Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais448 seguidores
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para ser candidato -> explica a distância entre o arcabouço jurídico (importado) e a prática
social. Na constituição, tem os princípios de liberdade jurídica e liberdade individual (mas é
escravista); reconhece o direito de propriedade (19/20 da população livre era composta por
não-proprietários); independência da justiça.

- Oposição das elites: artesãos e pequenos comerciantes, profissionais liberais, negros e
mulatos -> regime federativo, abolição gradual dos escravos, liberdade do comércio

- Ato Adicional (1834) -> amplia a autonomia do governo provincial; última concessão da
elite aos anseios radicais; criação de aparelhos de repressão (medidas de retrocesso):

• Guarda nacional -> força policial colocada à disposição das classes proprietárias
para a manutenção do poder local;

• Exército -> repressão aos movimentos dissidentes em escala nacional

- Maioridade (1840) -> a elite consolidou o seu poder

Desaparecimento das dissidências radicais -> foram absorvidas pelo processo de
modernização

Liberais e conservadores passam a revezar no poder -> ambos estão de acordo nas questões
fundamentais, ou seja, são a favor do escravismo (tem uma dúvida com relação a quando o
escravismo deve ser abolido) e da economia agrária. As lutas políticas aparecem como uma
disputa entre famílias e respectivas clientelas.

A elite assume uma postura ambígua em relação à ética protestante e ao capitalismo:

• Liberdade individual
• Valorização do trabalho e da poupança
• Self made man (o trabalho salva a alma)

Porém, são escravistas!!!

Pontos importantes do texto

Aula 01/06/2011 – Celso Furtado – Capítulos 19 e 20

- As causas do não desenvolvimento do Brasil:

• Fomentar a industrialização sem fomentar uma capacidade de importação em
expansão seria tentar o impossível num país totalmente carente de base técnica.

• É necessário reconhecer que a 1ª condição para o êxito daquela política teria sido
uma firme expansão do setor exportador.

• A partir da independência, os preços do café, do açúcar, do algodão e dos couros
caem, isso ocorre até 1851.

- Brasil x EUA

Para Furtado, o que fez a diferença entre o desenvolvimento dos EUA e o atraso do Brasil
foi a capacidade exportadora. Furtado mostra uma queda na renda per capita, que chega a
menor em 1850.

- A superação da crise da economia brasileira na primeira metade do século XX:

• Era necessário reintegrar-se ao mercado internacional mediante um produto cujo
comércio estivesse se expandindo;

• Remotas possibilidades de recuperação das exportações tradicionais (queda nos
preços);

• Açúcar e algodão não conseguem sustentar a balança comercial.
i) O açúcar encontrava-se em uma situação ingrata devido à concorrência do

açúcar de beterraba e de outros;
Seus principais mercados consumidores estavam fechados à produção
brasileira pois estavam vinculados a áreas produtoras concorrentes
(Iglaterra, EUA, França e Holanda)

ii) O algodão brasileiro concorria com os EUA, apoiado pelos ingleses
Tinha a concorrência dos EUA, que beneficiava-se do consumo interno
(região do Norte) e pelo menor preço dos fretes para enviar à Europa
(menor rota). Além disso, no Brasil, o beneficiamento do algodão era mais
trabalhoso.

- Descartados o algodão e o açúcar, os demais produtos também não apresentavam muito
potencial, possuíam pouco peso nas exportações (quase 20% em 1821 e diminuíram ainda
mais no ano seguinte)

• Couro: grande concorrência com a região do Prata;
• Arroz: melhores métodos de cultivo nos EUA;
• Fumo: pressão inglesa sobre o tráfico negreiro;
• Cacau: era apenas uma esperança

- O único fator realmente abundante era a terra

• Foi pela utilização intensiva da terra via cultivo do café que o Brasil se recuperou
da decadência econômica

• A produção cafeeira teve uma lenta difusão pelo território brasileiro, começando
pelo PA em 1727, em 1760 chega ao RJ como resultado da decadência da mineração,
e lá constroem-se centros de aclimatação; em fins do século XVIII havia o cultivo
para o consumo local e espalhado em várias áreas, do AM a SC, e em GO.

- A produção de café só foi tornar-se uma cultura para exportação quando estoura a
revolução no Haiti, grande produtor de café

• Em 1830 torna-se o principal item exportado pelo Brasil, mais pela queda dos
demais do que pelo real desempenho do próprio café;

• Fim do século XVIII -> a desorganização da produção haitiana, maior produtor
mundial, elevou os preços

• Entre 1818 e 1825 os preços do café atingem altos níveis, o que estimulou a
expansão da produção cafeeira brasileira em direção ao Vale do Paraíba

• A partir de 1826, os preços baixam até 1832
• Recuperação entre 1832 e 1842
• Aumento na quantidade exportada ao mesmo tempo em que os preços oscilavam

bastante -> aumento de 500% na quantidade exportada e queda de 40% nos preços

- Abundância da mão-de-obra -> grande quantidade de mão-de-obra ociosa ou empregada
em atividades de subsistência + proximidades do porto (transporte em mulas)

• O uso destes recursos ociosos permitiu o crescimento da atividade apesar da queda
nos preços

- A expansão da produção era simples uma vez que a capitalização era pequena se
comparado com o açúcar, fabrica simples e local

• Os custos monetários eram menores, enquanto houver terra, somente um forte
crescimento do preço da mão-de-obra poderia interromper seu crescimento

• Atividade intensiva na utilização de mão-de-obra

• Quando o estoque de mão-de-obra está esgotado, a atividade cafeeira já está
consolidada e tem condições de financiar a superação deste problema

• Entre 1820 e 1875, o café passa de 18% para 52% das exportações brasileiras
i) Grande salto durante a década de 20
ii) Pouco deslocamento durante a década de 60 devido ao aumento do peso de

algodão na pauta em razão da guerra de secessão americana

O café acabou solucionando o velho problema da balança comercial brasileira, déficits
seguidos entre 1821 e 1860

• Ao mesmo tempo, o endividamento brasileiro aumentava, de forma que o superávit
comercial não era suficiente para financiar sua dívida -> funding loan de 1898

- O aumento das exportações brasileiras de café é surpreendente pois o produto sofria
vários tipos de restrições (religiosas, morais e fiscais)

• Concorrência ao chá inglês forçava restrições britânicas
• Alguns segmentos protestantes não tomam café

- Desenvolvimento dos arredores do Rio de Janeiro

- Rotas de expansão da cafeicultura

• Litoral -> São Sebastião
• Interior: Vale do Paraíba (maior centro produtor) -> camada fértil era muito fina,

ida útil bastante curta
• O café exigia rotatividade por agredir muito o solo.

Celso Furtado -> gestação da economia cafeeira (1825 -1875) -> crescimento acelerado do
café

Apesar do comportamento adverso dos preços, a disponibilidade de mão-de-obra acumulada
pelo economia mineratória possibilita o crescimento da cultura do café. Assim, no final do
período, a economia cafeeira acha-se em condições de auto-financiar sua expansão. O
problema, nesse momento, era a falta de mão-de-obra, a origem dessa escassez é a
supressão do tráfico de escravos.

- Formação do mercado de trabalho brasileiro -> processos simultâneos:

i) abolição do trabalho escravo -> desembarques clandestinos até 1854 (permitidos em
razão do tamanho da costa brasileira que favorece os desembarques clandestinos)

ii) imigração dos estrangeiros -> dois processos são contemporâneos e não são
independentes

a) A abolição do trabalho escravo é especialmente longo, tem início com a assinatura
dos tratados em 1808 e só acaba com a assinatura da Lei Áurea em 1878;

b) Enquanto o Brasil era colônia, não havia uma forte imigração estrangeira. Ela só
começou a ocorrer após a vinda de D. João para o Brasil. A forma mais adequada de
trazer estrangeiros foi por colônias de povoamento -> pequenos camponeses,

proprietários de terras, que podiam, da sua terra, extrair a maioria dos gêneros de
que necessita.