Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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que importa são as moedas de prata. O ouro vale muito,
então, não era utilizado no mercado.

Conjunto econômico atlântico:

a) Nascimento (séculos XIV e XVI)

Causas:

1) problemas no comércio mediterrâneo ligados a: a) relações com o Oriente: seda,
especiarias, entesouramento de capitais no Oriente e; b) monopólio de Veneza

A moeda utilizada nesse comércio era a prata, porém, a Europa não tinha muita prata,
tem um déficit, o que gera uma escassez de moeda na Europa, reduzindo o preço das
moedas.

2) Condições internas aos países atlânticos: i) procura de ouro por via marítima
provocada pela carência e pela queda das rendas senhoriais; ii) busca de mão-de-obra
para desenvolvimento da produção de açúcar; iii) alargamento das áreas de pescaria de
bacalhau e de caça a foca; iv) procura de artigos de tinturia: goma, sangue de drago,
urzela, pau-brasil etc (são produtos de origem animal ou vegetal); v) deslocamento da
produção açucareira de Portugal (Açores) e Andaluzia, para as ilhas do Atlântico e,
posteriormente, para as Américas

b) O funcionamento do conjunto -> rotas primárias e secundárias
1) Rotas primárias: i) Espanha: México e Pero (prata) e América Central (cochonilla e

pau de campeche) são levados para Sevilla
ii) Portugal -> açúcar do Brasil para Lisboa.

2) Rotas secundárias: i) Espanha: pratas e corantes e sal -> Holanda, França e Genova
ii) Portugal: açúcar e sal -> Genova, França, Espanha, Holanda, Alemanha e
Inglaterra (com participação holandesa) -> é através desse comércio que Portugal
obtém a prata.

de fato, o que existe é um comércio triangular:

Lisboa/Nantes/Inglaterra (produtos metropolitanos = “bugigangas”= pacotilhas) -> África
(escravos) -> Brasil e Antilhas (açúcar/prata/tabaco) -> Lisboa/Nantes/Inglaterra

Obs.: o Brasil obtém prata através do contrabando

Os escravos são uma mercadoria para a metrôpole trocar na colônia por açúcar, prata e
tabaco

- essas rotas primárias e secundárias acabam garantindo o funcionamento da economia
portuguesa

Século XVII: ciclo do açúcar + tabaco + pau-brasil + sal (se fossemos manter a terminologia
dos ciclos, o correto seria essa)

Portanto, a crise do século XVII é uma crise de todos esses produtos.

a) Produção antilhana de açúcar e tabaco
b) Política colbertina

Fechamento dos principais mercados + queda no preço -> gera uma pressão no lado da
demanda (aumento no preço do escravo em razão do aumento da demanda -> outros setores
também consomem escravos).

Todos os preços caíram, havia uma redução de moeda -> crise dos produtos coloniais.
Godinho compara com a curva de preços do trigo em Açores. Mostra que a oscilação dos
produtos coloniais é muito maior. Porntanto, a queda nos preços dos produtos coloniais é
maior do que a queda geral de preços.

Além disso, a queda nos preços do afluxo de prata na Espanha e o desvio do comércio
holandês (não se abastecem mais de sal em Lisboa) gera uma falta de prata.

Assim, esta crise é, simultaneamente, uma crise do açúcar e da prata.

Esforços de superação da crise -> Conde de Ericeira (1670 – 1690) -> cabe a ela
diagnosticar a crise e encontrar soluções

a) Política de desenvolvimento da manufatura. Como se exporta menos, pode-se
importar menos. As medidas foram pragmáticas (tem caráter tanto econômico,
quanto moral, de costumes): 1677, 1686, 1690 e 1702 -> proibição de roupas muito
decoradas, uso de tecidos ingleses
Essas proibições eram muito mais concorrentes à indústria francesa (mais de luxo).
Reduziu a importação de produtos franceses e aumentou a importação dos produtos
ingleses.
A prova de que Portugal não tinha manufaturas é a utilização de mão-de-obra
francesa (mais uma explicação para a concorrência de produtos franceses

b) Política monetária (1688): i) aumento de 20% do valor nominal das moedas
portuguesas, com a manutenção do valor intrínseco (constante). Quem tinha moeda
espanhola, era mais barato comprar em Portugal do que na Espanha. As moedas
começaram a fluir para Portugal. Outros países fazem o mesmo, anulando os
efeitos.

iii) Cia do Cacheu -> fornecimento de negros da Guiné para a América Espanhola
(aciento = só portugal podia fornecer escravos para América Espanhola) ->
entrada de piastras em processo muito mais duradouro do que a valorização das
moedas.

- abandono dos esforços de industrialização (1690 – 1705) -> Tratado de Methuen

Pergunta: o abandono deveu-se com a saída do Conde de Ericeira? Não tinham outros
pessoas envolvidas (exemplo o Conde da Fronteira). O abandono dessa política está
associado a solução da crise do ciclo do açúcar, do tabaco etc.

1) Aumento do preço do açúcar e do tabaco (aumento das exportações para países que
Portugal já exportava);

2) Aumento do tráfico com as Índias Orientais, onde os holandeses enfrentavam
dificuldades;

3) Aumento da exportação de vinho do porto -> ascenção política dos senhores da
Vinha (esse grupo vem a substituir o grupo do conde de Ericeira). Sai um gruopo
pró-indústria e entra um grupo pró-vinha -> proibição da importação de bebidas
estrangeiras e Tratado de Methuen.

Quer dizer que Portugal optou por ser um produtor de Vinhos. Ou seja, o abandono
não é uma consequência dessa medida.
O que os ingleses queriam, com o tratado de Methuen, é que Portugal abrisse o seu
mercado e permitisse a entrada legal de panos. Os panos já entravam pelo
contrabando. Ou seja, o tratado consagrou uma situação de fato.

-> Methuen -> consagrou uma situação de fato (não trouxe qualquer novidade. Não
tinha o poder de mudar nada.

- o desenvolvimento do comércio do vinho do porto com a Inglaterra ocorreu antes de 1703,
graças às tarifas proporcionalmente mais baixas que as dos vinhos franceses.

- o contrabando já introduzia grande quantidade de panos ingleses (e holandeses).

No longo-prazo, Portugal irá acumular sucessivos déficits comerciais na balança comercial
com a Inglaterra (isso é o máximo que podemos falar do tratado de Methuen, mas não
podemos atribuí-lo ao tratado). Se Portugal não tivesse o ouro brasileiro, 10 anos depois da
assinatura, o tratado não tinha poder de vigência prática.

Conclusão -> Portugal nunca vai ter um setor industrial que defende uma polític de
industrialização. Portugal tem um setor comercial, que acabando com o problema da balança
comercial, volta-se para o comércio e esquece da industrialização.

- Século XVIII -> ciclo do ouro, do vinho do Porto e da Madeira

O vinho do Porto acaba promovendo outros vinhos, como o proveniente da Madeira, ele vai
para as outras colônias.

O ouro brasileiro cobre o déficit da balança comercial. Não resolve o problema da escassez
de prata (esse problema é resolvido por meio do contrabando).

Em 1712 -> tratado de Utrecht -> a colônia do sacramento passa para Portugal, que perde o
assiento.

Obs.: A Inglaterra era um parceiro comercial importante para Portugal (quase 100% das
exportações portuguesas iam para lá), porém, Portugal não era um parceiro importante para
a Inglaterra (cerca de 4% das exportações inglesas iam para Portugal e, 20% das
importações inglesas era de produtos portugueses).

- Crise do ciclo após 1765

Redução de entrada de ouro proveniente do Brasil. queda do dizimo e redução do lucro da
Cia do Grão Pará-Maranhão.

Esforços de superação -> Pombal (mesmo cargo que o Conde de Ericeira) -> reativação do
comércio com China e Índia. Aumento das exportações de algodão e arroz do Brasil. novo
surto manufatureiro após 1770.

Resumo das afirmações de Godinho:

a) O tratado de Methuen não matou o desenvolvimento manufatureiro de Portugal, foi
apenas um expediente para contornar as dificuldades decorrentes da crise do ciclo
do açúcar.

b) Assim, o tratado de Methuen apenas consagrou uma situação de fato. O
desenvolvimento do comércio do vinho do Porto ocorreu em 1703 e os panos ingleses
já entravam por meio do contrabando.

c) O ouro brasileiro marca o início de um novo ciclo comercial juntamente com o