Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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(perda de ativo). Não há reposição de
escravos, etc. O engenho diminui.

Ausência de fricções sociais em prol do densenvolvimento de setores voltados para
o mercado interno. Nível menor de produção (o que aconteceu na Austrália, pós
mineração)

Aumento do setor de subsistência

Economias escravistas -> circulação monetária somento no comércio exterior.

Investimento/consumo -> importação. Não criam um fluxo monetário na colônia.

Econômia de exportação com trabalho assalariado para Celso Furtado -> fluxo
circular da renda. -> renda e produto circulam.

Receita do setor exportado

Renda dos assalariados Renda dos proprietários

Consumo importação poupança

Críticas à Formação Econômica do Brasil -> localizadas / ao modelo interpretativo

Localizadas

• Iglésias -> na perspectiva da “ciência normal” -> falta de pesquisa e crítica
documental. Excesso de extrapolação e raciocínios hipotéticos. Não faz
crítica ao conjunto da obra.
Celso Furtado abusa do uso de verbos no condicional. 1. Hipótese -> 2.
Parcialmente verificada -> 3. Virou verdade

• Rentabilidade da empresa açucareira (possibilidade de dobrar a cada 2
anos)
Fréderic Mauro -> rentabilidade negativa
Stuart Schwartz -> positivo e maior que nas Antilhas

• Decadência da mineração
R. Borges Martins -> escravos em MG no censo de 1872. Os resultados não
batiam com o que Furtado falava. A decadência não era tanta; havia
atividades voltadas para o mercado interno.

• Carlos Manuel Peláez -> Industrialização e política cafeeira após 1830

Furtado sempre reconheceu limitações de seu trabalho. As conclusões que havia
chegado eram as possíveis com os dados de que dispunha quando escreveu.

A economia colonial escravista brasileira:

• Depende da demanda externa e da oferta de africanos;
• Sem dinâmica externa e da oferta de africanos
• Sem dinâmica própria -> dependente
• Sem desenvolvimento endógeno

Em comum com Caio Prado Júnior

Trabalho escravo limita o crescimento do mercado interno.

Ausência de dinâmica própria

Críticas -> visão exportacionista do Brasil (Caio Prado Júnior; Celso Furtado;
Fernando Novais).

Pontos importantes dos textos lidos para a aula

Coutinho – A Atualidade do Pensamento de Celso Furtado: Formação econômica do
Brasil

• O mais influente e renomado economista brasileiro de sua geração
• Formação econômica do Brasil é um ensaio de interpretação da história

econômica brasileira publicado em 1959, tornou-se um espécie de leitura
essencial, um item obrigatório na estante de todo cientista social.

• Cumpriu 2 papéis distintos: a) tornar-se um trabalho de referência em
história econômica brasileira; b) despertou em muitos leitores o interesse
pela teoria econômica.

• Os comentários de Furtado a respeito da teoria econômica são inteiramente
orientados por seu envolvimento de toda a vida com os problemas do
desenvolvimento.

• O principal problema metodológico nos estudos da economia é “a definição
do nível de generalidade – ou de concreção – à qual se aplica qualquer
relação com valor explanatório”.

• Os modelos abstratos foram considerados especialmente deficientes, já
que levaram em consideração dois aspectos decisivos, a irreversibilidade
dos processos históricos e as diferenças estruturais entre as economias
conforme seus distintos níveis de desenvolvimento.

• Ou seja, a visão de teoria econômica de Furtado leva em consideração seu
duplo caráter, histórico e abstrato.

• O livro é considerado uma das mais importantes aplicações do método de
análise estrutural da Cepal. Mais ainda, a obra pode ser entendida como o
exemplo mais bem sucedido daquilo que o próprio Furtado entendia como

trabalho de economista: a aplicação de abstrações racionais a uma
determinada realidade econômica.

• Sua inovação residiu na descrição dos mecanismos econômicos inerentes a
cada ciclo, bem como na interpretação, particularmente original, da
transição da agricultura para a indústria.

• A linha de ensaios históricos inclui dois trabalhos anteriores à Formação
econômica: a tese doutoral de 1948, A economia colonial brasileira, um
estudo da plantation açucareira colonial, e A economia brasileira, uma obra
que abrange a história brasileira do período colonial ao pós 1930. Formação
Econômica do Brasil representa uma sequência destes dois trabalhos.

• O ponto de referência de Formação econômica é o desenho básico dos
fluxos de renda, adaptado a cada um dos grandes ciclos da economia
brasileira.

• A descoberta do Brasil, em 1500, representa um episódio da expansão
mercantilista portuguesa. Após algumas tentativas frustradas de
estabelecer uma exploração lucrativa da nova colônia, os portugueses
finalmente introduziram um negócio promissor no território, a plantation
canavieira.

• Sua contribuição inicia-se com a incorporação ao enfoque cíclico de uma
nova explicação econômica, baseada em poucas variáveis e instrumentos de
análise, que incluem, além do fluxo de renda, o contraste entre recursos
abundantes e escassos, e um arcabouço dos mecanismos de ajustamento
entre oferta e demanda.

• No caso do ciclo açucareiro, a mecânica do ciclo é vista da seguinte forma:
a) Os proprietários de terra tomam empréstimos aos comerciantes de

açúcar e importam parte do equipamento e a totalidade dos escravos. O
ressarcimento destes empréstimos e a aquisição de escravos e
equipamentos irá absorver parte das receitas de exportação de açúcar.

b) Outra parte das receitas constitui o lucro líquido do negócio. Os
proprietários aplicam o lucro no consumo de mercadorias européias ou na
expansão dos negócios (aquisição de escravos e equipamentos). Assim,
todos os lucros, bem como investimento, transformam-se em gastos no
exterior.

c) Como não existe trabalho assalariado na economia, os lucros
representam a única moeda monetária. Circula pouco dinheiro no interior
do território colonial. O modelo simplificado pressupõe que os escravos
produzem seus próprios meios de subsistência, no tempo que sobra da
atividade principal. Outras atividades importantes, como o transporte e

a provisão de combustível, são também não-monetárias, vale dizer,
baseadas no trabalho escravo.

• O sistema de Furtado é dual: produção açucareira (setor dinâmico; alto nível
de produtividade) versus setor de subsistência (letárgico, baixo nível de
produtividade, ausência de excendete).

• A expansão da economia depende do dinamismo da demanda por açúcar e da
emergência de competidores coloniais.

• Terra é o fator abundante -> ignora renda da terra!
• Progresso técnico também é desconsiderado -> o sistema expande-se

“horizontalmente”. Os limites da expansão são: a) elevação dos custos; b) a
exaustão de terras em boa localização ou de combustível; c) a queda de
preços do açúcar, em decorrência da oferta excessiva ou não regulada.

• A crise de plantation da economia não leva à diversificação da economia,
nem tampouco a uma substituição relevante de atividades.

• O sistema açucareiro não desapareceu, mas entrou em um estágio letárgico,
com consequências sociais profundas.

• Ciclo do Ouro:
a) Curta duração e permaneceu confinado numa região bem restrita.
b) Os escravos eram autorizados a trabalhar apenas nas minas, e não nas

atividades de subsistência paralela. Dependia de outros setores.
c) Os lucros líquidos da atividade mineradora não foram muito elevados,

devido ao peso dos tributos.
• O ciclo minerador estimulou a diversificação de atividade e intensificou as

transações monetárias. O efeito multiplicador expandiu a renda.
• A curta duração do ciclo aurífero e a falta de capacitação técnica teriam

inibido o desenvolvimento de um mercado interno, a despeito da presença de
transações monetárias e de trabalho assalariado.

• Ciclo do café -> ponto de inflexão na economia brasileira. Representou a
primeira atividade econômica dependente de um uso massivo de trabalho
livre no Brasil.

• Após estabelecido, o trabalho assalariado