Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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privados de mão-de-obra, tenderiam a oferecer salários elevados, retendo dessa
forma parte dos ex-escravos. A consequência última seria, portanto, uma
redistribuição de renda em favor da mão-de-obra.

• No Brasil não se apresentou nenhum dos 2 casos extremos. Porém, podemos afirmar
que, a região açucareira aproximou-se mais do 1º caso, a cafeeira, mais do 2º caso.

• Na região cafeeira, as consequências da abolição foram diversas. Nas províncias que
hoje constituem os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, e em pequena
escala São Paulo, se havia formado uma importante agricultura cafeeira à base de
trabalho escravo. A rápida destruição da fertilidade das terras ocupadas nessa 1ª
expansão e a possibilidade de utilização de terras a maior distância com a estrada
de ferro, colocaram essa agricultura em situação desfavorável.
Podemos esperar uma grande migração da mão-de-obra de ex-escravos em direção
às novas regiões em rápida expansão. Porém, é nessa época que tem início a
formação da grande corrente migratória europeia para São Paulo.
Sem incentivo p/ o deslocamento, a região da antiga produção cafeeira passa a ser
mais interessante -> relativa abundância de terras -> economia de subsistência (foi
menos disperso do que o esperado, motivos de caráter social)

Além disso, a melhora na remuneração real do trabalho parece haver tido efeitos
antes negativos que positivos sobre a utilização dos fatores. Os escravos tinham
uma preferência pelo ócio.

• Observada a abolição de uma perspectiva ampla, comprova-se que a mesma constitui
uma medida de caráter mais político que econômico. A escravidão tinha mais
importância como base de um sistema regional de poder que como forma de
organização da produção. Abolido o trabalho escravo, praticamente em nenhuma
parte houve modificações de real significação na forma de organização da produção
e mesmo na distribuição da renda. Sem embargo, havia-se eliminado uma das vigas
básicas do sistema de poder formado na época colonial e que, ao perpetuar-se no
século XIX, constituia um fator de entorpecimento do desenvolvimento econômico
do país.

Texto da Paula Beiguelman – A destruição do escravismo moderno como questão teórica

• A problemática da destruição da escravidão negra na América no curso do século
XIX, costuma ser proposta em termos de um sistema baseado no trabalho livre

• O escravismo moderno se caracteriza, assim, por ser essencialmente capitalista -> o
escravismo moderno é integrante de um complexo determinado pela presença do
trabalho assalariado. Ele não representa uma compenente a-capitalista mas, ao
contrário, constitui-se uma criação capitalista.

• O escravismo se apresenta como a forma pela qual o capitalismo se realiza na
economia colonial

• Como se explica a destruição do escravismo colonia? (essa é a pergunta que a
autora tenta reesponder)

• Situar o escravismo como referência ao processo de acumulação capitalista -> um
dos tipos é os representados pelas colônias norte-americanas, cuja economia
apresenta condições propícias à emergência de capacidade aquisitiva na população
O outro tipo é o representado pelas colônias antilhanas, cuja economia anima um
intenso tráfico negreiro, do qual resultam excedentes que são recanalizados para
ametrópole.

• Revolução industrial altera basicamente esse quadro: i) de um lado, a indústria
inglesa adquire condições para competir livremente pelo mercado norte-americano e
mundial, dispensando a manutenção de um mercado consumidor forçado; ii) de
outro, com a autopropulsão atingida pelo capital industrial, declina a importância do
excedente criado pelo tráfico, como fator de acumulação de capital.

• O quadro de uma produção tendo por fulcro o tráfico negreiro é substituído por
outro no qual emerge, como fator ponderável de acumulação capitalista, a
comercialização do açúcar mundial, à qual tende a Inglaterra.

• Todavia, desde o momento em que a economia internacional prescinde do tráfico
negreiro como fator de acumulação, suprime-se um requisito básico para a
persistência do escravismo

• Ou seja, temos que o sistema, depois da rev. industrial, tanto pode inserir como
dispensar a escravidão, diversamente do que ocorria quando o tráfico era peça
relevante no processo de acumulação capitalista. Isto é, a escravidão deixa de

apresentar a necessidade de que estivera investida na etapa em que fora
importante o ciclo básico pelo qual se traziam os escravos da costa da áfrica p/
revendê-los aos plantadores, criando-se excedentes que eram canalizados para
ametrópole.

• Essa relação de indiferença se traduz num processo que conduz à destruição
efetiva do escravismo, e que pode ser analiticamente construído em torno de 2
momentos principais: a extinção do tráfico e a abolição.

• A extinção do tráfico se insere no process de competição interna de cada economia
açucareira, podendo ser teoricamente referida ao interesse dos plantadores mais
antigos em valorizar a escravaria de que dispunha.

• A abolição, por sua vez, se apresenta como um momento do processo de
concentração, acelerando-o através da ruína dos grandes plantadores.

• Tese de que houve um impulso do capitalismo industrial p/ a destruição do
escravismo -> essa idéia parece basear-se no pressuposto de que, como a alta
concentração da renda na economia escravista impede o aparecimento de uma
massa com poder aquisitivo, as economias centrais seria favoráveis à sua
substituição por um sistema baseado no trabalho livre. (a autora irá discutir isso)

• Nessa premissa, porém, não é considerada a natureza real das relações entre as
economias centrais e periféricas. Com efeito, as economias tropicais são encaradas
precipuamente como produtoras de generos baratos para o consumo e a
comercialização, sendo menos relevante o seu papel como consumidoras.

• Assim, pois, não há como interpretara destruição do escravismo em função direta
do capitalismo industrial.

• Quanto ao caso da repressão do tráfico internacional, é preciso considerar que ela
se apresenta, principalmente, como uma forma de satisfação oferecida aos
interesses internos afetados seja pela luta contra a escravidão antilhana, seja pelo
processo de implantação do livre-cambismo em suas demais fases.

• A Inglaterra não tem realmente razões básicas para hostilizar o crescimento da
produção tropical escravista

• EUA -> a escravidão proporciona apenas o terreno para uma batalha que transcede
o seu âmbito. Assim, a luta anti-escravista fornece as condições para tornar
vulnerável o Sul (livre-cambista) no processo de reivindicação protecionista
desencadeado pelo Norte.

• Não se trata, pois, de eliminar uma estrutura econômica que, enquanto tal, entrasse
em choque com os requisitos da industrialização, mas de proceder ao abalo da
resistência econômica, militar e política dos plantadores antiprotecionistas.

• Também a simpatia da Inglaterra p/com o Sul secessionista costuma ser lembrada
como argumento em favor da tese de incompatibilidade entre escravidão e indústria
-> a Inglaterra, ao tomar partido da escravidão sulista, visaria retardar e
industrialização do Norte. -> o alvo inglês seria antes a pretensão protecionsita do
Norte, que a emancipação

• Não há fundamento p/ estabelecer entre o escravismo e o sistema inclusivo outra
relação que a indiferença.

Aula 15/06/2011 – Caio Prado Jr. capítulo 19 e Petrone (páginas 274 a 296)

- Introdução ao tema:

Formação do mercado de trabalho brasileiro -> 2 processos simultâneos: i) abolição do
trabalho escravo; ii) imigração estrangeira para a grande lavoura (não é a imigração para o
sul, mas sim a de trabalhadores para a cafeicultura).

2 modalidades de imigração: i) parceria (1874 -> entrou em colapso 10 anos após a sua
introdução); ii) colonato (1885 – 1888)

i) Sistema de Parceria: introdução de trabalhadores livres. Foi introduzido na cafeicultura
paulista em um momento em que o trabalho livre não era muito rentável (o trabalho