Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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• Descuidado com o conteúdo e precisão do tratado
• Simonsen chama a atenção para a tradução do tratado, que não é

exatamente igual.

Exemplos de benefícios aos ingleses

• Participação dos comerciantes ingleses na elaboração da pauta de valores das
mercadorias que era utilizada para a cobrança dos impostos. Era absolutamente
grave. Estrangeiros definiam quanto pagarão de impostos (perda de soberania)

• Possibilidade de pagamento dos direitos de importação com letras a vencer em
prazo de 9 meses -> privilégio não aplicado sequer aos súditos portugueses

• Ressarcimento de danos ou perdas sofridas por mercadorias sob a guarda das
autoridades alfandegárias

• Uso do porto de Santa Catarina como porto franco (pagamento apenas dos direitos
incidentes sobre a re-exportação, armazenagem, etc). Era particularmente
estratégico, pois 18% do total das exportações para o Brasil era reexportado para
Buenos Aires

• O comércio inglês não pode ser embaraçado por qualquer espécie de monopólio ou
privilégio.

Exemplos de descaso dos portugueses com relação ao conteúdo e precisão do tratado ->
controvérsia porterior, parcialmente superada mediante negociação, nem sempre tão
amistosas. Em 1812, Souza Coutinho morre, quem o sucede é Antônio de Araújo e Azevedo
(franccófilo), há um conflito com Strangford que deixa o país em 1815, em razão de
problemas com questões do tratado e pelo apoio de Carlota Joaquina em certas ocasiões.

Pontos de conflito:

1. Comércio com a Ásia (Goa e Macau) -> continuassem sendo áreas restritas aos
comerciantes portugueses. Pelo artigo 23, Goa torna-se um porto franco.

2. Pressão do Núncio Papal -> prática da região protestante (liberdade religiosa ->
artigo 12)
i) Aparência externa dos templos não deveriam destoar das habitações

comuns e não terem sinos
ii) Não procurar fazer conversões
iii) Não poderiam pregar em público contra a religião católica
iv) Terem cemitério próprio (nem católicos tinham cemitério nessa época

Resultado: “extremamente favorável à Inglaterra”

Apesar de o tratado prever a reciprocidade, mesmo que tal princípio tivesse sido aplicado,
poucas teriam sido as chances de Portugal usufruir, por exemplo, cláusula da “nação mais
favorecida”. Os protugueses não conseguem se beneficiar, são produtores agrícolas.

Pontos recíprocos:

• Nação mais privilegiada
• Liberdade dos súditos, em qualquer parte dos domínios para o comércio, viagem,

residência, dispor de propriedade
• Igualdade no pagamento de tributos

Encargos unilaterais de Portugal

• Restringir ou interromper o comércio de súditos britânicos monopólios ou
privilégios de venda e/ou compra

• Juiz conservador -> Portugal reconhecia que as leis inglesas eram melhores do que
as leis portuguesas

• Liberdade religiosa
• Tarifa de 15% com pauta elaborada com a participação de comerciantes inglesas
• Portos franco: SC e Goa

Encargos unilaterais de Jorge III

• Aceitar café, açúcar e outros artigos semelhantes ao produzido nas colônias
britânicas poderiam entrar na Inglaterra apenas para serem re-exportados

Obs.: o tratado de Paz e de Amizade complementa o tratado de comércio

Defesa mútua:

• Artigo 6º -> madeiras
• Artigo 9º -> não haveria tribunal do Santo Ofício no Brasil. ingleses pressionaram

para tentar a promessa de que eles nunca seriam atingidos por esse tribunal
• Artigo 10º -> abolição gradual do tráfico transoceânico de africanos, limitado às

colônias portuguesas na África. A qualquer momento, a Armada Inglesa poderia
parar um navio de escravos. Ao criar o lícito, cria-se també, o ilícito.

• Outras clausulas foram anuladas pelo tratado de Viena.

Consequências para Olga Pantaleão -> afirma-se a presença inglesa no Brasil

• Influência material -> comércio (importação e exportação), investimentos, gosto
(residência e moda), medicamentos, meios de transporte, instrumentos de trabalho.

• Influência intelectual -> literatura, livros técnicos (por exemplo de cultivo),
científicos.

• Influência política -> conduta do governo, comportamento dos parlamentares (Brasil
vivia uma espécie de parlamentarismo) -> o imperador nomeia o 1º ministro, esse
dissolve o congresso e realiza as eleições. (na forma, a aparência é inglesa, na
realidade, não é)

• Recuperação da indústria britânica, em crise desde o bloqueio continental
• Impediu o desenvolvimento da indústria no Brasil -> alíquota de 15% era muito

baixa. Os preços dos produtos ingleses convertidos à moeda nacioanl são muito
baixos (tese semelhante a de Simonsen).

Pontos importantes do texto

• Consequência mais importante da vinda da família real portuguesa foi o
fortalecimento no Brasil da influência britânica

• Influência da civilização material britânica -> predominam os ingleses em nosso
mercado; trazendo mercadorias de toda espécie, levam matérias-primas, como
algodão e produtos agrícolas ou derivados da pecuária. Investem grandes capitais.

• Influência intelectual -> influência na vida política do país; na orientação da linha de
conduta do governo ou na ação sobre as atitudes parlamentares que dos ingleses
copiaram a oratória, o teor dos discursos

• O século XIX, sobretudo em sua primeira metade, foi assim, no Brasil, o século
inglês por excelência. E tudo isso começou com a chegada da família real
portuguesa.

• Bloqueio continental -> Napoleão fazia dele uma arma ofensiva, arma de guerra;
fechando os mercados do continente, procurava arruinar economicamente sua
inimiga para obrigá-la a render-se.

• As hesitações do Principe Regente D. João entre as duas correntes que lhe
disputavam a preferência deram lugar a uma política dúbia que não satisfazia
ninguém, nem a Napoleão, nem à Grã-Bretanha.

• O governo encontrou a solução na saída do príncipe Regente e de toda família real
de Portugal para o Brasil; era a única aceitável. Portugal não tinha poderes para
impedir uma invasão: o exército estava em péssimo estado e o país não tinha
condições para resistir a um ataque das poderosas forças francesas.

• A Grã-Bretanha pediu-se apoio e garantia para a viagem. Ficou logo dicidido que o
Príncipe da Beira, D. Pedro, herdeiro do trono, iria primeiro e o mais cedo possível.
Além de ser mais fácil do que a mudança de toda a família real, a partida do

príncipe da Beira valeria por uma advertência para a França e prepararia a saída de
toda a corte.

• Convenção secreta com a Grã-Bretanha -> pela qual os dois países tomavam as
medidas necessárias para conciliar seus interesses e provar à segurança da amizade
que os unia. Assinada em 22 de outubro de 1807, a convenção determinava as
medidas que seriam adotadas no caso de Portugal se ver obrigado, para evitar a
guerra, a praticar atos de agressão contra a Grã-Bretanha.

• A demora portuguesa em atender as exigências franceses deram assim ao ingleses
(residentes em Portugal) tempo de salvar a maior parte dos seus bens.

• A hesitação de D. João prendera-se ao temor da travessia do Atlântico e também
ao fato de que, saindo, abandonava Portugal ao seu destino, salvando, embora a
dinastia e a posse do Brasil. sabia-se que a colônia americana poderia ser perdida se
Portugal passasse a esfera francesa, pois os ingleses nunca consentiriam que
estendesse até o Brasil a influência francesa.

• Interessava também aos ingleses que os franceses, ocupando o Reino, não pudessem
tirar o menor proveito das colônias portuguesas, especialmente do Brasil, nem
estabelecer sua influência neste lado do Atlântico.

• O estabelecimento aqui da sede da monarquia colocava o Brasil sob a influência
britânica, sem necessidade de uma luta que a Grã-Bretanha não estaria em
condições de sustentar, pois isso significaria dispersão de forças e, em meados de
1807, o estado do país do ponto de vista militar e financeiro não era dos melhores.

• Projetos ingleses de conquista na América do Sul -> houve tentativas inglesas de
invasão de territórios da América do Sul. -> para o parlamento inglês era preferível