Resumo_FES1_1S11
133 pág.

Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
Pré-visualização42 páginas
insuportável.

Aula 11/05/2011 – Olga Pantaleão – A presença inglesa no Brasil

A autora procura mostrar que o século XIX (em especial a 1ª metade), é um século inglês,
de forte influência inglesa. Após a vinda das cortes para o Brasil, adota-se um padrão, no
jeito de vestir, de comer, de morar -> influência intelectual

Fatos ocorridos:

• Inglaterra, Portugal e o bloqueio continental;
• Política inglesa e a partida da família real portuguesa para o Brasil;
• Projetos ingleses de conquista da América;
• Comboios mercantes e a dificuldade de carga e descarga na âlfandega;
• Dificuldades de escoamento das mercadorias;
• A remessa de produtos das vendas para a Inglaterra;
• O tratado de comércio de 1810;
• O tratado de paz e de amizade;
• O domínio britânico sobre o comércio exterior e interno brasileiro;
• Influência britânica da vida política da corte: a questão do Prata;
• Interesse inglês na volta da família real para a Portugal;

A partir desses tópicos, a autora demonstra como que o século XIXI pode ser chamado de
século inglês.

- Introdução:

• 21/11/1806 -> Bloqueio continental (não é posto em prática assim que assinado).
Efetiva-se após o tratado de Tilsit com a Rússia (07/07/1807) e a Prússia
(09/07/1807) -> são tratados de pacificação

• O dilema de D. João: i) lealdade à Grã-Bretanha ou, ii) adesão ao bloqueio
continental -> realiza uma política dúbia, que gera insatidfação para ambas as
partes.
Obs.: era esperado que, caso Portugal, fosse para o lado da França, a Inglaterra
invadiria o Brasil.

• Fechamento dos Portos (20/10/1807) e assinatura de Convenção (secreta com
Jorge III). Essa Convenção secreta já deixa meio como inevitável a saída da família
Real para o Brasil. O compromisso da Inglaterra era de não permitir que nenhum
governo em Portugal, além da casa de Bragança.

• Tratado de Fontainebleau (27/10/1807) -> Napoleão assina um acordo em que a
casa de Bragança não governará mais

Obs.: A autora explora muito a atitude vacilante perante a pressão exercida pela
Inglaterra e pela França.

• Esquadra inglesa chega a Lisboa com 7 mil homens para escoltar a família real para
o Brasil ou para atacar Lisboa, caso houvesse resistência de D. João

• Avanço das tropas de Junot (França)
• Fronteira com a Espanha (19/11/1807)
• Notícia da chegada a Lisboa (22/11/1807)
• D. João é avisado (24/11/1807), quando as tropas francesas já se encontravam em

Abrantes (151km ao norte de Lisboa)
• Partida para o Brasil (29/11/1807). Junot entre em Lisboa (30/11) -> essa partida

foi extremamente rápida. A Corte trouxe tudo para o Brasil, por exemplo, 1/3 das
moedas (gerando inflação em Portugal)

• Escolha do Brasil -> “vaca leiteira” do império (desde 1640). Era também um local de
extremo interesse para a Inglaterra. -> O Brasil era o celeiro das exportações
portuguesas.

A Coroa chegam em Salvador no dia 21/01/1808, 2 dias após a chegda, assina a Abertura do
Portos.

- Abertura dos Portos

• Caráter interino e provisório da medida (enquanto não se tem um sistema geral);
• Justificação -> condição excepecional do Reino, que fora ocupado por tropas

napoleônicas e espanholas
• Autoriza a entrada nas alfândegas brasileiras de todas as mercadorias

transportadas em navios de vassalos ou de nações amigas
• Autoriza a exportação de quaisquer mercadoria (exceto o que era estanco) por

vassalos ou estrangeiros, pagando imposto de exprotação devido às capitanias
• Imposto de importação: i) mercadorias secas = 24% ad valorem (era de 30%); ii)

molhadas = 48% ad valorem

Em junho/1808, a família real já está instalada no Rio de Janeiro

• Redução da alíquota de produtos ingleses: i) secos = 16% ad valorem e, ii) molhados
= redução de 1/3 no que estava estipulado -> consequências:
a) Afluência de comerciantes ingleses, que estavam pressionados pela paralisação

do comércio com Portugal e com os EUA;

Obs.: vieram comerciantes responsáveis, aventureiros e, especuladores.

Consequências: i) abarrotamento do mercado (quantidade de produtos era muito acima da
capacidade de absorção do mercado brasileiro); ii) dificuldades de descarga e de alfandega

- Abertura dos Portos (28/01/1808) -> a decisão da abertura foi muito rápida, não haviam
chegado no Rio de Janeiro). Explicações:

• Questão prática: era impossível reestabelecer a comunicação com o reino sem o
auxílio de navios estrangeiros.

• Cumprimento do acordo de 22/10/1807 que dava livre acesso aos navíos britânicos
no Brasil (esse tratado previa que se faria a abertura de um único porto, sendo
esse o de Santa Catarina).

• Influência das idéias de Visconde de Cairu sobre a liberdade de comércio
preconizada por Adam Smith.

Obs.: a cidade do Rio de Janeiro era muito pequena, acolheu muita gente, isso gerou uma
inflação muito grande, especulação imobiliária, inundação de moedas (1/3 das moedas
portuguesas estavam no Rio de Janeiro). Após acomodada as famílias, inicia-se a
normalidade (exemplos: criação da imprensa régia, todas as colônias tinham. Isso mostra
como Portugal tinha interesse em manter a colônia culturamente pobre. Cria-se o primeiro
banco do Brasil. revoga-se a lei sobre as manufaturas, etc)

Os tratados de 1810 (são 3):

i) Aliança e Amizade
ii) Comércio de Navegação
iii) Convenção sobre o estabelecimento de paquetes (serviço de correio regular

entre Inglaterra e Rio de Janeiro)

Foram assinados no Rio de Janeiro em 19/02/1810, porém, começaram a ser negociados
muito antes, por 2 ministros especiais para isso.

a) Em Portugal, o responsável era Coutinho, ligado a um partido favorável à Inglaterra.
b) Na Inglaterra, o responsável era o Lord Strangford

Os tratados foram confirmados em Portugal de forma muito rápida (26/02/1810). Já a
Inglaterra demora para assinar o tratado (18/06/1810). A autora dá um enfoque na
utilização da Inglaterra do prazo máximo para a análise do tratado (4 meses), mostrando a
minuncia que os ingleses fizeram do tratado.

O prazo de validade do tratado era indeterminado, sendo revisado a cada 15 anos. Porém
não ocorreu a revisão pois a Inglaterra não havia reconhecido a independência brasileira.
Renovado em 1827 (próxima renovação em 1842 -> relações do Brasil com a Inglaterra
estavam horríveis, em razão da Tarifa Alves Branco (que dobra as tarifas de Portugal).
Essa crise entre Brasil e Inglaterra desdobra-se no Bill Aberdeen, em que a Inglaterra
poderia fiscalizar navios portugueses.

A autora faz uma conclusão negativa sobre esses tratados, que foram absolutamente
desequilibrados a favor da Inglaterra. Foram o preço pago por Portugal à Inglaterra pelo
auxílio na vinda para o Brasil.

- Motivações dos tratados: diferença de perspectiva entre os representantes das coroas
inglesa e portuguesa:

a) Portugal -> “o governo português tinha os olhos no território europeu”, cuja defesa
estava nas mãos dos ingleses. O reino ficou sob o governo de uma comissão, dentre os quais
sobressaia o general inglês Strangford.

b) Inglaterra -> estava com os olhos no Brasil = novos mercados (possível de ser ampliado
para a América Espanhola), sem interdição de Lisboa.

Assim, em muitos aspectos, o tratado reafirma velhos pontos acordados:

i) Juiz conservador (julga crime dos ingleses segundo as leis inglesas, em
Portugal) -> já existia nos tratados firmados em 1654

ii) Exclui clausulas antigas que eram desinteressantes aos ingleses. Exemplo: os
navios de um país poderiam transportar mercadorias e generos pertencentes a
inimigos dos outros

iii) As clausulas continuariam valendo mesmo que a família real voltasse para
Portugal

Os principais negociadores:

i) Percy Clinton Syden -> 6º Lord Strangford
• Orientação minuciosa de Canning
• Forte influência da opinião de comerciantes ingleses organizados na

Associação dos comerciantes de Londres
ii) Rodrigo de Souza Coutinho (Conde de Linhares)

• Anglófilo
• Despreparado para defender os interesses portugueses
• Ignorante da situação de Portugal