Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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e definitiva do Brasil só se configurou
quando ficou clara a impossibilidade da colônia manter uma certa autonomia.

- A independência foi precipitada pela transferência das cortes para o Brasil que propiciou:
i) extinção do monopólio comercial; ii) revogação de entraves à produção; iii) concorrência
estrangeira aos capitais portugueses investidos nos negócios coloniais -> não foram sanadas
pelas medidas tendentes à salvaguarda dos privilégios portugueses.

Na metrópole -> assolada por uma crise de amplitude internacional, as dificuldades
aparecem como decorrência de: i) longa permanência da Corte no Brasil; ii) abertura do
portos; iii) tratados de 1810; iv) autonomia concedida ao Brasil -> a solução para essa crise
era reconduzir o Brasil à condição de colônia.

Dificuldades da metrópole: i) perda populacional devido a fome, guerras e fuga
(aproximadamente 1/6 da população, o equivalente a meio milhão de pessoas); ii) perdas no
comércio com o Brasil; iii) queda da presença da marinha mercante portuguesa no comércio
com o Brasil.

Na colônia -> a elite vivencia as vantagens do comércio livre, da condição de reino e contato
com estrangeiros que mostram as idéias liberais e nacionalistas. Assim, pela 1ª vez todas as
restrições citadas pelo Rodigues de Brito desaparecem

Foi nesse quadro de dificuldades da metrópole que ocorre a Revolução do Porto.

A Revolução do Porto tem como características:

i) liberal;
ii) ii) constitucionalista;

iii) iii) alteração nas instituições em relação ao Brasil -> variação do estatuto
político-jurídico -> recolonização -> reação da colônia: 1) polarização dos grupos
sociais; 2) formação de agrupamentos políticos -> resulta na emancipação.

- Economia e sociedade portuguesa à época da revolução

a) Arcaica e decadende

i) indústria: 1.031 fábricas / 15 mil operários -> 14 operários por estabelecimento.
São unidade muito pequenas

ii) população: aproximadamente 3 mm de habitantes (80% da pop.) vivia no campo
iii) terra: apenas metade era cultivada.

b) Burguesia mercantil portuguesa

i) floresceu às custas da concessão real de privilégios e monopólios
ii) foi a mais prejudicada com a política de D. João (abertura dos portos)

c) Outros setores urbanos

i) intelectuais, magistrados, profissionais liberais, militares -> 1) demora no retorno e,
2) presença política e militar inglesa.

d) Maçonaria

i) liderada pela associação secreta (SINÉDRIO) fundada em 1818
ii) organizada e dirigida pelo desembargador da cidade (Manuel Fernanes Tomás) ->

alguns deles integraram as juntas que governaram as cidades

-> A Revolução do Porto

a) iniciada em 24/08/1820, a partir do pronunciamento do comandante de uma das unidades
militares sediadas na cidade do Porto e integrante a revolução

Após algumas disputas entre as facções, liberais e burguesia mercantil passam a comandar
a revolução -> convocam as Cortes (instituição existente desde o século XII e que não era
convocada desde 1698 = período absolutista) -> assembléias gerais extraordinárias e
constituintes da Nação Portuguesa -> são reunidas a partir de janeiro de 1821.

Obs.: o número previsto de deputados nas Cortes era: 100 deputados de Portugal, 72
deputados do Brasil e 9 deputados de outras colônias (essa era a composição idealizada,
que não ocorreu).

- Contradições Liberais:

a) Regeneradores (auto intitulam-se assim), propunham, com base nos princípios emanados
da i) Rev. Francesa e da ii) tradição nacional anterior ao absolutismo, busca reencontrar o
plendor e as grandezas obtidas e, para isso, dependiam do Brasil.

Na prática, regeneração era:

i) Dotar Portugal de uma constituição liberal, a ser obedecida por todos, inclusive o
rei;

ii) Anular a relativa autonomia do Brasil (com base nos preceitos absolutistas e
mercantilistas -> ou seja, recolonizar o Brasil) -> daí vem a contradição.

Obs.: diferentemente de outros países, não propunham mudança na casa reinante e
contavam com a participação da Igreja.

- Constituição de 1822 -> revogada em 03/06/1823 -> determina a Volta do Absolutismo

1826 -> D. Pedro (IV):

i) Outorga uma constituição inspirada na Brasileira de 1824 (com o poder Moderador)
ii) Renuncia o trono português
iii) Nomeia sua filha, D. Maria da Glória, de apenas 7 anos, que se encontrava no Rio de

Janeiro. Ela é prometida ao tio (D. Miguel) e esse passa a ser regente de Portugal.

- Repercussão no Brasil

A colônia entra em ebulição -> adesão de todos os seguimentos sociais (exceto os escravos)
que vislumbram a possibilidade de terem suas aspirações atendidas;

Acirramento das tensões e formação de grupos políticos antagônicos

a) Partido português -> comerciantes e militares, insatisfeitos com as medidas de D.
João e de acordo com as idéias dos portugueses.

b) Partido brasileiro -> proprietários rurais e beneficiários da presença da corte no
Brasil. Não desejavam a independência, apenas a manutenção do status quo. Eram
ligados a uma grande casa maçônica.

c) Liberais radicais (partido republicano) -> segmentos médios e baixos das cidades e,
no NE. Eram a favor da independência.

- Deputados brasileiros nas Cortes

A colônia deveria mandar para Portugal 1 deputado para cada 30 mil habitantes livres, ao
todo seriam 72 deputados. Apenas 46 deputados tomaram posse (os demais não foram por
dificuldade de locomoção ou divergências na delegação -> exemplo: MG que não mandou
nenhum dos 13 deputados que tinha direito).

A bancada que tinha uma orientação mais clara era a de SP, em nenhum momento se cogita
a autonomia completa do Brasil.

Os deputados brasileiros só chegam às Cortes em agosto de 1821 (as cortes estavam
reunidas desde janeiro de 1821) -> as bases da constituição já haviam sido definidas,
principalmente no tocante à recolonização (-> fim da condição de Reino Unido do Brasil). D.
Pedro passaria a ser apenas um governador do Brasil.

- Aprofundamento das medidas recolonizadoras (após setembro/1821):

i) Reestabelecimento do exclusivo comercial;
ii) Retorno imediato do regente de Portugal para completar seus estudos;
iii) Nomeação de um governador das armas para cada província, a fim de evitar

revoltas

Essas notícias só chegam no Brasil no final do ano. Assim, começa a ganhar força no Brasil a
idéia de independência (graças a ação da maçonaria e da imprensa). Os setores dominantes
começam a ficar preocupados com a revolução e a anarquia (Haiti e América Espanhola). ->
José Bonifácio passa a liderar o movimento da independência (conservador e autoritário =
não revolucionário).

• - o “Fico” (janeiro/1822), representou o rompimento do regente com as Cortes
portuguesas -> é visto como uma desobediência às Cortes. Porém, é conveniente
àqueles que defendem a: i) manutenção de uma monarquia dual (sedes no Brasil e em
Portugal). Onde o Brasil = Portugal. Há autonomia administrativa e comercial.

• permanência do príncipe -> evitava a agitação popular, manutenção da ordem.

- José Bonifácio passou à chefia do gabinete, decide-se: i) nenhum medida das cortes
portuguesas valeriam para o Brasil; ii) formação de uma assembléia constituinte
brasileira.

06/06/1822 -> José Bonifácio redige um texto de nação irmã

07/09/1822 -> rompimento definitivo ante a ameaça das Cortes enviarem tropas para
invadir o Brasil; tentativa portuguesa de uma ação coletiva pela Santa Aliança ->
fracassada pela oposição inglesa.

- Características do segmento social que patrocinou a independência: José Bonifácio,
apostolado, partido brasileiro, aristocracia agrária, grandes comerciantes -> nada de
popular.

É desses grupo que sairão os principais cargos como: Conselho de Estado, Senado (vitalício),
Câmara (censitário). Eram interessados na permanência de:

• Estrutura produtiva tradicional (grande lavoura, mão-de-obra escrava, plantation)
• Formas políticas que excluem a participação das camadas populares

Critério censitário de eleição -> renda mínima para ser eleitor e 2 vezes essa renda mínima