Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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Política cambial funciona como mecanismo de minorar as perdas decorrentes de redução do
preço do petróleo -> redução da receita de importação (taxa de câmbio fixa) -> déficit
fiscal -> empréstimos externos (aumento do serviço da dívida) + emissões (inflação -> ônus
sobre setores que recebem em moeda nacional)

A forma como esse mecanismo atuava era extremamente perverso sobre esses setores e o
imposto de importação beneficiava quem mais consumia produtos importados.

Enquanto o setor de assalariados era insignificante, esse mecanismo não era muito
contestado -> década de 1880 -> novos grupos (plantadores de café com assalariados,
assalariados urbanos, colônias de povoamento no sul) com novas necessidades (educação,
etc) -> políticas inadequadas -> monetária: miragem da conversibilidade -> escassez /
problema de mão-de-obra

Obs.: o problema de mão-de-obra não foi resolvida pelo governo federal, mas sim pelo
governo da província de SP.

Reforma monetária (nov/1888) -> tesouro empresta a Bancos pelo prazo de 7 a 22 anos,
sem juros. Os Bancos se comprometem a emprestar à lavoura: dobro do valor recebido;
juros de 6% a.a.; prazo de 15 anos

Autoriza 3 bancos a fazerem emissões conversíveis em ouro. (de fato só um dos bancos
atuou -> por isso, Celo Furtado fala que houve má vontade de atuar).

- república -> a) flexibilidade político-administrativa (mais sujeita a pressão do que o
império) -> segue conforme os interesses dos setores exportados emergente -> Rui
Barbosa: reforma bancária -> aumento da oferta de crédito -> expansão das atividades ->

pressão sobre a balança de pagamentos -> taxa de câmbio despencou (menos de 1/3 do
valor) -> ônus sobre os assalariados e industriais (setor forte começa a ser afetado).

Obs.: se o industrial está investindo -> desvalorização cambial -> importação de bens de
capital fica mais onerosa. Depois (já produzindo), uma desvalorização, inviabiliza
concorrentes e o produto interno fica mais caro, pode ser interessante.

Obs.: além desses setores, os próprios capitais estrangeiros também estão sendo
prejudicados com essa desvalorização.

- Reforma bancária de Rui Barbosa (17/01/1890)

3 bancos emissores com garantia de apólices públicos (NO, centro e RS)

• Protesto contra os privilégios dos bancos emissores -> autorização estendida a
outros bancos -> 1889 a 1890: moeda em circulação passou de 206 mil contos de
réis para 561 mil contos de réis (+172%)

• Ascenção política de setores urbanos (empregados e industriais) e de setores
rurais não vinculados à agricultura de exportação -> confronto com setor
exportador -> 1898 – novo equilíbrio de forças -> Joaquim Murtinho: Funding loan
(refinanciamento da dívida externa -> exigência: governo parar de emitir papel
moeda e queimar) / cobrança de imposto de importação em ouro (resolver o déficit)
(1900) -> evidencia: governo mais sensível aos interesses dos novos grupos; redução
do controle dos exportadores sobre o governo.

Pontos importantes do texto

Capítulo 25 – Nível de renda e ritmo de crescimento na 2ª metade do século XIX

• Nesse período, tivemos uma taxa relativamente alta de crescimento. Sendo o
comércio exterior o setor dinâmico do sistema. É no seu comportamento que está a
chave do processo de crescimento nessa etapa -> incremento de 369% na renda
real gerada pelo setor exportador (setor mais dinâmico da economia quintuplicou no
período considerado)

• O desenvolvimento da 2ª metade do século XIX não se estendeu a todo território
do país -> p/ analisar, dividiu por áreas

• Nordeste (exceto Bahia) -> queda da renda per capita do sistema exportado teria
sido substancial

• Sul (economias de subsistência) -> se beneficiou indiretamente com a expansão das
exportações e da expansão do mercado interno, seja diretamente, colocando alguns
produtos de qualidade como o vinho e a banha de porco, seja indiretamente, através
da expansão urbana do estado, possibilitada pelo aumento de produtividade do
setor pecuário

• Região produtora de café -> o desenvolvimento da região cafeeira se realizou, nessa
etapa, com a transferência de mão-de-obra das regiões de baixa produtividade,
para as regiões de mais alta produtividade. A rápida expansão do mercado interno
na região cafeeira teria de repercutir muito favoravelmente na produtividade do

setor de subsistência, o qual se concentrava principalmente no estado de Minas
Gerais

• Bahia -> a produção de cacau se iniciou p/ fins de exportação na 2ª metade do
século XIX, proporcionando a esse estado uma alternativa para o uso de recursos
de terra e mão-de-obra de que não se beneficiaram os demais estados nordestinos.

• Região amazônica -> exportações (borracha) alcançaram extraordinária importância
relativa na etapa final do século XIX

• A diferença fundamental está em que, enquanto os EUA na 2ª metade do século
XIX mantiveram um ritmo de crescimento que vinha do último quartel do século
anterior, o Brasil iniciou uma etapa de crescimento após ¾ de século de estagnação
e provavelmente de retrocesso em sua renda per capita.

• Existe alguma indicação que a taxa de crescimento da economia brasileira tem sido
relativamente estável no correr dos últimos cem anos.

• Se a economia brasileira houvesse alcançado, na primeira metade do mesmo século,
partindo de US$ 50,00, chegar-se-ia ao fim do século com US$ 224,00. Mantida a
mesma taxa na 1ª metade do século XX, a renda real da população brasileira seria,
em 1950, da ordem de US$ 500,00, isto é, comparável à média dos países da
Europa Ocidental, nesse ano.

• Esse atraso tem sua causa não no ritmo de desenvolvimento dos últimos 100 anos, o
qual parece haver sido razoavelmente intenso, mas no retrocesso ocorrido nos ¾ de
século anteriores. Não conseguindo o Brasil integrar-se nas correntes em expansão
do comércio mundial durante essa etapa de rápida transformação das estruturas
econômicas dos países mais avançados, criaram-se profundas dessemelhanças entre
seu sistema econômico e os daqueles países.

Capítulo 26 – O fluxo de renda na economia de trabalho assalariado

• Último quartel do século XIX -> Aumento da importância relativa do setor
assalariado

• A nova expansão tem lugar no setor que se baseia no trabalho assalariado. O
mecanismo desse novo sistema, cuja importância relativa cresce rapidamente,
apresenta diferenças profundas com respeita à antiga economia exclusivamente de
subsistência

• Crescendo a massa de salários pagos, aumentaria automaticamente a procura de
artigos de consumo. A produção de parte destes últimos, por seu lado, pode ser
expandida com relativa facilidade, dada a existência de mão-de-obra e terras
subutilizadas, particularmente em certas regiões em que predomina a atividade de
subsistência. Desta forma, o aumento do impulso externo determina melhor
utilização de fatores já existentes no país.

• A massa de salários pagos no setor exportador vem a ser, por conseguinte, o núcleo
de uma economia de mercado interno.

• Teve importância fundamental, no desenvolvimento do novo sistema econômico
baseado no trabalho assalariado, a existência da massa de mão-de-obra
relativamente amorfa que se fora formando no país nos séculos anteriores. Se a
expansão da economia cafeeira houvesse dependido exclusivamente da mão-de-obra

européia imigrante, os salários ter-se-iam estabelecido em níveis mais altos, à
semelhança do que ocorreu a Austrália e mesmo na Argentina. A mão-de-obra de
recrutamento interno exerceu uma pressão permanente sobre o nível médio de
salários

• Em síntese, como a população crescia muito mais intensamente no setor monetário
que no conjunto da economia, a massa de salários monetários aumentava mais
rapidamente que o produto global.

• Os aumentos de produtividade da economia cafeeira refletiam principalmente
melhoras ocasionais de preços, ocorridas, via de regra, nas alta cíclicas, sendo
mínimas as melhoras de produtividade física logradas diretamente no processo
produtivo.