Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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impôs novas características ao
fluxo de renda, que assume os seguintes traços:
a) Exportações de café garantem disponibilidade de divisas internacionais.

Parte destas divisas é destinada ao pagamento de bens de consumo dos
fazendeiros, que sáo importados.

b) Outra parte dos rendimentos é convertida em moeda nacional e gasto
em salários ou em outros insumos para a lavoura cafeeira.

c) Os salários e as outras despesas em dinheiro no mercado interno ativam
o mecanismo multiplicador, dinamizando a economia interna. O ciclo do

café estimulou a urbanização e a expansão das atividades econômicas
urbanas em geral.

• o trabalho e a terra são fatores abundantes, e o capital fator escasso.
• Expansão cafeeira -> resultado de circunstâncias particulares que incluíam a

influência da burguesia cafeeira sobre a política econômica da nascente
república e o fato de o Brasil ter-se convertido em um produtor quase
monopolista.

• Na visão de Furtado, a política cafeeira pós 1930 desempenhou o papel da
construção de pirâmides, do célebre exemplo de Keynes.

• O início do processo de industrialização no Brasil foi uma consequência
direta do processo de expansão do café, bem como pelas políticas de
proteção adotadas. -> processo de substituição das importações.

• O crescimento da produção industrial interna deve ser visto como uma
resposta às mudanças de preços relativos, que por sua vez foram
subprodutos dos movimentos drásticos da taxa de câmbio que sucederam o
colapso de exportações.

• De acordo com Furtado, ocorre uma elevação de produtividade em 3
circunstâncias: a) absorção de recursos sub-utilizados; b) elevação de
preços internacionais, um fenômeno típico das exportações primárias; c) um
crescimento de produtividade “smitheano”, típico da manufatura e da
indústria.

• Furtado não reconhece a existência de progresso técnico na plantation
açucareira e dá pouca importância para isso no caso do café.

• A chave de aumento nas produções coloniais residia nos preços dos produtos
de exportação.

• O processo de substituição de importação desperta duas fontes de elevação
de produtividade. De um lado, ocorre a transferência contínua de trabalho
do “setor de subsistencia” para as ocupações industriais e urbanas. Do outro
lado, a atividade industrial em si envolve um progresso técnico e um
aumento de produtividade física contínuos.

• Mutatis mutandis -> o progresso técnico não constitui um elemento inerente
à economia colonial.

• O curiose é que o setor de subsistência, além de manter as pessoas nele
envolvidas, proporciona alimentos para os setores exportadores líderes e
para as populações das cidades. Ou seja, o setor de subsistênci produz
excedente!. Na verdade, subsistência aparece como sinônimo para baixa
produtividade.

• Principais instrumentos de análise econômica presentes na reconstituição
racional da história econômica de Furtado são: i) os ajustamentos entre

estruturas de demanda e oferta; ii) o fluxo de renda; iii) o mecanismo
multiplicador.

• No processo de substituição de importação, as mudanças nos preços
relativos desempenham um papel no ajustamento da oferta e demanda. No
entanto, o uso dos preços relativos é limitado – restringe-se aos termos de
troca e ao contraste entre tradeables e non-tradeables.

• As importações e o pagamento de fatores no exterior representam
vazamentos no fluxo de renda.

• A economia não monetária significa uma espécie de economia residual, ou
pouco relevante para a definição das tendências econômicas dominantes.

• A distinção entre os setores líderes e atrasados está definitivamente
associada à capacidade de gerar crescimento econômico, e não à tecnologia
dominante, ao tipo de força de trabalho utilizada, ou as outras
características dos setores de atividade econômica.

• Teoria econômica de Furtado é instrumental -> está voltada à compreensão
do desenvolvimento econômico e, particularmente, do desenvolvimento
econômico e, particularmente, do desenvolvimento econômico brasileiro, em
sua ambiência histórica.

• A análise de Furtado está influenciada pelos destinos imediatos do processo
de industrialização.

Tamás Szmrecsányi - Sobre a Formação Econômica do Brasil de Celo Furtado

• Obra pioneira e referencial da nossa historiografia econômica.
• Caráter extremamente sintético, não é de fácil assimilação para os que

carecem de adequado preparo econômico e/ou histórico.
• Três avisos da introdução: a) o trabalho não passa de “um esboço do

processo histórico de formação da economia brasileira”; b) por isso, há uma
omissão quase total de referências à bibliografia histórica brasileira; c)
seus últimos capítulos baseiam-se, em parte, num trabalho anterior – o livro
A Economia Brasileira, publicado em 1954.

• Base bibliográfica muito precária para uma obra do alcance e da qualidade
da Formação Econômica do Brasil.

• Única obra que chega a mencionar é de Robert Simonsen.
• CEPAL -> segunda pós-graduação
• Tratamento dispensado por Furtado aos dados econômicos e às instituições

de cunho histórico é de indole cepalina e Keynesiana.

Celso Furtado e o pensamento econômico brasileiro – Francisco de Oliveira

• É uma ligação entre a doutrina e ação que é específica na obra de Celso
Furtado, e que o tornou o fundador da moderna economia política brasileira.

• A economia política de Celso Furtado é sobretudo isso, uma proposta para
ação.

• Furtado teoriza sempre sobre o que lhe é contemporâneo, e sendo alguém
que trabalhou no setor público implementando as teorias que
construia/defendia, isso lhe conferiu uma enorme proeminência e uma
enorme visibilidade no cenário teórico e político do Brasil.

• Teorização sobre economias subdesenvolvidas -> cria uma alternativa às
duas concepções, duas vertentes teóricas e doutrinárias que até então
predominavam. a) vertente teórica neoclássica e marginalista que domina as
ciências econômicas desde o final do século XIX. Essa teoria tornou-se o
sistema social de produção dominante nos países centrais e dominante
também na sua periferia. b) no banho stalinista, o marxismo tranformou-se
numa espécie de teologia, e os países subdesenvolvidos ou atrasados são
apenas uma etapa para chegar a ser desenvolvido.

• Campo teórico de Celo Furtado é muito eclético.
• A teoria do subdesenvolvimento vai nascer como um desafio dessas

economias que haviam resistido de forma diferente à crise dos anos 1930.
Em outras palavras, elas tinham procurado se industrializar, sair da crise do
período não voltando ou permanecendo na velha divisão internacional do
trabalho.

• Sua teoria da CEPAL se converte numa arma ideológica poderosa a serviço
da nova burguesia industrial emergente no Brasil e em outros países da
América Latina.

• Solução para o atraso regional -> INDUSTRIALIZAÇÃO
• Enormes lacunas teóricas da teorização furtadiano-cepalina comparecem.

Em primeiro lugar, o encobrimento dos antagonismos sociais: o
desenvolvimento não é pensado como um processo de luta social, de luta de
classes, como um processo conflitivo. Ao contrário, é pensando em termos
exclusivos de interesses proeminentes em escala nacional. Essa falha
teórica vai cobrar pesados juros, não tão pesados quanto os da dívida
externa, mas batante pesados do ponto de vista teórico e social.

• Questão contraditória das classes sociais em qualquer processo de
expansão capitalista era colocada de maneira falsa ou pelo menos
equivocada. Furtado inventou uma luta de classes entre trabalhadores ->
denuncia insuficiência teórica da produção cepalino-furtadiana.

• À base teórica cepalino-furtadiana, faltou sempre uma teoria de
acumulação, que não pode ser confundida com a formação de capital, e o
período pós-autoritário gestou formas de acumulação.

Texto – Fernando Novais -> O Sentido Profundo da Colonização

Fim último da colonização -> para Caio Prado Jr. é o comércio europeu. Já para
Fernando Novais, o fim último é a acumulação primitiva.