Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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escravocrata pretendia
apresentar como uma larga e generosa concessão.

• O abolicionismo marchara muito no seu seio; a oficialidade, recrutada em regra nas
classes médias da população, e por isso desligada de qualquer compromisso com a
escravidão, era-lhe na maioria contrária

• Os seus setores mais previdentes compreendem que a resistência tornar-se inútil e
insistir nela seria apenas levar a questão para o terreno da violência declarada e
aberta. -> a campanha estava ganha para os abolicionistas. Os próprios interessados
diretos na escravidão, abandonavam o terreno da luta. Em março de 1888 cai o
último governo escravocrata do Brasil: 2 meses depois -> 13 de maio -> término da
escravidão.

Aula 13/06/2011 – Celso Furtado – Capítulo 24 e Paula Beiguelman

- A posição inglesa de combate ao tráfico de escravos se explica pela disputa do mercado
de açúcar antilhano: monopolista (não interessava aos comerciantes). Fim do século XVIII -
> o mercado açucareiro está em crise de superprodução.

• Abolição do tráfico (1807) -> medida para retirar do mercado açucareiro as regiões
menos produtivas (a produção antilhana era declinante desde o século XVIII);

• Enfraquecimento dos Antilhanos (conseqüência da medida) -> comerciantes
conseguem em 1833 fazer a abolição dos escravos

• Os açucares livres sofrem concorrência do açúcar brasileiro e cubano (escravistas)
Pressão dos comerciantes de açúcar do mercado inglês (1846) aos açucares coloniais -> após
este ano, a postura inglesa reflete o interesse dos produtores coloniais (Antilhanos), que se
tornaram abolicionistas -> os comerciantes (e industriais) defendem a não-intervenção no
tráfico e no escravismo.

A aprovação da Lei Eusébio de Queiróz (fim do tráfico de escravos) foi possibilitada pela
convergência de interesses entre políticos de diferentes áreas escravistas e sem disputa
político partidária. No Brasil:

• Norte -> pecuária era abastecida de mão-de-obra, valorização do estoque (abolição
do tráfico negreiro aumentaria os estoques) -> era positivo

• Nordeste -> açucareiro (decadente); abastecido de mão-de-obra; endividado -> o
fim do tráfico negreiro significava saldar dívidas.

• Centro-Sul -> duas áreas cafeeiras:
a) Mais antiga: Vale do Paraíba -> abastecida de mão-de-obra

b) Área mais nova: Campinas -> falta mão-de-obra. Considerava a possibilidade de
utilização de outro tipo de mão-de-obra (desde 1849 o senador Vergueiro já
vinha utilizando mão-de-obra livre).

Portanto -> naquele momento, não tem nenhuma região totalmente comprometida com o
tráfico.

- Consequências da abolição do tráfico de escravos:

a) declínio do tráfico internacional de escravos. -> medidas complementares facilitaram
isso:

• 1862 -> tratado anglo-americano de direito de busca;
• 1865 -> Lincoln aplica legislação norte-americana anti-tráfico -> acaba por suprimir

o tráfico cubano, exercido predominantemente por norte-americanos
• 1868 – 1870 -> desativação do sistema inglês de repressão ao tráfico

b) queda no preço do escravo na África

c) penetração européia na África Ocidental (preocupação da Inglaterra e de outros países
com a partilha da África)

d) disponibilidade dos capitais até então aplicados no tráfico -> antes da proibição, cerca
de 50% do total das importações brasileiras eram de escravos. Com a interrupção dessa
importação, há uma ativação de outras atividades. Em 1850, há mais estímulo para o
comércio, agricultura, telégrafo, ferrovias e bancos.

e) aumento no preço dos escravos no Brasil -> o preço duplica em poucos meses entre 1852
– 1854. Na década de 1880, o preço do escravo começa a cair. O escravo passa a ser
substituído por outras formas de ativos.

f) encorajamento dos planos de colonização com uso de população européia ->
principalmente pela forma de parceria (meagem). Entra em colapso em 1856.

g) desenvolvimento do comércio interno de escravos que passam a se concentrar nas zonas
cafeeiras:

• Gorender -> tráfico inter e intraprovincial é de aproximadamente 300 mil pessoas.
• Slenes -> tráfico interprovincial é de aproximadamente 200 mil pessoas.
• Conrad -> entre 1851-1885 o tráfico interno foi a principal fonte de trabalhadores

agrícolas para a próspera economia cafeeira.
As principais províncias exportadoras de mão-de-obra eram as províncias do
Nordeste.

• Eisemberg -> Pernambuco exportou ¼ da sua escravaria (38 mil escravos) entre
1850-1888. Vendiam para cobrir seus débitos.
A mão-de-obra vinha sendo substituída pelos agregados.

• Grahan -> Nordeste perdeu cerca de 11% da sua população no período entre 1872-
1890.

Forte concentração de escravos nas províncias cafeeiras -> 1884 – aproximadamente 750
mil escravos, na sua maioria provenientes das regiões norte e sul do Brasil.

Censo demográfico de 1872 -> a distribuição de escravos por província -> foram
computados 1,51 mm de escravos. Mais da metade desse montante estava em 3 estados
(MG, SP, RJ).

- Canabrava -> a concentração de escravos deveu-se à diferença de densidade econômica. O
escravo alocado no açúcar rendia menos do que o escravo alocado no café. Isso explica
concentração escrava nas zonas cafeeiras.

- Restrições provinciais ao comércio de escravos

• MT (1857) -> imposto de 30% sobre
• Restrições à entrada: SP, RJ, MG -> imposto de 2 contos de réis (mto caro) para

entrar na província com escravo de outra província. Esses estados estavam
preocupados com o enegrecimento da população.

- ruralização dos escravos:

• Municípios da corte -> queda do número e da participação de escravos na população,
principalmente em virtude de sua saída para áreas vizinhas.

-> Abolição do Escravismo: a literatura pode ser dividida mm 2 grandes grupos.

i) inadequação do trabalho escravo em uma economia mais progressiva (capitalista) ->
seguidores das teses de Caio Pedaro Jr.. São seguidores dessa tese;

• Fenrnado Henrique Cardoso;
• Otávio Ianni;
• Emilía Viotti da Costa

Explicação -> O trabalho escravo e o capitalismo são incompatíveis -> basta aparecer o
trabalho assalariado para que o trabalho escravo entre em colapso pois o trabalho escravo
é menos produtivo do que o trabalho assalariado.

Obs.: O trabalho escravo só se adapta a forma de produção extremamente simples e que
utilizam de instrumentos grosseiros -> baixa produtividade

Fernando Henrique Cardoso -> a formulação mais completa dessa explicação

Tem como precurssor Caio Prado Jr. que afirma que o trabalho escravo é um obstáculo
fundamental à formação do capitalismo.

Examina a decadência da economia gaúcha do charque -> seu declínio deve-se à ordem social
escravocrata a qual torna-a incapaz de competir com a produção platina, baseado no
trabalho livre. A economia do trabalho escravo é a economia do desperdício. O escravo só
se dispõe a trabalhar mediante uma coação feita pelo feitor.

No capitalismo, o estímulo é de dentro para fora -> o assalariado, espontaneamente, se
dispõe a dar mais produtividade e, portanto, os custos são menores.

ii) Escassez da mão-de-obra

• Paula Beiguelman
• Celso Furtado

Explicação -> Paula Beiguelman -> a destruição do escravismo nas américas, para alguns
estudiosos (como FHC), é um processo de depuração do capitalismo. Ou seja, em um estágio
mais avançado do capitalismo, o escravismo tem de ser eliminado. Contudo, o escravismo
moderno caracteriza-se por ser essencialmente capitalista.

No escravismo moderno, diferentemente do escravismo antigo, o escravo integra um
complexo determinado pela presença do assalariado.

Assim, posto que o escravismo colonial foi uma criação do capitalismo, como explicar a sua
destruição?

i) O escravismo e a acumulação capitalista inglesa:

Antes da revolução industrial -> o EUA representa uma reserva de mercado para a
produção metropolitana e a economia Antilhana é uma economia dependente do tráfico que
transfere excedente para a metrópole.

Depois da revolução industrial -> a indústria adquire condições para competir livremente.