Resumo_FES1_1S11
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Resumo_FES1_1S11

Disciplina:Formação Econômica e Social do Brasil I184 materiais451 seguidores
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-> aceita a definição de Dobb, com 2 reparos:

a) A servidão apresentou graus diferentes e não se restringia à servidão da
gleba;

b) A servidão não foi uma relação exclusiva do feudalismo e não se relaciona
obrigatoriamente pelo feudo.

Propriedade da terra -> desdobra-se em duas formas de direito: i) eminente -> do
senhor feudal; ii) usufrutuário -> do camponês.

A propriedade não é plena (alodial) para nenhum deles! A terra não é deles, nem o
senhor feudal manda totalmente na terra, nem o camponês.

Renda da terra -> pagamento pelo uso da terra. O senhor feudal absorve
integralmente o sobreproduto gerado pelo camponês (excedente do produto).

Formas básicas de organização da produção feudal:

1) Pequena economia agrícola
2) Pequeno ofício artesanal

Posse comunal das pastagens e bosques -> constituem um complemento necessário à
pequena produção portuguesa -> principalmente para animais.

Em se tratando de trocas mercantis, o feudalismo é diferente de economia natural.
O feudalismo tem, de alguma forma, uma mercantilização em grau limitado.

- Feudalismo em Portugal:

Alexandre Herculano e Gma Barros -> não houve uma época feudal

X

Gorender -> houve feudalismo enquanto modo de produção, porque houve servidão.
-> Não existe a relação de suserania e vassalagem porque a formação do Estado
Português foi diferente, peculiar (de acordo com Boxer)

Forma do Estado a partir do século XII -> reconquista e luta contra os mouros ->
isso impediu o aparecimento dos feudos.

Um feudalismo peculiar, distinto das demais partes da Europa:

a) Propriedades senhoriais sem soberania político-jurídica -> Portugal, desde
muito cedo, valeu-se do direito romano (em tudo -> organização dos
ministérios / conselhos municipais), o que tira o poder dos senhores feudais.

b) Formas variadas de servidão
c) Relação de força entre as classes
d) Luta de classes -> muito intensa em todos os períodos

Portanto: uma forma diferente de Feudalismo (Boxer)

O interessante em Portugal é, saber o que o Rei faz após reconquistar as terras ->
3 opções: i) doar as terras; ii) criar feudos (relação de suserania e vassalagem) ou,
iii) centralizar.

O Rei passa a ser o maior proprietário de terras, com o maior poder. O Rei de
Portugal torna-se o senhor iminente de todas as coisas.

A nobreza fundiária portuguesa não tem tanta força, como ocorre em outras
localidades europeias.

A partir de 732 -> início do processo de retomada da península ibérica. Incialmente
um problema apenas ibérico, posteriormente, problema de toda a Europa Ocidental
(todos os povos cristãos enviam tropas).

Já no século XIII, Portugal já é um Estado unificado, enquanto que, ainda no século
XV, a Espanha ainda não está unificada.

Boxer -> a forma portuguesa de feudalismo foi determinada por:

a) Guerras contra mouros e espanhóis
b) Grau de desenvolvimento das forças produtivas

Isso gerou -> fortalecimento do poder monárquico / unificação nacional / extinção
da servidão da gleba

Obs.: vemos relações mais fortes de servidão no Norte de Portugal do que no Sul. ‘

A produção portuguesa do século XIII -> é proveniente de pequenas explorações
pertencentes a foreios enfiteutas ou emprazadores.

a) Foreiro -> indivíduo sujeito ao pagamento de foro (quantia paga anualmente)
-> é objeto de herança. Não pode retirar a pessoa da terra.

b) Enfiteuta -> possuidor do direito pleno de gozo de um bem imóvel, mediante
o pagamento de um foro, em dinheiro ou em frutos. O direito é real,
alienável e transmissível aos herdeiros.

c) Empazar = enfiteuta

As terras indominicatas ocupam posição secundária (são muito pequenas)

Terra indominicata = mansus indominicatus = reserva senhorial

Prevalência da renda-produto -> variável entre 17% e 50% da produção ->
associadas a outras formas de renda da terra.

- renda-dinheiro (desafavorecida pela desvalorização da moeda)

- renda-trabalho = 1 dia por semana

Impostos e taxas no século XIII:

a) Imposto sobre a produção pagos à classe senhorial (coroa, nobreza e clero);
b) Tributos eclesiais (dizimo)
c) Tributos sobre a alienação de enfiteutas: 50% a 12,5%;
d) Tributos sobre instalações fixas de beneficiamento exclusivas da camada

senhorial (direitos banais);
e) Tributos sobre transportes e circulação de mercadorias

Esse conjunto de impostos é o que, segundo Gorender, cacteriza a estrutura
feudal.

Armando de Castro -> uma porcentagem da renda feudal sobre a produção agrícola,
na média, correspodiam a 27% do PNB no século XIV.

Efeitos da precoce centralização monárquica dobre o feudalismo:

a) Nobreza mais fraca comparativamente à Coroa e ao Clero -> nobreza tem ¼
da renda, é bastante numerosa e formada por senhores de pequenos
domínios e fragmentados. Coroa e o Clero possuem rendas iguais -> o dobro
da nobreza. Há uma transferência de renda da Coroa para a Nobreza.

b) Artesanato tem um fraco desenvolvimento. Ausência de formas industriais
pré-capitalistas de produção.

c) Precoce aparecimento de uma burguesia rural (categoria social formada
pelos cavaleiros-vilãos): servos enriquecidos -> encargos feudais eram mais
leves e viviam da exploração de jornaleiros -> geram uma acumulação.

Expansão ultramarina -> significado econômico social

Pioneirismo -> fortalecimento da estrutura feudal existente em Portugal -> atraso
no desenvolvimento do capitalismo.

Ou seja, o pioneirismo teve um efeito contrário, não desenvolveu a industrialização.

Obs.: crítica a tese de localização privilegiada de Caio Prado Jr.

Revolução de Avis (1383 – 1385) -> questão sucessória que gerou a troca da cas
reinante de Portugal -> influência da burguesia mercantil e rural junto à Coroa.

D. João II (1481 – 1495) -> 1º rei absoluta da Europa -> coroa, nobreza e clero
estão interessados na expansão, essa é inviável no continente. Feita na expansão
ultramarina (é a única alternativa).

Obs.: a nobreza e a burguesia já são a mesma pessoa!

Atraso no desenvolvimento do capitalismo:

A exploração colonial:

a) Enriqueceu a burguesia
b) Controle permaneceu com a Coroa -> aumento das rendas régias / aumento

do parasitismo de nobres
c) Enrijecimento das instituições feudais
d) Inquisição -> instrumento da nobreza para: i) conter o fortalecimento

econômico e político da burguesia; ii) defender a posição da classe.

D. João III (1521 – 1557) -> inquisição (1536) -> perseguição da burguesia,
conhecida como cristãos novos e criptos judeus. Portugal a via revolucionária do
comércio.

Portugal fez a política mercantilista do tipo inferior -> exemplo disso foi a
exploração colonial -> com intermediação internacional, sem desenvolvimento de
uma indústria de beneficiamento do produto colonials na metrópole. -> reduzida
influência dos defensores portugueses da proteção à indústria nascente, como
fizeram os franceses e ingleses.

Exemplo -> i) Conde de Ericeira (1632 – 1690) -> tentativa de industrialização de
Portugal -> resistência de interesses agrários saíram-se vitorisos com a assinatura
do tratado de Methuen.

ii) Marquês de Pombal (1699 – 1782) -> tentativa de uma política de
idnustrialização de Portugal. O momento de fazer isso já tinha passado. Tem
poucos efeitos, é uma política tardia em relação à outros países, que já estavam
fazendo a Revolução Industrial. Essas medidas acabam quando D. Maria sobe ao
trono, acaba com todas as medidas tomadas por Pombal.

- Resultado sócio-econômico da expansão de Portugal -> Uma sociedade arcaica -> segundo
comentário de A. J. Saraiva: “Poderia talvez, sem grande erro, comparar-se a Coroa
portuguesa a uma organização monopolista cujos benefícios são distribuídos entre
funcionários e acionistas, sob a forma de ordenados e dividendos, sendo que esses
funcionários e acionistas não exercem uma atividade industrial ou comercial (...) Desta
forma, se o Estado português do século XVI oferece esteriormente uma aparência
moderna, na medida que é uma grande empresa econômica, por outro lado, ele