Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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escravo
ainda era muito abundante). Esse sistema ocorreu em razão da consciência de que a
escravidão estava condenada. Assim, 1845, a Associação Provincial de São Paulo autorizou a
concessão de terras a empresas interessadas no estabelecimento de colônias agrícolas.

A primeira fazenda a utilizar esse sistema foi a Fazenda Ibiacaba (colônia do Senador
Vergueiro), fundada em 1817. Essa, foi a 1ª fazenda a introduzir imigrantes (364 famílias
prussianas). Esses imigrantes viviam em conjunto com 215 escravos, mediante um contrato
de parceria.

O contrato:

• Fazendeiro -> financiava o transporte e a manutenção da 1ª colheita. Dívida = juros
de 6,0% a.a.. obs.: quando a oferta de imigrantes era muito grande, essas condições
pioravam.

• Imigrantes (meeiros) -> eram responsáveis pelo cultivo, colheita e beneficiamento
de certo número de pés de café (em função do número de pessoas da família, idade
e sexo). Tinham direito de cultivar certa parcela da terra para subsistência. O
pagamento era de 50% do ganho líquido da venda de café e das culturas
alimentares.

- Juros sobre o saldo pendente após 2 anos (em alguns casos chegando a 4 anos): i)
proibição do imigrante de deixar a fazenda antes de liquidar suas dívidas (restrição aos
solteiros -> fogem mais fácil); ii) prazo de contrato não era especificado (em geral de 5
anos); iii) divida solidária; iv) em caso de litígio, era resolvido por uma comissão.

Após 1850, há uma grande oferta de imigrantes para SP. Com isso, os contratos tornam-se
mais onerosos para o imigrante. Assim, cria-se a comissão da Companhia de Imigração e, os
juros aumentam.

Em 1855, o sistema tem um relativo sucesso -> 3.500 trabalhadores em 30 fazendas no
entorno de Campinas (1855).

Grande presença de alemães e suiços e, essas famílias coexistiam com os escravos ->
adotavam uma postura de que os parceiros seriam iguais aos escravos.

- Explicações para a difusão do sistema de parcerias:

Holloway: a incerteza quanto aos rendimentos e o preço do café tornava a parceria
interessante para o fazendeiro

• Escravismo: o fazendeiro assume o risco integralmente
• Parceria: o fazendeiro assume o risco de no máximo 50% das perdas.

Stolcke: parceria tem: i) as vantagens do trabalho assalariado (qualidade e intensidade) e,
ii) menores custos que o escravo (menor custo de supervisão)

- Desilusão das parcerias -> causas principais:

• longo prazo (anos) para que a atividade dê alguma receita;
• demora no acerto de contas;
• dificuldades para saldar as dívidas contraídas.

1856 -> Revolta na Fazenda Nova Olinda (Ubatuba) -> início: invasão da roça dos parceiros
suiços pelo gado -> controvérsia em torno da indenização -> mediação: cônsul suíço -> os
colonos são transferidos

Dez/1856 – fev/1857 -> Revolta na Fazenda Ibicaba -> viviam famílias alemãs, suíças,
belgas e portuguesas -> revoltam os colonos suíços e alemães -> safra 1855/1856: acerto
julho/agosto -> expectativa dos colonos era de $740 a $ 830 por alqueire -> recebem
apenas $ 467 (2/3 do esperado) -> não permite redução da dívida.

Controvérsias em torno de:

• Cálculo dos rendimentos do café produzido, inclusive o peso
• Cobrança de comissão
• Taxa de câmbio (desfavorável)
• Cobrança do transporte de Santos até a Fazenda
• Divisão do lucro da venda do café
• % do excedente sobre gêneros de subsistência
• Conflitos religiosos
• Preço dos gêneros vendidos no armazém

Mesmo que não houvesse má intenção, o processo de acerto de contas era bastante
complexo: a despesa total correspondia a 36% do preço do café, além disso, havia uma
bitributação.

Término:

• Expulsão de Davatz (líder da revolução) e de outros líderes
• Inquérito pelo Governo Imperial e provincial e pela Confederação Suiça (condenou

Vergueiro e a Companhia)
• Governos da Prússia e da Suiça proíbem a emigração para São Paulo (embora a

entrada não houvesse cessado completamente).

- Após 1857 -> sistema entra em decadência por falta de oferta

Causas do fracasso do sistema:

• Proprietários -> má qualidade dos colonos, inadequado à lavoura, com forte
predomínio de pessoas oriundas do meio urbano; as autoridades de emigração
concediam todas as facilidades para que estas pessoas saíssem (contrapeso
populacional);

• Colonos -> interesse dos fazendeiros em entregar áreas de baixa produtividade
pois, nas áreas de alta produtividade, teria de dividir o lucro (áreas mais
produtivas, sob os cuidados do próprio fazendeiro) -> entrega de cafezais novos,
onde era possível desenvolver cultura intercalar e sobre cujas vendas recebia 50%
(depois que os pés de café estavam grande, não era mais possível fazer cultura
intercalar)

• Sérgio Buarque de Hollanda -> sobre os parceiros provenientes do meio rural: i)
técnica européia é com uso de arados, fertilizantes, pequenas propriedades.
Diferente do Brasil, onde predominam os latifúndios e solos férteis.

Obs.: caboclização do imigrante -> abandona uma técnica avançada e incorpora técnicas
mais rústicas (principalmente técnicas indígenas)

-> Com o fracasso do sistema de parcerias: 1860 -> i) há um reforço da tendência
escravista -> migrações internas; ii) abrandamento e busca de novas formas de
remuneração do trabalho em razão da melhora no preço do café (viabiliza novas áreas de
produção -> 1867 – ferrovia SP Railway) e da redução da migração interna (cultivo de
algodão – Guerra de Secessão)

• Fazendas que permanecem no regime de parceria -> preferência de portugueses e
atenuação de algumas cláusulas do contrato primitivo;

• Difusão de contratos de locação de serviços (Lei de 1837) -> não resolvem
completamente o problema de produtividade, o fazendeiro tem que antecipar os
gastos

• Fazendeiros passam a pressionar o governo -> i) pagamento integral da passagem de
menores de 12 anos e metade da passagem dos adultos.

- tendência nos anos 1870 -> endurecimento -> lei que regulamenta os contratos de locação
de serviços e parceria (1879) -> proibição de procurar ouro emprego sem a posse de um
certificado de quitação de dívidas emitidas pelo patrão (isso gerou greves)

Antecedentes da subvenção:

1880 -> preço do café começa a cair -> reduz a capacidade do fazendeiro adiantar dinheiro

1881 -> SP – reembolso de 50% da passagem aos imigrantes destinados à agricultura

1884 -> SP – reembolso integral

1885 -> SP – imigração subvencionada (1887 – 1939) – o governo de SP passa a pagar tudo.
não é mais reembolso (isso só ocorria para os imigrantes que iriam trabalhar na agricultura)

-> Escassez de mão-de-obra -> resolvida em meados de 1880

a) colonato -> remuneração: i) parte fixa = cuidados do cafezal; ii) parte variável = colheita
+ eventuais trabalhos na fazenda. -> parte monetária + parte não monetária (pastagem,
agricultura de subsistência etc.)

b) imigração subvencionada pelo estado -> 1885 -> o estado de SP assume a imigração:

• Coletivização dos custos de suprimento de mão-de-obra (15% do orçamento
estadual em 1895);

• Liberação de recursos dos fazendeiros usados para custeio do transporte;
• A acumulação dispensa o uso da coação extra-econômica

1891 – 1895 -> 89% da imigração para São Paulo foi subvencionada

-> Organização Institucional

• 1886 -> sociedade promotora de imigração: i) entidade privada (liderada por
Martinho Prado); ii) fecha contrato com o governo para induzir imigrantes; iii)
dirige a hospedaria dos imigrantes -> durante sua existência (1886 – 95), promoveu
a vinda de aproximadamente 267 mil imigrantes.

• 1886 -> hospedaria dos imigrantes: i) local com capacidade para abrigar até 3.000
pessoas, onde os imigrantes permaneciam por até 8 dias. Era o local onde se
assinava o contrato com as fazendas; ii) número total de pessoas chegadas entre
1893-1920 foi de 873,3 mil, dos quais 611 mil eram adultos -> representava
fisicamente o mercado da mão-de-obra em São Paulo.

-> Petrone -> a renda monetária auferida no cafezal era uma espécie de ganho líquido ->
apenas uma parte era