -> redução da renda per capita do NE.

Renda per capita do açúcar > renda per capita da pecuária.

Supondo que a renda per capita permaneça constante em ambos os sistemas -> migração
da atividade açucareira para a pecuária.

Situação 1:

açúcar = 70% da população

pecuária = 30% da população

renda per capita = 49 libras

Situação 2:

açúcar = 30% da população

pecuária = 70% da populção

renda per capita= 25 libras

Portanto, temos uma redução de 49% na renda per capita do complexo.

A atividade não se desestruturou. Ela fica mais pobre, porém não desaparece. Isso
explica o porque de que, em 1947, 40% da população brasileira está na área mais pobre
do país. Por que não houve um estímulo econômico para essa população migrar para as
melhores áreas econômicas? Por exemplo no período do café.

Partes importates – capítulos para a aula – Celso Furtado – capítulo 10 a 15

Capítulo 10 – Projeção da economia açucareira: a pecuária

- a alta rentabilidade do negócio induzia à especialização, sendo perfeitamente
explicável – do ponto de vista econômico – que os empresários açucareiros não
quisessem desviar seus fatores de produção para atividades secundárias, pelo menos
quando eram favoráveis as perspectivas do mercado de açúcar. A própria