Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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sua soberania). Acordos concluídos com a Inglaterra em 1642-54-61
estruturaram essa aliança que marcará profundamente a vida política e econômica de
Portugal e do Brasil nos anos seguintes.

- os privilégios conseguidos pelos comerciantes ingleses em Portugal foram de tal
ordem que os mesmos passaram a constituir um poderoso influente grupo com
ascendência crescente sobre o governo português.

- Portugal fazia concessões econômicas à Inglaterra, e essa pagava com promessas ou
garantias políticas.

- final do século XVII -> tentativa de criar manufaturas. Porém, o rápido
desenvolvimento da produção de ouro no Brasil, a partir do 1º decênio do século XVIII,
modificaria fundamentalmente os termos do problema.

- acordo de Methuen (1703) significou para Portugal renunciar a todo o
desenvolvimento manufatureiro e implicou tranferir para a Inglaterra o impulso
dinâmico criado pela produção aurífera no Brasil.

- Graças a esse acordo, Portugal conservou uma sólida posição política numa etapa que
resultou ser fundamental para a consolidação definitiva do território de sua colônia
americana.

- o ciclo do ouro consistiu um sistema mais ou menos integrado, dentro do qual coube a
Portugal a posição secundária de simples entreposto. Ao Brasil, o ouro permitiu
financiar uma grande expansão demográfica, que trouxe alterações fundamentais à
estrutura de sua população, na qual os escravos passarão a ser a minoria.

- para a Inglaterra, o ciclo do ouro brasileiro trouxe um forte estímulo ao
desenvolvimento manufatureiro, uma grande flexibilidade à sua capacidade para
importar, e permitiu uma concetração de reservas que fizeram do sistema bancário
inglês o principal centro financeiro da Europa.

- para Portugal, a economia do ouro proporcionou apenas uma aparência de riqueza,
repetindo o pequeno reino a experiência da Espanha no século anterior.

- o último quartel do século XVIII veria a decadência da mineração do ouro no Brasil. A
Inglaterra já havia, sem embargo, entrado em plena Revolução Industrial.

- a forma peculiar como se processou a independência da América portuguesa teve
consequências fundamentais no seu subsequente desenvolvimento -> transferindo-se o
governo português para o Brasil sob a proteção inglesa e operand-se a independência da
colônia sem descontinuidade na chefia do governo, os privilégios econômicos de que se
beneficiava a Inglaterra em Portugal passaram automaticamente para o Brasil
independente.

- a medida que o café aumenta sua importância dentro da economia brasileira, apliam-se
as relações econômicas com os EUA. Já na 1ª metade do século esse país passa a ser o
principal importador do Brasil.

Aula 09/05/2011 -> Fernando Novais – As dimensões da Independência

-> Relembrando a 3ª aproximação: o sistema colonial da era mercantilista era um
instrumento da acumulação primitiva.

O papel das colônias no Antigo Regime:

a) No plano econômico -> ponto de apoio para fomento da acumulação
b) No plano político -> elemento de fortalecimento do poder central (quanto mais

fortalecido ficava, menos dependende dos outros)
c) No plano social -> aprofundamento da diferenciação social; ascenção da burguesia

comercial

O setor que economicamente se beneficia é a burguesia comercial

- o Sistema colonial foi a principal alavanca na gestação do capitalismo moderno, ao
promover a acumulação de capital (K) e a ampliação do mercado de manufaturas. ->
condições imprescindíveis para a Revolução Industrial, e ao estabelecimento do capitalismo
pelno (industrial).

Obs.: uma vez lançada a revolução industrial na Inglaterra, esses mercados coloniais
ficarão insuficientes. Precisa de uma transformação desses trabalhadores coloniais em
consumidores.

- mecanismo básico do sistema colonial da era mercantilista -> a) exclusivo colonial; b)
tráfico negreiro; c) escravismo africano

Observação:

Noção de crise: é “importada” das ciências médicas. O senso-comum é a quebra/ruptura de
harmônia, equilíbrios mecânicos, estabilidade, normalidade.

Nas ciências humanas (sociais) -> Marx – crises econômicas do capitalismo = desarticulação
entre as esferas da produção e do consumo.

Há um “espraiamento” para outros campos -> crise científica, de crise ideológica, de crise
política.

Crise histórica -> crises parciais; súbita irrupção de desconjuntamentos; desarticulação das
relações inter estruturais; colapso da estrutura global.

Crise do sistema -> i) crise de funcionamento (endógeno) – o sistema cumpriu a sua
funcionalidade (acumulação primitiva) e, justamente por isso, entra em crise. Essa crise é
gerada de dentro para fora. ii) crise de superação – a partir de um determinado momento,
uma nova realidade estará posta. Mas essa nova realidade, não é uma destruição do que
vinha antes. Nega observando.

Sistema colonial -> acumulação primitiva -> desenvolvimento do capitalismo (sociedade
burguesa).

Na colônia -> escravismo (sociedade senhorial escravista)

Confronto com os mecanismos básicos do sistema -> exclusivo colonial; tráfico negreiro;
escravismo africano -> não houve necessidade do pleno desenvolvimento do capitalismo.

A Inglaterra perde o seu mercado colonial. Sua expansão precisa ser feita em cima dos
outros mercados coloniais, por isso, para ela, não interessa mais ter colônia, tráfico
negreiro e escravismo africano. Passam a ser indesejados.

Bastou-se os primeiros passos do capitalismo e esse confronto já foi aparecendo.

- limite natural do crescimento do sistema:

Condições em que se dá a Produção Colonial (escravista)

• Baseia-se na exploração das diferenças ambientais entre a Europa e a Colônia
• Abundância de terras + escassez de capital + baixo nível tecnológico -> baixa

produtividade; crescimento extensivo; atividade predatória -> limite natural ao
crescimento; esgotamento dos recursos produtivos; não chegou a esse ponto. A
superação desse modo de produção não se deveu a fatores naturais, mas sim a
fatores de produção.

- exportador -> grandes unidades; trabalho escravo; gêneros de consumo na Europa ->
setor principal (razão de ser da colônia).

- importador

- escravismo -> trabalhador direto não possui renda própria, alta concentração da
renda, produção de gêneros europeus, acumulação de renda na metrópole;

- exploração colonial -> exploração do trabalho escravo

- produção de técnica bastante rudimentos -> sem qualquer progresso técnico. Redução
do custo de produção não é possível de ser obtido mediante altas de produtividade ->
redução do custo através da redução do custo de manutenção da Força de Trabalho ->
desenvolvimento da agricultura de subsistência no interior da unidade produtiva
exportadora, principalmente nas épocas de estagnação/crise. Única forma de obter
lucro do proprietário é mediante a mais valia absoluta.

- acumulação primitiva -> promove a revolução industrial que grante o aumento da
produtividade e da produção. Exige-se um aumento de consumidores. A camada superior
da sociedade colonial é suficiente apenas enquanto a produção é artesanal -> a economia
escravista entra em choque.

-> dimensões da crise do sistema colonial

i) estrutural (teórica): a questão teórica cria um conjunto de tensões, que qualquer fato
histórico pode desenvadear a tensão, fazendo com que todo o sistema comece a
balancear. Uma ponta entra em crise e, assim, todo o sistema entra em crise.

Nas colônias -> a crise assume a forma de guerras de independência.

ii) histórica: fato originário -> colônias de povoamento -> tensões políticas e religiosas
provocadas pelo absolutismo inglês no século XVII, à margem do sistema colonial
mercantilista, apesar de contemporânea (não se organizou uma exploração para
abastecimento do mercado europeu).

Fim da guerra dos 7 anos (1763) -> Inglaterra tenta enquadrar suas colônias (exclusivo
comercial) -> independência dos EUA (1776) -> início da crise do Antigo Regime (antes
do limite natural).

- política da Inglaterra após