Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais447 seguidores
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Dispensa a reserva de mercado para a produção. Assim, perde importância o excedente
transferido para a metrópole graças ao escravismo antilhano (a produção antilhana perde
importância).

Em algumas áreas tropicais, o escravismo continua a ser um recurso para o fornecimento de
trabalho barato. (Brasil e Cuba para a produção de açúcar e EUA para a produção de
algodão).

A destruição do escravismo capitalista tem 2 momentos:

1º momento -> extinção do tráfico: contexto de competições entre áreas açucareiras – os
produtores mais antigos acreditavam que a supressão do tráfico valorizaria o preço dos
escravos

Tese da incompatibilidade entre a teoria de que o escravismo terminou por causa do
capitalismo:

i) Ignora que as economias escravistas tropicais são encaradas principalmente
como fornecedoras de gêneros de baixo custo para consumo e comercialização
com as metrópoles. Menos relevante é o seu papel como consumidor.

ii) Destruição do escravismo resultou em um trabalhador formalmente livre, com
baixo poder aquisitivo.

A ação da Inglaterra no combate à escravidão e ao tráfico internacional de africanos:

i) É a principal evidência daqueles que defendem a incompatibilidade entre
capitalismo e escravismo

ii) Combate à escravidão antilhana -> é uma das batalhas

Combate ao tráfico -> é uma das batalhas pela equalização dos direitos do açúcar de todo
mundo no mercado inglês

Nos EUA, a abolição do escravismo pelo Nordeste, em prejuízo da região Sul (durante a
Guerra de Secessão):

i) foi uma maneira da região Nordeste (protecionista) quebrar a resistência do
Sul (livre-cambista), que apela para a secessão;

ii) a simpatia da Inglaterra com o Sul é um meio de retardar a industrialização dos
EUA? O objetivo inglês é, mediante a fragmentação do mercado interno norte-
americano, enfraquecer o protecionismo do Nordeste.

Portanto, não há fundamentos para estabelecer outra relação entre o escravismo e o
sistema inclusivo (capitalismo) que não a indiferença -> isso significa que o capitalismo abre
a possibilidade.

A última conclusão remete para a necessidade do exame concreto de cada uma das 5
situações particulares do fim do escravismo:

i) Antilhas Inglesas; ii) Antilhas Francesas; iii) EUA; iv) Cuba e; v) Brasil.

- Paula Beiguelman e a escassez relativa de mão-de-obra

A escassez relativa desempenha um papel básico na desagregação do escravismo brasileiro
-> crítica à visão ideológica formulada pela facção vencedora

Ênfase no jogo político regional e partidário, que explica: extinção do tráfico (1850); lei do
ventre-livre (1871), lei do sexagenário (1885) e, Lei Áruea – abolição (1888)

A abolição requer um exame da disponibilidade de escravos no contexto:

i) Nacional:

• Norte -> pecuária era decadente, havia um pequeno número de escravos (exaurido
pelo tráfico). A região não tinha um comprometimento com a questão escrava.

• Nordeste -> açucareiro, escravista
• Centro-Sul -> dividido em 3 áreas cafeeiras

1) Vale do Paraíba -> decadente, saturado de escravos;
2) Oeste Antigo (Campinas) -> auge econômico, era mais ou menos abastecido de

escravos
3) Novo Oeste (Ribeirão Preto) -> em formação, era a região mais carente de

escravo

Conflito entre soluções imigrantistas e escravistas

Em São Paulo -> Vale do Paraíba + núcleos urbanos -> união no plano político para aprovação
de: i) suvenção da imigração; ii) 1878 -> impostos sobre o comércio de escravos (1 conto de
réis) -> criação do clube da lavoura de Campinas (Oeste Antigo) consegue impedir a sanção
do presidente (é a única contra isso).

Obs.: a área cafeeira não é politicamente coesa.

Obs.2: Clube da Lavoura de Campinas -> criado por Campos Salles, quando a assembléia de
SP criou um imposto para a entrada de escravo comprado de outra província.

-> Posição dos partidos frente à abolição

i) Partido Liberal -> apoio a uma abolição gradual (começou a apoiar em 1884), com
indenização (compromisso com o direito de propriedade). Estavam com um dilema entre o
direito de propriedade e a abolição da escravatura, por isso são a favor de uma indenização
para os senhores de escravo.

ii) Partido Conservador -> apóia a abolição somente em 1888. Porém, Antonio Prado (1877),
já tinha defendido a alforria geral em 3 anos.

iii) Igreja Católica -> começa a apoiar a abolição em 1887

obs.: em 1888 temos uma cisão interna dos partidos Conservador e Liberal

- Protesto do Clube da Lavoura ao Parlamento pela recusa do presidente de SP de fazer uso
da força policial para controlar o motim de 2.000 escravos em Santos.

Antonio Prado, do Partido Conservador, apoia o Presidente, e acabou sendo seguido por
outros correligionários -> propõe a abolição da escravatura imediata -> recuo do Partido
Liberal, que se divide.

-> Lei Áurea foi aprovada por 2 partidos:

• Câmara -> 9 votos contrários (8 do RJ e 1 do PE)
• Senado -> passa sem problemas, constitui apenas 2 artigos (1º é de declaração da

extinção da escravidão e, o 2º é de revogação das disposições em contrário)

-> Consequências da abolição da escravidão (para Furtado)

Promoveu ou não promoveu a distribuição de renda?

Em locais onde as terras eram totalmente ocupadas (por exemplo nas Antilhas), a abolição
representa apenas uma mudança formal na situação jurídica (não tem distribuição de
renda). Caso as terras fossem livres, os escravos teriam como alternativa irem para essas
terras. Assim, os fazendeiros teriam que pagar um melhor salário para manter o
trabalhador na terra. Dessa forma, haveria uma distribuição de renda.

O Brasil não se enquadra em nenhuma dessas situações -> a região açucareira é semelhante
à região antilhana e, a abolição possibilitou até que os escravos tivessem uma piora na
qualidade de vida. Já a região cafeeira assemelha-se mais com a opção das terras livres.

Região cafeeira:

• Vale do Paraíba -> disponibilidade de terras (foram abandonadas pelo café) ->
aumento da economia de subsistência

• Planalto Paulista -> economia em rápida expansão -> atrai libertos e paga melhores
salários

O aumento do salário não resultou em uma melhor qualidade de vida. Os escravos libertos
não tinham conhecimento da prática de acumulação e possuíam um baixo nível de
necessidade -> preferência pelo ócio

Pontos importantes do texto

- Celso Furtado – Capítulo 24 – O problema da mão-de-obra (iv. Eliminação do trabalho
escravo)

• Segunda metade do século XIX -> inadequada oferta de mão-de-obra consitui o
problema central da economia brasileira

• Abolição do trabalho serviu assumiria as proporções de uma “hecatombe social” ->
prevalecia a idéia de que um escravo era uma “riqueza” e que a abolição da
escravatura acarretaria o empobrecimento do setor da população que era
responsável pela criação de riqueza no país.

• Abolição da escravatura -> constitui simplesmente uma redistribuição da
propriedade dentro de uma coletividade. A propriedade da força de trabalho, ao
passar do senhor de escravos p/ o indivíduo, dexa de ser um ativo que figura numa
contabilidade p/ constituir-se em simples virtualidade

• A semelhança de uma reforma agrária, a abolição da escravatura teria de acarretar
modificações na forma de organização da produção e no grau de utilização dos
fatores. Com efeito, somente em condições muito especiais a abolição se limitaria a
uma transformação formal dos escravos em assalariados. Em algumas ilhas das
Antilhas Inglesas, em que as terras já haviam sido totamente ocupadas e os ex-
escravos já não dispunham de nenhuma possibilidade de emigrar, a abolição da
escravatura assumiu esse aspecto de mudança formal, passando o escravo liberado
a receber um salário monetário que estava fixado pelo nível de subsistência
prevalencente.
O caso extremo oposto seria aquele em que a oferta de terra fosse totalmente
elástica: os escravos uma vez libertados, tenderiam, então, a abandonar as antigas
plantações e dedicar-se à agricultura de subsistência. Empresários, vendo-se