Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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nas mãos do rei
de Portugal e posteriormente, em 1821, foi anexada ao Brasil com o nome de
Província Cisplatina.

• O interesse inglês na volta da família real para Lisboa -> modificavam-se, todavia,
as condições internas do reino lusitano. A situação fazia-se muito perigosa para a
estabilidade da dinastia e mesmo da monarquia: os portugueses sentiam-se
descontentes com sua posição de inferioridade no conjunto dos domínios lusitanos,
com a ausência da Corte e com as medidas tomadas em favor do Brasil.

• A Inglaterra interessava, agora, a volta da família real p/ Lisboa. Mas o rei só
cogitou em voltar depois da revolução de 1820 no Porto. Esperava, talvez, poder
contar com a garantia inglesa para ver-se livre da revolução ou de suas
consequências. Mas o governo inglês fêz-lhe saber que a garantia não envolvia o
caso de revolução ou quaisquer negócios interno. -> partiu para o velho reino em
abril/1821, mas os ingleses aqui guardaram seus interesses e suas vantagens.

Fechava-se, assim, um capítulo curto mas importante de nossa história. As
mudanças introduzidas sob o reinado de D. João VI tinham dado ao Brasil nova
fisionomia política e econômica, abrindo o caminho para a Independência.

Aula 16/05/2011 – O Desenvolvimento econômico do Brasil – Celso Furtado - o (não)
desenvolvimento econômico do Brasil

- Crítica ao argumento de Simonsen (página 100)

Furtado nem considera a tese de que somente os países brancos, etc, se industrializam.
Outra tese da época é que os países em trópicos estavam fadados a não se industrializar
(também não considera essa teoria).

A explicação de Furtado está baseada num conceito de “proteção natural” -> proteção
emprestada à produção nacional pela taxa de câmbio.

Obs.: preço do produto importado em moeda nacional = preço da moeda internacional*taxa
de câmbio*(1+impostos)

Tratados de 1810 -> tarifa preferencial era extremamente baixa (15%), foi renovada em
1827. Tarifa Bernardo de Vasconcelos (15% para todas as importações brasileiras) -> isso
gera uma redução da receita de importação, que era a principal fonte de recurso do
governo. -> limitação séria à autonomia do Governo no setor econômico (era impensável,
naquele momento, o governo no setor econômico. Era impensável, naquele momento, o
governo fazer uma política de subsidios em pró da industrialização, ou por exemplo, investir
em infra-estrutura para favorecer a industrialização. E isso é o que o governo norte-
americano faz.

Para se ter uma idéia, a receita tributária não cobria nem 50% da Guerra no Uruguai (1825-
1828)

Além disso, as revoltar internas tambmém geravam déficits fiscais -> faziam com que o
governo emitisse mais moeda.

Obs.: inicialmente, as emissões do Banco do Brasil eram lastreadas em ouro,
posteriormente, perde-se o lastro.

Exemplo do aumento das emissões -> em 1822 há 9.924 contos de réis. Em 1831, há 20.350
contos de réis (um crescimento de 2,36 vezes).

Crítica de Furtado -> proteção natural

Aumento das importações / redução das exportações -> gera um déficit comercial +
ausência da entrada de capital -> havia um forte risco do Brasil ir à falência, os
empréstimos internacionais eram limitados. Há uma variação da taxa de câmbio.

1808 até 1831 -> há um encarecimento do preço dos produtos importados, cotados em
moeda nacional (ou seja, há uma forte desvalorização da moeda nacional).

Essa desvalorização da taxa de câmbio fazia com que os preços dos produtos importados
ficassem mais caros no mercado nacional -> redução do poder aquisitivo do mercado interno
para produtos importados.

Obs.: o jeito de cobrir o déficit era retirando moeda de circulação

Assim, fica claro que, segundo os argumentos de Furtado, a não industrialização do Brasil
não é em razão da política liberal, pois a mesma – através da desvalorização da moeda –
desestimulava a importação.

-> O protecionismo dos EUA -> o protecionismo fiscal não ocorreu na infância da
industrialização norte-americana. Em 1797, era cobrada uma tarifa de 5% ad valorem sobre
os tecidos de algodão e, em média 8,5% ad valorem, para os outros produtos. Ou seja, as
tarifas eram baixas!!! Só em 1808 vemos um aumento nas tarifas sobre os tecidos de
algodão (17,5% ad valorem). Esse aumento ocorreu em pressão da indústria têxtil norte-
americana, que já estava consolidada (ou seja, o aumento nos impostos foi uma consequência
da consolidação da indústria têxtil norte-americana).

- fatores responsáveis pela precoce industrialização norte-americana:

a) peculiaridades de sua colonização permitiram o estabelecimento de indústrias que não
concorriam com a metrópole;

b) diferenças das classes sociais que promoveram a independência do Brasil (grandes
agricultores escravistas) e a independência norte-americana (pequenos agricultores e
comerciantes) -> embora as 2 elites liam Adam Smith, elas tinham entendimentos
diferentes acerca da doutrina liberal. -> comparação do Visconde de Cairu com o Alexander
Hamilton.

i) Alexander Hamilton -> secretário do tesouro norte-americano fez 5 relatórios que foram
a base da escola americana de economia política. Em um dos relatórios (sobre as
manufaturas), de 1791, defende que para manter a independência dos EUA precisam ter
uma sólida indústria.

As tarifas alfandegárias eram moderadas, com parte das receitas utilizadas para subsídios
destinas para prover a proteção a indústria nascente até que elas pudessem competir, para
gerar receitas para cobrir as despesas e, para incentivar a industrialização.

ii) Visconde de Cairu -> conheceu a obra de Adam Smith em 1795. Citação de Furtado: “crê
supersticiosamente na mão invisível e repete: dexai fazer, dexai passar, dexai vender.”

Ou seja, enquanto o Hamilton propõe um governo atuante na economia, o Visconde de Cairu
propõe um governo liberal. -> é uma diferença de postura!!!!

No caso dos EUA, o déficit comercial era coberto com recursos provenientes da venda de
bônus dos governos central e estaduais -> havia a entrada de capitais. Não pressionava a
taxa de câmbio e emissão de moedas -> não tinha proteção natural observada no Brasil.

O fator decisivo para a industrialização norte-americana foi o aumento da exportação de
algodão (matéria-prima básica para a Rev. Industrial). -> 1831-1835 os EUA forneciam
cerca de 70% da produção de algodão mundial (aumento da terra cultivada + plantation ->
aumento da produtividade + redução de custos) -> isso mostra que os EUA tinham poder de
importação.

Obs.: fator decisivo para o desenvolvimento da cotonicultura nos EUA -> “criação” de uma
máquina que tirava o caroço do algodão sem quebrar o fio (= aumento de produtividade e
redução dos custos).

Nesse período, o número de escravos nos EUA praticamente quadruplica (o tráfico negreiro
já era proibido) -> o crescimento doi principalmente nos estados do Sul, que eram
produtores de algodão.

Obs.: o algodão representou 50% das exportações dos EUA.

Com base nisso, Furtado olha para o Brasil, para ver como é que se comportaram as
exportações brasileiras nesse período -> entender as causas do não desenvolvimento do
Brasil.

Tínhamos que gerar capacidade de importações (olha para o valor das exportações
brasileiras) -> há uma carência técnica.

Custo das Exportações = (Preço das exportações/Preço das importações)*quantidade de
exportações

O crescimento das exportações brasileiras de 1800 a 1850 foi insuficiente para
financiar o crescimento econômico.

Entre 1800 e 1849-50, o valor das exportações foi menor do que o crescimento
populacional -> gera uma redução da exportação per capita (isso é o estancamento que
Furtado se refere).

Principais produtos exportados: café, açúcar, algodão, couros e peles, fumo -> esses
produtos vão se intercalando em termos de primazia. Por exemplo, o café, o preço caía, mas
as produções aumentavam, o que é algo meio irracional. Assim, o país exportava mais, mas
mesmo assim, não conseguia crescer.

Os preços do café caíram cerca