Resumo_FES1_1S11
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Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais452 seguidores
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• Para o Norte do Brasil a questão não se proporá: esta parte do país nunca receberá
uma corrente apreciável de imigrantes europeus, apesar do interesse que muitas
vezes se tomou pelo assunto.

• Doutro lado, o abandono do sistema de parcerias e a adoção do salariado afastou,
como vimos, uma das principais causas de atritos e desentendimentos; um salário
fixo, em regra por tarefa e estabelecido por normas e praxes gerais, eliminou
qualquer margem para dúvidas.

• A maior parte das fazendas de café instaladas depois de 1880, contará sobretudo e
unicamente com trabalhadores livres. Desaparece assim mais uma circunstância
geradora de dificuldades para o trabalho livre, e que era sua coexistência nas
mesmas fazendas e em iguais tarefas com o trabalho servil.

• Mas se este processo fo trabalho livre foi em grande parte condicionado pela
decadência do trabalho servil, inversamente ele acelerará consideravelmente a
decomposição deste último. Pondo em evidência as suas contradições no que diz
respeito à sua insuficiência, tanto quantitativa como qualitativa, irá cada vez mais
minando suas bases e apontando para o caminho do futuro. Doutro lado, a presença
de trabalhador livre, quando deixa de ser uma exceção, torna-se forte elemento de
dissolução do sistema escravista. Se dantes a servidão corrompia o homem livre,
agora é a liberdade que corrompe o escravo.

Aula 22/06/2011 – Celso Furtado – Capítulos 25, 26 ,27 e 29

Capítulo 25 -> Nível de renda e ritmo de crescimento na 2 metade do século XIX

1ª metade do século XIX -> grande dificuldade na economia brasileira. Mais baixo nível de
atividade econômica em todo o seu período.

Na 2ª metade do século XIX -> economia brasileira alcança uma taxa de crescimento,
principalmente com o comércio exterior -> aumento da capacidade de importação =
(Px/Pm)*Qx -> os termos de troca cresceram 58% e a capacidade de importação cresce
396%. -> isso significa que a exportação média per capita cresceu significativamente.

- crescimento da renda -> divisão do setor exportador em várias regiões (Nordeste; Bahia;
Sul; Sudeste e Amazônia)

A região que tem o maior crescimento é a Amzônia com a borracha. -> mais de 30% das
exportações brasileiras.

Taxa de crescimento anual da renda per capita varia amplamente de área para área ->
destaque para a região da Amazônia (+6,2%) -> taxa média de crescimento no Brasil foi de
1,5%

Essa taxa de crescimento é elevada. Durante a mesma época, a taxa per capita p/ os EUA é
menor.

O Brasil iniciou uma etapa de crescimento após ¾ de século de estagnação e possivelmente
de retração.

A renda per capita do Brasil em meados do século XX :

• 1850 = US$ 43 -> Taxa de crescimento entre 1850 – 1950 = 1,5%a.a.
• 1900 = US$ 106
• 1950 = US$ 224

Se o Brasil tivesse uma taxa de 1,5% a.a. na primeira metade, essa rende per capita teria
dobrada. O Brasil ficou relativamente atrasado entre o declínio da mineração e 1850 ->
essa é a causa do subdesenvolvimento brasileiro.

Capítulo 26

Fato mais importante na economia brasileira no último quartel do século XIX -> aumento da
importância relativa do setor assalariado. Por que esse fato é o mais relevante?

Escravismo -> economia estável no crescimento e no declínio -> não há fluxo de renda
interno -> aumento no valor das exportações gerava um limitado efeito interno. Assim, a
demanda monetária podia ser, no máximo, igual ao valor das exportações. (decisão de
investir ficava restrita p/ quem recebe as divisas)

Economia assalariada -> fluxo interno de renda

Unidade produtiva -> receita de venda ao exportador -> renda dos proprietários /
pagamento de salários

Os assalariados recebem para se manter = gastos com consumo

Renda dos proprietários se divide entre poupança e consumo

Parte do mercado interno -> renda dos pequenos produtores comerciantes -> gera consumo

Ou seja, há um multiplicador

Assim, a somatório dos “consumos” ultrapassa a receita de exportação -> há um
desequilíbrio. Como a importação não consegue mais suprir o mercado. É necessário uma
produção interna!

A procura de bens de consumo (produzidos no país) -> melhora o uso de fatores da
economia -> aumenta a renda de outros setores.

Esse fato ocorre mesmo que o salário real no setor exportado permaneça constante -> o
importante é que o salário real do setor exportador seja maior do que o salário real do
setor de subsistência -> tem-se uma situação em que: salário real do setor exportação é
constante

salário real da economia -> Crescente

Se houver um aumento no salário real no setor exportador -> menor disponibilidade de
recursos nas mãos do empresário p/ investir -> menor expansão do setor externo -> mais
lenta absorção de mão-de-obra pelo setor -> menor efeito interno

“c/ a absorção de mão-de-obra pelo setor exportador -> importância desse setor ia
crescendo.

- movimento oscilatórios -> gerava uma concentração de renda -> abundância de terra e de
mão-de-obra

A renda dos proprietários cresce muito mais rapidamente do que a renda dos assalariados -
> processo de concentração de renda (isso ocorria quando o preço do café subia)

Redução no preço do café -> mecanismo de socialização das perdas impedia que houvesse
uma desconcentração da renda com a redução do preço do café. -> controle da taxa de
câmbio.

Todo mundo que recebe moeda nacional e consome produtos estrangeiros perde -> há uma
valorização da moeda estrangeira.

Capítulo 27

Impraticabilidade do padrão ouro

Fato mais importante para a economia brasileira na 2ª metade do séc. XIX -> aumento da %
do setor a assalariado -> base do mercado interno (fundamental p/ a indexação)

Contudo, o uso de trabalho assalariado em economias exportadoras acarreta uma série de
novos problemas

Quanto à possibilidade de se adaptar ao padrão-ouro

a) Nos países industrializados -> é possível. Há uma tendência ao equilíbrio automático
do país

Saída de ouro -> redução da base monetária -> aumento da taxa de juros -> entrada de
capital -> saldo positivo na balança de capital

Saída de ouro -> redução da oferta de ouro -> aumento do preço do ouro –> redução do
preço interno -> aumento das exportações e redução das impor. -> saldo positivo na balança
comercial

Balança comercial + balança monetária -> ajuste

No caso de economias assalariadas exportadoras -> países como o Brasil, um aumento na
taxa de juros não atrairia livremente capital -> o país quebraria.

Do lado da oferta interna, a redução no preço do produto -> não vale a pena reduzir tanto o
preço do café (a demanda não aumentará muito). Do lado das importações, o Brasil
importava essencialmente bens essenciais (o preço só pode cair quando há uma produção
interna) -> o déficit na balança comercial existe.

Sem saldo na balança de capital e sem gerar saldo na balança comercial -> o Brasil
precisaria exportar todo o seu ouro -> por isso torna-se impraticável.

Nas crises, no caso do Brasil, o ajuste é ainda mais difícil.

Em economias industrializadas, a primeira decisão é reduzir a taxa de investimento. A
demanda agregada tende a cair -> redução das importações -> o ajuste é feito de forma
fácil).

Economias exportadoras assalariadas -> declínio da entrada de capitais + rigidez dos
serviços de capitais -> aumenta ainda mais a necessidade de reservas metálicas

Inaplicabilidade do padrão-ouro -> não foi percebida na época

Teoria econômica -> desenvolvida para as condições europeias -> governantes brasileiros:
ignoram a especificidade do país e, insistem na manutenção do padrão ouro -> atribuem os
desequilíbrios externos à uma patologia de nossa moeda: a inconversibilidade -> miragem da
conversibilidade (tentam fazer moedas lastreadas em ouro) <-> escassez de moeda -> crise
de liquidez nos anos 80 (circulação caiu de 216 p/ 196 mil contos de réis) -> introdução do
trabalho assalariado -> aumento da demanda por moeda

Capítulo 29

Império -> controle dos grupos agrícolas exportadores (escravistas)