Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais450 seguidores
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que mudasse a sede da Côrte portuguesa, pois a Inglaterra tiraria, sem gastos ou
danos, melhores proveitos.

• A notícia da saída da família real para o Brasil foi recebida com satisfação pelo
governo e com entusiasmo pelos comerciantes e industriais, que viriam a abrir-se a
possibilidade na América portuguesa e através dela, na América Espanhola, de
novos mercados que poderiam substituir em parte os que se fechavam na Europa e
Estados Unidos.

• Abertura dos Portos -> a medida foi tomada por D. João logo depois da sua chegada
à Bahia -> permitida a importação de todos e quaisquer gêneros, fazendas e
mercadorias transportados em navios estrangeiros das potências que se conservam
em paz e harmonia com a Real Coroa.

• Afluência de comerciantesingleses para o Brasil
• Camboios mercantes e dificuldades de descarga e de alfadêga -> essas

embarcações trouxeram tal quantidade de mercadorias que logo abarrotaram o
mercado. Os navios congestionavam os portos.

• Em 1809 -> Luccok -> os ingleses tornaram-se senhores das alfandegas, eles
regulavam tudo, e que ordens tinham sido transmitidas aos oficiais para que dessem
particular atenção às indicações do Consul Britânico

• Dificuldades no escoamento de mercandorias -> os comerciantes ingleses logo
exportaram quantidades enormes de mercadorias, acima da capacidade de absorção

do mercado brasileiro. O desejo de solucionar o problema que se tornava
angustiante, com a paralisação dos negócios, com o acúmulo de mercadorias, a
estagnação dos capitais do país, é responsável pelo aspecto que tomaram as
exportações para o Brasil em 1808-1809.

• Vieram mercadorias absolutamente impróprias para o mercado, decorrendo o erro
de um lado, do desconhecimento das condições brasileiras, de outro, da vinda de
aventureiros que traziam pacotilhas compradas às pressas e a baixo preço.

• Imediatamente, houve uma forte baixa nos preços dos produtos. -> os
comerciantes, preferindo embora o comércio de atacado, tiveram de conformar-se
com as vendas a retalho.

• Os leilões tiveram importância muito grande na difusão de artigos britânicos
• Outra solução adotada foi a venda das mercadorias nas ruas, de casa em casa, por

intermédio de agentes, verdadeiros mascates. E ainda reexportaram-se para as
colônias para as colônias espanholas, especialmente Buenos Aires.

• Somente em 1810 o mercado começou a adquirir um aspecto normal, com a absorção
das mercadorias excedentes

• O comércio brasileiro era um mercado restrito, pouco elástico, difícil de se manter
equilibrado. As primeiras importações tinham mostrado a pequenez do mercado.
Não poderia absorver muito mais do que aquilo que já vinha da Inglaterra
indiretamente através de Portugal

• A continuação dos negócios foram mostrando outras dificudades -> escolher a
quantidade e a qualidade dos artigos para o mercado.

• Quem recebia 1º as mercadorias, colocava-as logo, antes da competição iniciada.
Dificuldade residia na demora das relações com a Inglaterra.

• Não era desprezível o prejuízo em resultado dos roubos.
• A remessa dos produtos das vendas p/ a Inglaterra -> 3 formas diferentes: i)

letras de câmbio (permitia o conhecimento imediato dos lucros e a transação
encerrava-se mais rápido); ii) mandar cargas de retorno (permitia 2 proveitos, um
na venda das mercadorias exportadas aqui e outro na venda dos retornos lá.
Favorecia esse tipo de ajuste pois, no mercado brasileiro, as compras nem sempre
eram feitas com dinheiro – alguns desses produtos tinham sua entrada proibida na
Inglaterra, sendo admitidos apenas para reexportação) -> predominou; iii) enviar
como retorno a moeda ou ouro e as pedras preciosas. (as moedas eram muito
escassas no Brasil, dificilmente pagar todas as importações. Podia-se pensar em
receber o ouro em pó ou em barra, mas sua exportação era proibida, só sendo
possível a saída através do contrabando, o que constituía um risco para o
exportador. Mas até 1813, foi um risco que valia a pena correr.)

• Tratado de comércio de 1810 -> foi o preço pago por Portugal à Inglaterra pelo
auxílio que dela recebera na Europa. Segundo Canning, por esse tratado, os ingleses
recebiam “importantes concessões comerciais às expensas do Brasil”, em troca de
“benefícios políticos marcantes conferidos à Mãe Pátria”

• A abertura dos portos brasileiros dera-lhe possibilidade de dispor de novos
mercados, de que ela, com a situação internacional, usufruia quase com

exclusividade. O fim da guerra trar-lhe-ia competidores: era pois necessário
garantir vantagens e direitos preferenciais, para assegurar a posição adquirida. Daí
a pressa do governo inglês em iniciar as negociações para o tratado previsto já em
1808.

• O negociador inglês possuia, pois, opinião formada sobre o problema das relações
com o Brasil e procurou fazê-la predominar. O negociado português, conhecido por
suas inclinações anglófilas, não mostrou estar preparado para defender os
interesses portugueses: desconhecia a situação real do Brasil, e não cuidou de
deixar claros no tratado ou de defender pontos de interesse para o comércio de
Portugal.

• Grã-Bretanha estava, em relação ao governo português, em condições de impor sua
vontade: o governo português dependia dela para a defesa de Portugal na Europa.
De modo que a vontade firme de Strangford não encontrou suficiente resistência
da parte do governo a não ser num ou noutro ponto.

• O acordo não concebia tal reciprocidade. As cláusulas, mesmo quando quando
falavam em concessões recíprocas, não estabeleciam igualdade de condições para as
atividades. -> todas as concessões, na prática, acabariam sempre por favorecer os
ingleses por causa da organização econômica superior. De modo geral, Portugal era
tratado como nação mais favorecida, enquanto Grã-Bretanha recebia concessões
mais extensas. Quanto às conveniências, foram as inglêsas que receberam cuidado.

• Possibilidade da Grã-Bretanha conquistar totalmente o mercado brasileiro -> preços
muito baixos de seus produtos -> importante mercado p/ as manufaturas inglesas.

• Os ingleses tiveram verdadeiros privilégios de extraterritorialidade. -> o que
realmente chocava no artigo referente ao Juiz Conservador era o reconhecimento
que o governo luso fazia, publicamente, da superioridade da justiá inglesa sobre a
portuguesa.

• Outras cláusulas que merecem ser destacadas -> o tratado determminava que
produtos brasileiros como o açúcar, café e outros produtos semelhantes ao das
colônias britânicas, cuja entrada na Grã-Bretanha era proibida, podiam ser
recebidos em todos os portos ingleses para reexportação. Nesse caso, seriam
guardados em armazéns, pagariam somente direitos reduzidos e despesas de
reexportação e armazenagem. Isso, favorecendo os portugueses, favorecia também
os comerciantes britânicos do Brasil, pois seus retornos eram muitas vezes
constituidos por esses produtos.

• No que respeita ao comércio com o Oriente, desejava o governo português
conservar para seus súditos os ganhos do comércio da Ásia -> reconhecia o tratado
ao Príncipe Regente, o direito de proibir a importação nos seus territórios de
gêneros das índias Orientais e Ocidentais britânicas.

• As “regalias” que os ingleses já tinham em Portugal (liberdade de religião e de culto,
juiz conservardor...) foram transportadas para o Brasil.

• O Tratado de Paz e de Amizade -> algumas cláusulas referiam-se ao Brasil
• Cortar madeira das florestas brasileiras p/ a contrução de navios de guerra

ingleses -> c/ a guerra e o bloqueio continental, a marinha inglesa não podia madeira

p/ satisfazer suas necessidades: daí o interesse pelo fornecimento brasileiro.
Outro ponto importante era a declaração do príncipe regente de que a inquisição
nunca seria introduzida no Brasil.

• O príncipe regente concordava na abolição gradual do tráfico de escravos e
concordava em permití-lo apenas nas possessões portuguesas da África para o
Brasil.

• Com essas concessões, firmou-se o comércio