Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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independência -> o tráfico precisa ser ilegal a
partir de 1830

1831 -> pelo tratado anterior, o tráfico é proibido (Lei Feijó). E, os africanos embarcados
depois deste ano deviam ser considerados livres. Os regentes, maiores interessados na
manutenção, não se empenham em aplicá-la.

i) Bethell -> suborno e intimidação dos responsáveis por sua aplicação: Chefe de
Polícia e Juiz de Paz faziam com que a lei se tornasse inócua no Brasil.

ii) JM Carvalho -> uma lei para inglês ver

Apenas autoridade inglesas se preocupam em fazê-la valer. Pouco efeito prático

Pouco interesse do governo brasileiro na aplicação dessa lei -> ministro da justiça -> os
ingleses que tratem de fiscalizar.

Resistência dos parlamentares brasileiros -> tensão diplomática -> os escravos são lançados
ao mar quando é percebida a aproximação da “Armada Inglesa”. -> ineficiência da repressão
-> pressão da Inglaterra para obter a cláusula de “indício de tráfico”, p/ condenar
embarcações.

Obs.: eram considerados indícios de tráfico -> quantidade de água e comida nas
embarcações e, na embarcação, uma grande quantidade de compartimentos para os
escravos dormirem.

1854 -> Bill Aberdeen -> declaração unilateral: i) tráfico é ilegal; ii) p/ quem fosse pego
traficando escravos -> julgamento por pirataria pelo tribunal do almirantado (navio seria
confiscado e leiloado em partes); iii) autorizava o apresamento de qualquer embarcação
suspeita de tráfico, em qualquer local, inclusive cabotagem.

Resultados:

i) Fonte de abusos dos ingleses -> contrabando para as colônias inglesas (a
Marinha inglesa fazia a apreensão dos escravos os mandava para as Antilhas)

1845 – 1850 -> mais ou menos 400 embarcações foram apreendidas nesse período, diversas
delas estavam em águas territoriais brasileiras.

Obs.: os navios negreiros eram alterados -> extremamente manobráveis, velozes e mais
baratos -> baixo calado, casco arredondado e alta mastreação

1850 -> Lei Eusébio de Queirós -> não é tão diferente da Lei de 1831 -> a diferença para de
Lei de 1831 era que agora o estado fazia valer a Lei.

i) A importação de escravos é declarada crime de importação, sendo equiparado à
pirataria e passível de punição com pena corporal, multa e pagamento de
despesas para mandar os negros de volta para a África;

ii) A lei foi aprovada numa situação de grande comoção -> acreditava-se que a
marinha inglesa bombardearia a região de Cabo Frio -> a Lei Eusébio de
Queirós não foi uma submissão às pressões inglesas, mas uma maneira de por
fim às agressões (essa era a oratória).

iii) Facilitada pelo fato de: a) a maior parte do comércio estar nas mãos de
traficantes portugueses, via de regra, os credores dos proprietários rurais
(detentores do poder) -> forma de dar o calote (lembrar do Brasil Holandês); b)
compradores de africanos importados ilegalmente julgado pela justiça comum
(penas mais brandas).

Apesar das pressões, a Lei de 1831 não foi revogado -> evidencia a preocupação de elimnar
os entraves ao direito de propriedade escravista -> reprimir o tráfico de africanos, sem
excitar uma revolução no país. Faz-se necessário primeiro atacar com vigor as novas
introduções, esquecendo e anistiando as anteriores à lei. Assim, podemos dizer que é uma
lei de anistia para quem importou escravos após 1831.

Pontos importantes do texto

- Capítulo 15 – Crise do Regime Servil e Abolição do Tráfico

• Os ecravos, mesmo representando 1/3 da população, não terão uma participação
ativa e de vanguarda no processo de emancipação política do Brasil (o contrário do
que ocorreu, por exemplo, no Haiti) -> acompanharão por vezes a luta, participarão
debilmente de alguns movimentos, desperantando aliás com isto grande terror nas
demais camadas da população. Mas não assumirão por via de regra uma posição
definida, nem sua ação terá continuidade e envergadura.

• Isto se deve sobretudo so tráfico africano que neutralizava a ação dos escravos já
radicados no país e por isso mais capazes de atitudes políticas coerentes.

• A participação dos escravos nos movimentos da época não terá vulto apreciável, e
isto constituirá talvez o motivo principal por que a estrutura fundamental da
economia brasileira, assente como estava no trabalho deles, não sofre abalos para
transformá-la desde logo. Contudo, mesmo esta débil participação e até, na falta
dela, a simples presença desta massa de escravos surdamente hostis à ordem
vigente num momento de agitações e convulsão social, era o bastante para
desencadear a crise do sistema servil e pôr em equação o problema da escravidão.

• Logo depois da independência já a (escravidão) vemos alvo da crítica geral. Aceita-
se e se jsutifica, mas como uma “necessidade”, um mal momentaneamente inevitável.
Ninguém ousea defendê-la abertamente e seu desaparecimento num futuro mais ou
menos próximo é reconhecido fatal. -> a escravidão ainda constituía a mola mestra
da vida do país.

• José Bonifácio de Andrada -> “é tempo de irmos acabando gradualmente até os
últimos vestígios da escravidão. Para formarmos em poucas gerações uma nação
homogênea...”

• Outro fator que condicionará a tendência anti-escravista do Brasil independente é
a questão do tráfico africano. Esse último e a escravidão achavam-se
indissoluvelmente ligados, esta não se podia manter se aquele. -> abolido o tráfico, a
escravidão seguir-lhe-ia os mesmos passos. A razão disso é que o crescimento
vegetativo da população escrava era negativo.

• Qualquer golpe sofrido pelo tráfico terá necessariamente grande repercussão na
estabilidade da instituição servil

• O fato é que a Inglaterra, depois de abolir em 1807 o tráfico nas suas colônias,
torna-se o paladino internacional da luta contra ele. É sob sua influência ou pessão
que o tráfico será sucessivamente abolido por todos os países do mundo.

• Tratado de 1810 -> Portugal restringia a ação de seus súditos aos territórios
africanos sob o domínio de Portugal -> estava criado o pretexto de que a Inglaterra
precisava para perseguir os negreiros. Qualquer presa feita em alto mar pelos seus
cruzeiros, justificar-se-ia com a alegação de que os escravos provinham de
territórios não protugueses

• 1815 -> nova concessão: a abolição do tráfico ao Norte do Equador. Excluíam-se com
isso as possessões portuguesas que mais contribuiam p/ alimentar a população
escrava do Brasil, em particular a Costa do Mina. + o direito de visita em alto mar a
navios suspeitos de tráfico ilegal + a abolição total do tráfico (em 15 anos)

• A eclosão do desenvolvimento de um verdadeiro espírito anti-escravista no Brasil
prende-se claramente aos fatores internacionais que agiam contra o sistema servil.
-> escravidão vai perdendo terreno no conceito comum

• Independência brasileira -> aceitação de Portugal com auxílio da Inglaterra -> a
Inglaterra, autora de toda esta hábil trama, cobrará naturalmente o preço de sua
intervenção. Com relação ao tráfico, exigirá do Brasil medidas definitivas (tratado
assinado em 1826 em que o Brasil se compromete a proibir o tráfico inteiramente
dentro de 3 anos depois da troca de ratificações)

• Cumprindo sua promessa, o Brasil promulga em 1831 uma lei que proibia o tráfico
africano, considerando-se livres os indivíduos desembarcados no Brasil a partir
daquela data. -> essa lei não representava mais que uma satisfação de forma a
compromissos internacionalmente assumidos. Ninguém cuidava seriamente em
aplicá-la.

• Consequeência disso -> repressão inglesa -> a repressão inglesa, arrogante e sem
medidas, começava a ferir as suscetibilidades brasileiras. O tráfico se torna quase
uma questão de honra nacional. Se ninguém o aprova abertamente, a oposição
também começa a tomar as cores de uma aliança com poderes estranhos que
comprometem a soberania do país. -> tudo isso se aliará a favor do tráfico, e ainda
menos se fará para o reprimir.

• 1845 -> Bill Aberdeen -> que declara lícito o apresamento de qualquer embarcação
empregada ao tráfico