Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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de 40% e a quantidade exportada subiu cerca de 100%.

Sem o café o valor da exportação na metade do século seria inferior àquela do início do
século. Em comparação com os EUA, as exportações brasileiras quase não crescem de 1700
a 1820. Já nos EUA, crescem muito.

1700 -> Brasil exporta 3x mais que os EUA

1820 -> EUA exporta 14 mm, enquanto o Brasil exporta 4,0 mm

A capacidade de importação brasileira cresceu apenas 20%.

Pontos Importantes do texto – Celso Furtado – Capítulos 16, 17 e 18

Capítulo 16 – o Maranhão e a falsa euforia do fim da época colonial

• Último quartel do séc XVIII constitui uma nova etapa de dificuldades p/ a colônia -
> açúcar enfrenta novas dificuldades e o valor total de suas vendas desce a níveis
tão baixos como não se havia conhecido nos 2 séculos anteriores. -> nível de renda
mais baixo que haja conhecido o Brasil em todo o período colonial

• Economia brasileira se apresentava como uma constelação de sistemas que alguns se
articulavam entre si e outros permaneciam praticamente isolados.

• Pecuária nordestina -> articulada ao núcleo açucareiro, porém de forma cada vez
mais frouxa.
Pecuária sulina -> articulada ao núcleo mineiro
Esses dois sistemas ligavam-se frouxamente através do rio São Francisco, cuja
pecuária beneficiava da meia distância a que se encontrava entre o Nordeste e o
centro-sul p/ dirigir-se ao mercado que ocasionalmente apresentasse maiores
vantagens.

• Sistema jesuítico -> entrou em decadência com a perseguição que sofreu na época
de Pombal

• Dos 3 sistemas principais o único que conheceu uma efetiva prosperidade no último
quartel do século foi o Maranhão -> cria-se uma companhia de comércio altamente
capitalizada que deveria financiar o desenvolvimento da região tradicionalmente a
mais pobre do Brasil. tão importante quanto a ajuda financeira, entretanto, foi a
modificação no mercado mundial de produtos tropicais, provocada pela Guerra da
Independência dos EUA e logo em seguida pela Revolução Industrial Inglesa. ->
algodão e arroz

• Grande centro produtos de arroz no mercado mundial -> excluído temporariamente
em razão da Guerra de Independência. A produção maranhense encontrou, assim,
condições altamente propícias para desenvolver-se e capitalizar-se adequadamente.

• Todo o resto da economia colonial atravessou uma etapa de séria prostração nos
últimos decênios do século. Na região do ouro, a depressão é particularmente
profundo e se estenderá peloa 1ª metade do século seguinte.

• Um conjunto de fatores circunstânciais deu à colônia, no começo do século XIX,
uma aparência de prosperidade, mais ainda porque a transferência do governo
metropolitano e a abertura dos portos, em 1808, criaram um clima geral de
otimismo.

• Acontecimentos políticos que tiveram grandes repercussões nos mercados mundiais
de produtos tropicais: i) Guerra de Independência dos EUA; ii) Revolução Francesa
e os subsequentes transtornos nas suas colônias produtoras de artigos tropicais; iii)
Guerras Napoleônicas -> bloqueio e contrabloqueio da Europa e a desarticulação do
vasto império Espanhol; iv) 1789 -> entra em colapso o Haiti, grande colônia
açucareira (o valor das exportações de açúcar mais que duplica).

• Superada essa etapa, o Brasil encontraria sérias dificuldades, nos primeiros
decênios de vida como nação politicamente independente, para defender sua
posição nos mercados dos produtos que tradicionalmente exportava.

Capítulo 17 – Passivo colonial, crise financeira e instabilidade política

• Repercussão no Brasil dos acontecimentos políticos da Europa de fins do séc.
XVIII e começo do XIX -> por um lado acelerou a evolução política do país, por
outro lado contribuiu para prolongar a etapa de dificuldades econômicas que se
iniciara com a decadência do ouro.

• A abertura dos portos, decretada ainda em 1808, resultava de uma imposição de
acontecimentos -> em seguida os tratados de 1810 (transformam a Inglaterra em
potência privilegiada com direitos de extraterritorialidade e tarifas preferenciais
extremamente baixas)

• 1822 -> separação definitiva de Portugal e o acordo pelo qual a Inglaterra consegue
consolidar sua posição, em 1827 -> marcos fundamentais nessa etapa de grandes
acontecimentos políticos.

• Eliminação do poder pessoal de D. Pedro I em 1831 e a consequente ascensão
definitiva ao poder da classe colonial dominante formada pelos senhores da grande
agricultura de exportação.

• Os privilégios concedidos à Inglaterra constituíram uma consequência natural da
forma como se processo a Independência, sem maiores desgastes de recursos. Se a
independência houvesse resultado de uma luta prolongada, deficilmente ter-se-ia
preservado a unidade territorial. -> os interesses regionais constituíam uma
realidade muito mais palpável que a unidade nacional, a qual só começou realmente a
existir quando se transferiu para o Rio de Janeiro o governo português.

• Seria erro, entretanto, supor que aos privilégios concedidos à Inglaterra cabe a
principal responsabilidade pelo fato de que o Brasil não se haja transformado numa
nação moderna já na 1ª metade do século XIX.

• A única classe com grande expressão era a dos grandes senhores agrícolas,
qualquer que fosse a forma como se processasse a independência, seria essa classe
a que ocuparia o poder, como na verdade ocorreu.

• Portugal constituía um entreposto oneroso -> o desaparecimento do entreposto
lusitano logo se traduziu em baixa de preços nas mercadorias importadas, mais
abundância de suprimentos, facilidade de crédito mais amplas e outras óbvias
vantagens para a classe de grandes agricultores.

• A identidade de interesses das classes dominantes na economia principal e na
dependente teria de ser completa. Essa comunhão ideológica não podia existir em
Portugal porque este último país era apenas um entreposto, estando seus interesses
via de regra em conflito com os da colônia.

• Tratado do comércio de 1810 -> instrumento criador de privilégios. Aplicada
unilateralmente, a ideologia liberal passou a criar sérias dificuldades à economia
brasileira. É nesse ambiente de dificuldades que a Inglaterra pretende impor a
eliminação da importação de escravos africanos.

• O privilégio aduaneiro concedido à Inglaterra e a posterior uniformização da tarifa
em 15% ad valorem, numa etapa de estagnação do comércio exterior, criaram sérias
dificuldades financeiras ao governo brasileiro. O imposto sobre as importações é o
instrumento comum com que os governos dos países da economia primária
exportadora arrecadam suas receitas básicas. A única alternativa a esse imposto
era taxar as exportações, o que numa economia escravista significava cortar os
lucros da classe de senhores da grande agricultura.

• É no meio dessas grandes dificuldades que o café começa a surgir como nova fonte
de riqueza para o país.

• A eliminação do entreposto português possibilitou um aumento da receita. Mas,
efetuado esse reajustamento, o governo se encontrará praticamente
impossibilitado de aumentar a arrecadação até que expire o acordo com a
Inglaterra, em 1844.

• O financiamento do déficit se faz principalmente com emissão de moeda-papel,
mais que duplicando o meio circulante durante o referido decênio. -> os efeitos de
emissões de moeda-papel se concentravam na taxa de câmbio, duplicando o valor em
mil-réis da libra esterlina entre 1822-1830.

• A forma de financiar o déficit do governo central com emissão de moeda-papel
incidiam particularmente sobre a população urbana. A grande classe de senhores
agrícolas, que em boa medida se auto-abasteciam em seus domínios e cujos gastos
monetários o sistema de trabalho escravo amortecia, era relativamente pouco
afetada pelos efeitos das emissões de moeda-papel.

• O caráter principalmente urbano das revoltas da época e o acirramento do ódio
contra os portugueses, os quais, sendo comerciantes, eram responsabilizados pelos
males que acabrunhavam o povo.

Capítulo 18 – Confronto