Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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vinho
do Porto e da Madeira. Esse ouro sai de Portugal (vaza para o exterior).

Ponto conflitante de Godinho com Furtado -> o efeito do Tratado de Methuen sobre o
desenvolvimento.

- Jorge de Macedo

No Brasil assenta-se o sistema econômico português no século XVIII.

Macedo trabalhou com as estatísticas da entrada e saída de navios do porto de Lisboa no
decênio 1750-60. Conforme o número de navios de bandeira portuguesa vai diminuindo,
Portugal vai entrando na crise.

Passavam pelo porto cerca de 800 navios/ano. Desses, 300 eram portugueses (inferior ao
número de navios ingleses) e, aproximadamente 100 faziam ligação direta com o Brasil,
onde provinham vários produtos do comércio internacional, em especial o ouro (que era
utilizado para cobrir o déficit comercial). -> França e Inglaterra disputavam uma parceria
(o ouro).

- Comércio exterior português:

Havia 4 produtos que eram exportados, produzidos na metrôpole: vinho, sal, frutas e
azeite. Os principais produtos coloniais eram: tabaco, açúcar, escravos e madeira. Os
principais produtos importados eram: trigo e outros cereais, manufaturas, genêros
alimentícios, matérias-primas.

O déficit comercial português era coberto com o ouro brasileiro. Esse ouro permitia que a
metrôpole mantivesse uma abundância muito maior do que sua própria produção permitia.

Esse sistema entrou em crise no final do reinado de D. João V (1706 – 50). As razões da
crise foram:

i) Grande aumento do contrbando no porto de Lisboa (dificuldades técnicas +
envolvimento dos funcionários).
Obs.: sempre teve contrabando, mas houve um forte aumento em razão dos
fatores mencionados.

ii) Queda do número de entrada e saída de navios portugueses no porto. Em 1748,
o percentual de navios portugueses que entravam no porto era de 36%, em 1753
esse percentual caíra para 11%. Nas saídas, em em 1748, 37% dos navios eram
portugueses, em 1753, eram 12%.

iii) Concorrência dos vinhos internos que não eram produzidos na região do Porto.

- início do reinado de D. José (1750 – 1777) -> crise econômica parcial. Ouro, tabaco, e
escravos “sustentam” a economia colonial.

Política do governo de Pombal -> monopólio / reforço do Estado

Fases de legislação:

1750 – 60 -> problemas comerciais e estaduais

1760 -64 -> problemas militares

1764 – 70 -> problemas mercantis

1770 – 77 -> problemas industriais. Período em que retoma-se a manufatura.

Crise após 1760 -> há uma queda na produção de ouro no Brasil, somada a uma crise dos
outros produtos -> auge da crise: 1768 – 71 -> “página 96

Obs.: o fim do período pombalino e a entrada de d. Maria é conhecido como “Viradeira”. Há
uma mudança total de valores.

- Jorge de Macedo sobre a industrialização no período de Pombal. Pombal reorganizou uma
indústria com essas características:

• Pequenas oficinas, muitas delas caseiras
• Dispersas pelo reino em zonas urbanas e rurais, conforme a proximidade da

matéria-prima ou do consumidor
• Técnicas tradicionais
• Fabricantes de produtos de consumo corrente

Principais medidas de fomento à industrialização:

Isenção de impostos

Monopólios

• Livre entrada de matérias-primas
• Monopólios
• Livre entrada de matérias-primas

Eram concedidas sem critério prévio e aplicadas apressadamente -> rápida entrada em
produção. Na verdade, não existe um plano organizado de fomento industrial. O objetivo
era que esses industriais entrassem o mais rápido possível em produção e aliviasse a
balança comercial.

Página 96 -> último parágrafo.

Ouro -> é um ponto em comum entre Macedo e Furtado.

Furtado -> pagamento de dívidas no exterior + gasto santuário (ponto complementar)

Conflitante -> efeito do Tratado de Methuen sobre a manufatura portuguesa.

Pontos importantes do texto -> Godinho

• Contatos, migrações existiram sempre, com efeito, entre estas duas partes do
mundo; os bens culturais do resto, passaram sobretudo no sentido Ásia – América.
Todo mundo formva então uma banda contígua. Mas esta banda era cortada pelo
Atlântico;

• Nos séculos XIV e XV começa uma extradordinária aventura: a descoberta do
Oceano; criação de rotas oceânicas, nascimento do mundo atlântico. Causas -> em
geral explica-se este abrir caminho para Oeste pelos problemas mediterrâneos,
problemas ligados às condições dos mercados do Mediterrâneo oriental.

• As viagens das descobrtas os primeiros estabelecimentos nas ilhas atlânticas e ao
longo das costas africanas parecem-nos ser a consequência de um conjunto de
forças que distribuiremos por 4 rúbricas: 1º) procura do ouro, pela via marítima,
imopsta pela carência dos metais preciosos e a queda das fendas senhoriais. 2º) a
necessidade da mão-de-obra e mais precisamente de escravos para plantações de
cana e engenhos de açúcar que se ensaiam; 3º) alargamento progressivo e
voluntarioso das áreas de pescaria -> papel da pesca marítima na economia
portuguesa da idade média. Muitas vezes os pescadores foram os primeiros a
conquistar as rotas, mais tarde “descobertas” por pretensos “descobridores”. 4º)
não se devem esquecer as exigências das indústrias têxteis em cores de tinturaria
e outros produtos tal como a goma, usada no preparo da seda.

• A gênese do mundo atlântico está em grande parte ligado à dinâmica do açúcar.
• É necessário distinguir entre as rotas primarias que atravessam o oceano trazendo

os produtos da América para a Europa e as rotas de redistribuição que levam estes
produtos ao Mediterrâneo ou ao mar do Norte e ao Báltico;

• O Atlântico setentrional mostra-se muito menos rico, aqui o verdadeiro motor é a
pesca: a baleia entre a Islândia e a Groelândia firmemente mantida pelos
holandeses;

• Assim, o atlântico tem já a sua vida própria. Nem sempre assim tinha sido, porque
vastos espaços apenas haviam sido explorados como portas que se tentava abrir
para o mundo asiático.

• A economia portuguesa do século XVII participa profundamente deste conjunto
econômico atlântico. O tráfico com as Índias Orientais torna-se muito anemiado em
consequência da vitoriosa concorrência dos holandeses, ingleses e franceses.

• A idéia de ciclos dominados cada um por um produto não deixa de falsear um pouco
a realidade, dando dela uma imagem demasiado esquemátic, demasiado simplista,
porque o açúcar do Brasil não explica tudo durante o século XVIII.

• Além do açúcar, o Brasil fornece tabaco, cujo papel não é, de longe, inferior ao
daquele.

• Foi com o Sal que o Brasil comprou a ajuda holandesa para a guerra da
independência portuguesa, a guerra da Restauração, a partir de 1640 -> era a
mercadoria que fornecia dinheiro à Portugal.

• Os portugueses conseguiram o prata da Espanha por duas vias -> i) via terrestre:
exportação do açúcar, tabaco e pau-brasil para a Espanha, recebendo em troca
moedas espanholas (piastras); ii) marítima, ligando Lisboa a Sevilha. Os navíos
holandeses chegavam geralmente em lastro a Setubal para carregar sal. Ao mesmo
tempo, alguns navios de guerram iam a Sevilha, comboiando outra frota holandesa
que aí vendia mercadorias do Norte contra pagamento em prata. -> foram estas
duas vias que forneciam aos portugueses as moedas indispensáveis ao seu comércio.
-> frase dos espanhóis: “Mas é com o nosso dinheiro que os portugueses nos fazem a
guerra!”

• Política econômica de Colbert -> consequências econômica desastrosas para o
comércio atlântico português. Os produtos portugueses veem-se expulsos dos
mercados franceses, ingleses e holandeses

• Abastecimento em prata sofre uma nova crise. A 1º situara-se cerca de 1625-1630;
a 2ª produz-se, precisamente, cerca de 1670-1630. E não é apenas a afluência do
metal branco a Sevilha diminui – mas, ainda, o fato de o comércio holandês se
desenvolver noutras direções que não Setubal e Lisboa.

• Política de desenvolvimento manufatureiro se explica precisamente pela crise. Os
portugueses viam-se obrigados a escolher entre 3 soluções: i) pagar estas
mercadorias em numerário; ii) desenvolver